Quanto tempo
durou?
No ano passado, tirei licença para
ir trabalhar na Copa. Tocava o gabinete de lá, mas
tomei um cacete pela internet: “Aí, passeando
na Europa com dinheiro público”. Mas estava lá
sem salário. Aí, escutava: “Tem mensalão,
para que salário?” Voltei querendo mandar tudo
à merda! Na campanha para deputada federal, a deprê
batia. Queria sentar no chão e chorar. Então
o Lula ganhou. Por mais que tenha uma centena de críticas,
protestos em relação ao governo federal, entre
Lula e Alckmin, sou Lula, sem fanatismo. Voltei a freqüentar
o centro budista, a fazer retiros de fim de semana. Caprichava
na meditação em casa e a homeopatia foi fazendo
efeito.
Está curada?
Estou bem melhor. Não tenho picos
de depressão, nem irritação e ansiedade.
Política dá depressão! Mas pra mim é
quase um sinal
de um político decente, sabia?
Conseguiu recuperar seu marido?
Ele está ajudando a construir o templo,
trabalhando de pedreiro, há cinco meses. Perdi meu
dono de casa, a chance de acordar às 8h. Agora acordo
às 6h30, levo a Júlia na escola, cuido da administração
da casa. Antes, eu abria o armário e as coisas estavam
lá porque o Marcelo tinha se encarregado. Outro dia
peguei minhas duas filhas e, como ainda é novidade,
fui passear no supermercado!
Com que freqüência
vê o marido?
Duas, três vezes por mês. Ele
vem ver a Júlia também. São vidas cada
vez mais separadas. Marcelo odeia o que faço: política.
O sonho dele é ir para o mato, plantar verdura orgânica.
Você perdeu o marido?
Ao que tudo indica, perdi o marido. Mas
não largaria a política por causa do relacionamento.
A gente passou de uma união instável para uma
separação estável. Ele sente falta da
Júlia e do que a gente fazia junto antes, mas não
de mim como sou agora.
Como encarou esse baque?
O período
foi tão sofrido que, agora, “tô na boa”,
lidando com a possibilidade concreta de separação.
O que não dava era ficar como estávamos. A Júlia
percebeu a instabilidade toda, sabe que o Marcelo foi para
Cotia porque não me agüentava mais.
A Júlia está curada
da leucemia?
Desde março de 2006 está livre
da quimioterapia, mas não dos controles periódicos.
Vida normal, a não ser pelo cateter implantado debaixo
da pele, para receber medicação sem furar a
veia toda hora.
Ela deve tirá-lo já, já.
Como deixou de fumar maconha?
Meditar é
um esforço para mim. Em retiro, meditar 8 horas por
dia
por 30 dias é um suplício. Tinha dificuldade
de me concentrar e, de repente, deu o estalo: “A maconha
só atrapalha”. Parei de fumar em 2003. Sinto
falta quando alguém fuma do meu lado. Prometi que não
iria fumar mais. Renúncia!
Livrou-se da alcunha de maconheira?
Não. Mas nunca fui tão agredida
e ofendida por fumar maconha como sou por ser petista. Uma
vez, num evento em Campos do Jordão, a
(ex-jogadora de basquete) Hortência me disse:
“Se você é do PT, eu
não confio em você”. Foi desagradável,
agressivo. Chorei de raiva.
Vai haver um figurino Soninha
no Saia Justa?
Não ligo de usar roupa de mulher,
mas tem coisas com as quais não me sinto bem. Tenho
um pé gigantesco e calça boca fina ressalta
minha lancha! Ano passado houve uma mudança: passei
a me depilar. Então, está fácil usar
minissaia num programa de tevê. A gente vai ficando
velha e meio besta. A vida toda não me depilei, e 40
anos depois me peguei inibida de usar saia sem me depilar.
Mas unha, cutícula, nunca fiz. Corto a unha no dente.
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