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“As pessoas se surpreendem quando me conhecem. Falam: ‘Nossa, imaginava que você fosse negão’”, diz o rapper
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Música
Os causos do rap

Formado em administração, o rapper Cabal namora uma modelo e fala de sua parceria com Chitãozinho e Xororó, que rendeu
um Grammy
texto Jonas Furtado - foto piti reali
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Ele já ganhou um Grammy Latino com a dupla Chitãozinho e Xororó, pela música “Vida Marvada”, em 2006, e foi artista revelação do Prêmio Multishow no ano anterior, graças ao estrondoso sucesso da música “Senhorita” – feita em parceria com Dj Hum. Um daqueles casos em que a voz é mais conhecida do que o dono dela, o rapper Cabal ainda consegue passar despercebido em público. Pudera: branco, de família classe média e formado em administração de empresas, seu perfil é completamente diferente dos grupos e rappers bem-sucedidos no Brasil. “As pessoas se surpreendem quando me conhecem. Falam: ‘Nossa, imaginava que você fosse negão, achava que Cabal era um nome africano’”, diverte-se o paulistano Daniel Korn, de 26 anos, que ganhou o apelido de um jogo de vi-deogame.

Cabal conheceu a cultura hip hop ainda criança, aos 8 anos, nas ruas de Nova York, onde morou por dois anos com a mãe, a arquiteta e produtora Priscila Pfromm – falecida há um ano. Antes de se dedicar exclusivamente à música, o rapper terminou o colegial nos Estados Unidos, desta vez em Washington, voltou para o Brasil e foi vendedor de consórcios de automóveis e estagiário do Citibank. “Comecei a fazer shows, dormir tarde e perdia a hora do trabalho”, lembra. O ultimato do gerente do banco não demorou: a música ou o emprego. Apoiado pela família, Cabal escolheu as rimas.

Namorado da modelo gaúcha Ives Kolling, 22, há cinco meses, Cabal quer popularizar o hip hop com sucessos de massa. Para isso, aposta em mensagens positivas. “Não é todo mundo que quer escutar algo como “minha mãe está chorando’ ou ‘vou assaltar um banco’, diz. Conta, ainda, com parcerias inusitadas. O cantor Xororó, sempre que quer brincar com o rapper, diz: “É nóis na fita, mano!”.

Cabal afirma que nasceu uma amizade sincera entre ele e Xororó e vê uma essência parecida entre rap e música sertaneja. “A música sertaneja começou com a moda de viola, o cara do interior contando os ‘causos’ dele. O rap também é um pouco isso, um cara contando o cotidiano dele na cidade, na periferia.”