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“Minha avó adorava o Silvio Santos e eu ficava a poucos centímetros da tevê... Então, eu queria entrar na tevê”, diz ela
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Revelação
A filha do delegado está no paraíso

Débora Nascimento , que estréia como atriz em Paraíso Tropical e é filha de um delegado de polícia, diz que entrou em depressão na África, na época de modelo, e conta o papo regado a chope que teve com Fábio Assunção na Bahia
texto Rodrigo Cardoso - fotos murillo constantino
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Com duas companheiras das horas vagas, a maltês Bris
e a flauta
Valdecir Aparecido do Nascimento é um delegado renomado no meio policial da capital paulista. Cabra-bom, como costuma ser chamado na freqüência do rádio de sua viatura, tem uma paixão, além da profissão: a filha, ex-modelo e hoje atriz de Paraíso Tropical, Débora Nascimento, 21 anos. “Meu pai colocou uma foto minha no fundo de um relógio de parede da sala dele. Fez calendário comigo e já foi em shopping só para pedir a uma loja um display de uma campanha que eu fiz”, enumera a filha do delegado, status vivido intensamente por Débora na fase pueril. “Era legal passear de viaturas, aqueles carros gigantescos, meu irmão entrava e batia fotos. E fui em delegacia várias vezes”, lembra ela, filha da esteticista Maria Lúcia dos Santos.

Aos 16 anos, porém, a modelo achava que “não pegava bem” ficar passeando de viatura. O possante do Cabra-bom perdeu lugar para o avião. Com ele, Débora rodou por Chile, Tailândia, China e África posando para campanhas. De uma “beleza estranha” até a adolescência – dentes separados, bochechuda, cabelo indeciso entre o liso e o enrolado –, a rota como modelo de Débora rendeu-lhe dinheiro e elevou sua auto-estima. Isso até a última escala. “Na África, entrei em depressão ao terminar um namoro”, conta. “Chorava e comia. Engordei 14 quilos, cheguei aos 84, e não fazia mais passarela.”

De volta ao Brasil, aos 18, Débora conheceu o atual noivo e pegou carona numa referência da infância – não, não se trata da viatura do Cabra-bom! – para seguir novo caminho profissional. “Minha avó adorava o Silvio Santos e eu ficava a poucos centímetros da tevê... achava que o Silvio entrava na tevê e ficava pensando como ele fazia aquilo. Então, queria entrar na tevê.”

E Débora conseguiu entrar na Globo. Após fazer cursos de interpretação com Magno Azevedo, Ignácio Coqueiro e Fátima Toledo ela passou no teste da oficina de atores do Projac e, quatro meses depois, no de Paraíso Tropical. “Eu a aprovei no teste”, diz Dênis Carvalho, diretor de núcleo da Globo. “Ela é boa atriz, bonita, fala bem e tem bom caráter.”

Atriz iniciante, Débora estreou logo numa novela das oito da Globo, no papel de Elisa, uma prostituta de 16 anos. Tudo muito rápido e cheio de deslumbre. “Não acreditei que eu tinha crachá da Globo! No Projac, tirei foto ao lado das plaquinhas do lugar.” Na Bahia, nos 20 dias em que ficou entre Itacaré e Porto Seguro – com bangalô particular – gravando suas cenas, a atriz olhava para os colegas ainda como tiete. “Vi pela janela o Tony Ramos passando em direção da praia”, conta. “Encontrei uma musa, a Maria Fernanda Cândido, que me cumprimentou e disse que eu era bonita. Meu olho encheu d’água.”

Teve ainda uma conversa no hotel com Fábio Assunção, regada a chope, de frente para o mar. “Fábio me disse: ‘Por mais que tenha sucesso, não deixe de ser você. Se for convidada para uma festa e tiver de ir só para fazer média, não vá’”, conta ela. Bonito, mas como foi relatar ao noivo Rodrigo que ouviu o conselho entre um chope e outro com Fábio Assunção? “Como ele é?”, perguntou o noivo, segundo Débora. “Amor, ele tem namorada. Não rola nada. Ele já sabe de você, Rodrigo!”

Débora, que agora faz aula de flauta três vezes por semana, tentou apresentar o noivo ao galã, na festa de estréia da novela, o que foi impossível devido ao assédio. Uma pena, porque Rodrigo viu de longe que Fábio é cabra-bom e não ia se meter justamente com uma filha de delegado prestes a subir no altar.