Diversão & arte - Teatro  
Drama
O Relato Íntimo de Madame Shakespeare
Talentos de Selma Egrei e Maria Manoela valorizam texto
que se alonga
Fernando Oliveira
Divulgação
Selma Egrei (à esq.) e Maria Manoela vivem a mesma personagem em tempos diferentes
Quando entrou em cartaz em São Paulo, O Relato Íntimo de Madame Shakespeare chamou a atenção por marcar a volta de Norma Bengell ao teatro. No entanto, para surpresa geral, a atriz, longe dos palcos desde 1984, não conseguiu decorar todo o texto da peça baseada no livro homônimo de Robert Nye e dirigida por Emílio Di Biasi, e mal pôde completar as primeiras apresentações. Tristeza para seus fãs, e alegria para os amantes do bom teatro. Sua substituta, a ótima Selma Egrei, domina com maestria o papel da esposa de Shakespeare, Anne Hathaway. Com total controle de sua interpretação, Selma aposta num viés minimalista para viver a velha viúva e estabelece um excelente jogo com a jovem Maria Manoela.

Ambas interpretam a mesma personagem em tempos diferentes, o que não impede que coexistam e contem a mesma história, ora sob a ótica otimista da juventude, ora sob o rancor da velhice. Embora conte com ótimas atrizes, o espetáculo só deslancha na metade final de sua hora e cinqüenta de duração. Mais baseada na declamação do que no jogo cênico, a peça ganha fôlego quando a vida sexual do escritor inglês entra em foco, já em seu clímax. O texto é delicioso, mas, se fosse enxugado, surtiria melhor efeito. Felizes madames

CCBB - r. Álvares Penteado, 112, São Paulo,
tel. (11) 3113-3651. Até 13/5.