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Com
duas companheiras das horas vagas, a maltês
Bris
e a flauta |
Valdecir Aparecido do Nascimento é um delegado
renomado no meio policial da capital paulista.
Cabra-bom, como costuma ser chamado na freqüência
do rádio de sua viatura, tem uma paixão,
além da profissão: a filha, ex-modelo
e hoje atriz de Paraíso Tropical, Débora
Nascimento, 21 anos. “Meu pai colocou uma
foto minha no fundo de um relógio de parede
da sala dele. Fez calendário comigo e já
foi em shopping só para pedir a uma loja
um display de uma campanha que eu fiz”,
enumera a filha do delegado, status vivido intensamente
por Débora na fase pueril. “Era legal
passear de viaturas, aqueles carros gigantescos,
meu irmão entrava e batia fotos. E fui
em delegacia várias vezes”, lembra
ela, filha da esteticista Maria Lúcia dos
Santos.
Aos 16 anos, porém, a modelo achava
que “não pegava bem” ficar
passeando de viatura. O possante do Cabra-bom
perdeu lugar para o avião. Com ele, Débora
rodou por Chile, Tailândia, China e África
posando para campanhas. De uma “beleza
estranha” até a adolescência
– dentes separados, bochechuda, cabelo
indeciso entre o liso e o enrolado –,
a rota como modelo de Débora rendeu-lhe
dinheiro e elevou sua auto-estima. Isso até
a última escala. “Na África,
entrei em depressão ao terminar um namoro”,
conta. “Chorava e comia. Engordei 14 quilos,
cheguei aos 84, e não fazia mais passarela.”
De volta ao Brasil, aos 18, Débora
conheceu o atual noivo e pegou carona numa referência
da infância – não, não
se trata da viatura do Cabra-bom! – para
seguir novo caminho profissional. “Minha
avó adorava o Silvio Santos e eu ficava
a poucos centímetros da tevê...
achava que o Silvio entrava na tevê e
ficava pensando como ele fazia aquilo. Então,
queria entrar na tevê.”
E Débora conseguiu entrar na Globo.
Após fazer cursos de interpretação
com Magno Azevedo, Ignácio Coqueiro e
Fátima Toledo ela passou no teste da
oficina de atores do Projac e, quatro meses
depois, no de Paraíso Tropical. “Eu
a aprovei no teste”, diz Dênis Carvalho,
diretor de núcleo da Globo. “Ela
é boa atriz, bonita, fala bem e tem bom
caráter.”
Atriz iniciante, Débora estreou logo
numa novela das oito da Globo, no papel de Elisa,
uma prostituta de 16 anos. Tudo muito rápido
e cheio de deslumbre. “Não acreditei
que eu tinha crachá da Globo! No Projac,
tirei foto ao lado das plaquinhas do lugar.”
Na Bahia, nos 20 dias em que ficou entre Itacaré
e Porto Seguro – com bangalô particular
– gravando suas cenas, a atriz olhava
para os colegas ainda como tiete. “Vi
pela janela o Tony Ramos passando em direção
da praia”, conta. “Encontrei uma
musa, a Maria Fernanda Cândido, que me
cumprimentou e disse que eu era bonita. Meu
olho encheu d’água.”
Teve ainda uma conversa no hotel com Fábio
Assunção, regada a chope, de frente
para o mar. “Fábio me disse: ‘Por
mais que tenha sucesso, não deixe de
ser você. Se for convidada para uma festa
e tiver de ir só para fazer média,
não vá’”, conta ela.
Bonito, mas como foi relatar ao noivo Rodrigo
que ouviu o conselho entre um chope e outro
com Fábio Assunção? “Como
ele é?”, perguntou o noivo, segundo
Débora. “Amor, ele tem namorada.
Não rola nada. Ele já sabe de
você, Rodrigo!”
Débora, que agora faz aula de flauta
três vezes por semana, tentou apresentar
o noivo ao galã, na festa de estréia
da novela, o que foi impossível devido
ao assédio. Uma pena, porque Rodrigo
viu de longe que Fábio é cabra-bom
e não ia se meter justamente com uma
filha de delegado prestes a subir no altar. |