Entrevista  
‘‘Estava com dificuldade de me concentrar e, de repente, deu o estalo: “A maconha só atrapalha”. Parei de fumar em 2003. Sinto
falta quando alguém está
fumando do meu lado’’
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CONTINUAÇÃO

Entre Lula e Serra

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Soninha Francine
‘‘Política dá depressão’’
continuação

Quanto tempo durou?
No ano passado, tirei licença para ir trabalhar na Copa. Tocava o gabinete de lá, mas tomei um cacete pela internet: “Aí, passeando na Europa com dinheiro público”. Mas estava lá sem salário. Aí, escutava: “Tem mensalão, para que salário?” Voltei querendo mandar tudo à merda! Na campanha para deputada federal, a deprê batia. Queria sentar no chão e chorar. Então o Lula ganhou. Por mais que tenha uma centena de críticas, protestos em relação ao governo federal, entre Lula e Alckmin, sou Lula, sem fanatismo. Voltei a freqüentar o centro budista, a fazer retiros de fim de semana. Caprichava na meditação em casa e a homeopatia foi fazendo efeito.

Está curada?
Estou bem melhor. Não tenho picos de depressão, nem irritação e ansiedade. Política dá depressão! Mas pra mim é quase um sinal
de um político decente, sabia?

Conseguiu recuperar seu marido?
Ele está ajudando a construir o templo, trabalhando de pedreiro, há cinco meses. Perdi meu dono de casa, a chance de acordar às 8h. Agora acordo às 6h30, levo a Júlia na escola, cuido da administração
da casa. Antes, eu abria o armário e as coisas estavam lá porque o Marcelo tinha se encarregado. Outro dia peguei minhas duas filhas e, como ainda é novidade, fui passear no supermercado!

Com que freqüência vê o marido?
Duas, três vezes por mês. Ele vem ver a Júlia também. São vidas cada vez mais separadas. Marcelo odeia o que faço: política. O sonho dele é ir para o mato, plantar verdura orgânica.

Você perdeu o marido?
Ao que tudo indica, perdi o marido. Mas não largaria a política por causa do relacionamento. A gente passou de uma união instável para uma separação estável. Ele sente falta da Júlia e do que a gente fazia junto antes, mas não de mim como sou agora.

Como encarou esse baque?
O período foi tão sofrido que, agora, “tô na boa”, lidando com a possibilidade concreta de separação. O que não dava era ficar como estávamos. A Júlia percebeu a instabilidade toda, sabe que o Marcelo foi para Cotia porque não me agüentava mais.

A Júlia está curada da leucemia?
Desde março de 2006 está livre da quimioterapia, mas não dos controles periódicos. Vida normal, a não ser pelo cateter implantado debaixo da pele, para receber medicação sem furar a veia toda hora.
Ela deve tirá-lo já, já.

Como deixou de fumar maconha?
Meditar é um esforço para mim. Em retiro, meditar 8 horas por dia
por 30 dias é um suplício. Tinha dificuldade de me concentrar e, de repente, deu o estalo: “A maconha só atrapalha”. Parei de fumar em 2003. Sinto falta quando alguém fuma do meu lado. Prometi que não
iria fumar mais. Renúncia!

Livrou-se da alcunha de maconheira?
Não. Mas nunca fui tão agredida e ofendida por fumar maconha como sou por ser petista. Uma vez, num evento em Campos do Jordão, a
(ex-jogadora de basquete) Hortência me disse: “Se você é do PT, eu
não confio em você”. Foi desagradável, agressivo. Chorei de raiva.

Vai haver um figurino Soninha no Saia Justa?
Não ligo de usar roupa de mulher, mas tem coisas com as quais não me sinto bem. Tenho um pé gigantesco e calça boca fina ressalta minha lancha! Ano passado houve uma mudança: passei a me depilar. Então, está fácil usar minissaia num programa de tevê. A gente vai ficando velha e meio besta. A vida toda não me depilei, e 40 anos depois me peguei inibida de usar saia sem me depilar. Mas unha, cutícula, nunca fiz. Corto a unha no dente.