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“Tem dias que falo: ‘De novo só de calça? Não precisava’. Mas não posso dizer que não vou fazer’’ Marcos Pasquim, sobre seu personagem “descamisado
em Pé na Jaca
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Carreira
O rei das sete sonha com o horário nobre

Estrela de Pé na Jaca e de outras novelas das 19h, Marcos Pasquim conta que pediu à Globo para atuar numa trama das oito e diz que errou mas não se arrepende do beijo que deu numa figurante e que resultou no fim de seu casamento
texto Carla Felicia - fotos george magaraia
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Aos 37 anos, o galã pinta a barba e o cabelo para parece
mais jovem em Pé na Jaca
Ele se auto-intitula o rei da novela das sete. E não é para menos. Seis das sete novelas que Marcos Pasquim fez na Globo foram exibidas nesse horário, incluindo a atual, Pé na Jaca – a exceção, Estrela-Guia, foi ao ar às seis. Aos 37 anos, 15 de carreira, o ator não esconde uma ponta de decepção ao rever seu currículo: gostaria de ter ali uma trama das oito. Chegou a pedir à direção da emissora carioca a chance de ser alçado ao horário nobre. Não conseguiu, ainda. “Não faço a menor idéia do porquê. Vai ver eles não me acham com cara de ator da novela das oito”, diz, em tom de brincadeira. “Talvez seja porque o (Carlos) Lombardi, que faz novela das sete, me reserva um tempo antes e aí não sobra para ninguém.”

O autor discorda da hipótese de Pasquim, mas também não sabe dizer o motivo. “Uma vez reservei-o para um trabalho e soube que ele também estava reservado para uma trama das oito. Como o papel lá era muito coadjuvante e na minha era protagonista, não houve nem discussão”, diz Lombardi. “Gosto de trabalhar com Pasquim. Ele lê bem meu texto, cumpre horários, consegue fazer melodrama e comédia. Portanto, cabe como uma luva.” Há seis anos, o autor aposta nele para papéis de destaque, sempre com perfil parecido: o mocinho sem camisa que se dá bem com as mulheres. “Sou o cara da vez. Primeiro era o Mário Gomes, depois o Humberto Martins. Agora sou eu”, afirma o ator. “Tem dias que falo: ‘De novo só de calça? Não precisava’. Mas não posso dizer que não vou fazer.”

Pasquim está feliz, mas nutre o desejo de tentar papéis diferentes. “Gostaria de mudar essa coisa do garanhão. Acabam me vendo dessa forma”, diz ele, com a barba e os cabelos pintados para parecer mais jovem na novela. O ator assegura que é tímido na vida afetiva, tem dificuldade de se aproximar das mulheres e nem sempre conquista quem quer: “Sou na minha, só vou quando tenho certeza de que pode acontecer. Vai ver sou inseguro”. Atualmente, seu poder de sedução não tem sido colocado à prova. Depois de ter sido fotografado beijando uma figurante da Globo, há um ano, num episódio que resultou no fim de seu casamento com a empresária Fabiana Kherlakian, mãe de sua filha Allicia, de três anos, ele diz que se trancou em casa. “Essa pancada me enclausurou. Estou muito, muito quieto.”

O ator admite que errou, mas explica que foi um episódio sem importância. “Isso já aconteceu com todo mundo, dar um beijo numa pessoa. Estar tendo um caso é outra coisa completamente diferente. E não era o caso.” Para ele, lealdade é mais importante que fidelidade. Mas o que seria ser leal? “Quero estar sempre com a pessoa, independente do que aconteça. E se ela me trair ou eu traí-la, vamos conversar. Essa é minha idéia de lealdade.”

Diria que foi leal? Conversou com sua ex- mulher?
Diria que sim. Eu falei, antes... mas não quero falar a respeito disso.
Tentou continuar?
Casado? Não.
Ainda gostava dela?
Não quero falar disso.
Teria agido diferente se fosse ao contrário?
Claro que ficaria chateado mas, se me falasse, conversaria. Esquecer, não esquece, mas perdoar a gente perdoa.
Arrepende-se do que fez?
Não. Não me arrependo de nada. Me arrependo das coisas que não fiz, não das coisas que fiz. Se fiz errado, a gente aprende com os erros.

Solteiro no Rio, Pasquim pretende continuar morando sozinho, mas dá a entender que não deve ficar só por muito tempo: “Brinco que vou me isolar no Tibete, mas não dá. Gosto bastante da presença feminina ao meu lado”.