Desde fevereiro, Soninha Francine é a nova
estrela do programa Saia Justa, do canal GNT,
em substituição à cantora Ana Carolina.
Ninguém melhor do que ela para dividir a telinha
e as opiniões com quatro belas e feras como as
atrizes Maitê Proença e Betty Lago, a filósofa
Márcia Tiburi e a jornalista Mônica Waldvogel.
Linda e polêmica, Soninha tem história:
é vereadora do PT por São Paulo, apresentadora
e comentarista de futebol da ESPN-Brasil e presidente
do Instituto Gol Brasil. E, aos 39 anos, está
mais feminina do que nunca. “Passei a me depilar”,
conta. Soninha mostra que a revolução
em sua vida vai além de usar minissaia num programa
de tevê. Sua filha Júlia, de nove anos,
teve leucemia. Seu marido Marcelo Terra Saula foi morar
num mosteiro budista. Mesmo sem fumar há três
anos, ela ainda enfrenta a pecha de maconheira. E apanha
dentro e fora do PT.
Como é ser vereadora?
Ninguém imagina o inferno: lidar com desonestidade,
corrupção, com idéias diferentes
das suas. O problema é descobrir a dificuldade
de trabalhar por motivos como os costumes da Casa. Nenhum
projeto
vai a voto sem acordo.
Quantos projetos fez?
Uns 20. Alguns foram sancionados.
A primeira satisfação que tive foi quando
o (José) Serra (então prefeito
de São Paulo) anunciou que
faria cinco novos CEUs (Centro Educacional Unificado),
uma marca
da administração anterior (Marta Suplicy,
do PT). Ele havia feito campanha criticando o CEU.
Me empenhei em convencê-lo do
contrário. E marquei um gol.
Como fez isso?
Encontrei o Serra no camarote da prefeitura
do Carnaval de 2005. Palmeirense como eu, ele viu a
Júlia e perguntou se ela estava bem. Tomei coragem
e disse que queria marcar uma conversa informal. Ele
falou: “Mas você escuta? Ou só fala?”.
Disse que era capaz de escutar. E ele: “Topo”.
Na quinta ele ligou. Combinamos um jantar num restaurante.
Foi bizarra a situação: eu fiz campanha
contra ele!
Se ele e Lula disputassem
a Presidência, em quem você votaria?
Difícil a decisão. Eu
ficaria aflita com a dúvida. O Serra pessoalmente
teria uma postura de confronto, uma posição
mais à esquerda em
relação à política econômica
do que a que a gente tem hoje. Serra é
um bom político. Um cara com décadas de
vida pública que se dispõe
a sentar com uma vereadora com seis semanas de mandato
e diz
“você tem razão” para várias
coisas. Me surpreendeu a capacidade
dele de ceder. Eu tinha rejeição absoluta
e nunca votei no Serra. Mas, dependendo da alternativa,
eu votaria.
Sua idoneidade foi testada?
Sim, mas nada gritante. Ninguém
me ofereceu dinheiro para votar
contra ou a favor.
Percebeu preconceito?
Sim. Por
ser da televisão, fui incluída na lista
das celebridades, de
gente que nunca foi da política. Sempre tive
uma vida engajada. Hoje percebo uma reação
por meu jeito anticonvencional.
Como assim?
Desde a maneira de me vestir, portar
e posicionar. Vou de jeans, camiseta e tênis.
E isso é uma posição política.
Só eu não uso saia, terninho ou tailleur.
Eles me classificam de independente, não chegam
a dizer rebelde. É um elogio. Me recuso a votar
com a oposição se acho que o (Gilberto)
Kassab (prefeito de São Paulo) tem razão.
Pelo meu voto contrário, a oposição
já perdeu uma batalha com o governo.
Qual seu futuro na política?
Meu sonho é ser prefeita. Adoraria
seguir trabalhando com política pública
no poder público. Mas não sei se disputo
outro cargo eletivo.
Até ganharia uma eleição, porque
sou artista. Mas não conseguiria ser candidata,
porque sou independente (risos).
Mesmo assim, saiu candidata
a deputada federal pouco tempo depois de eleita vereadora.
Foi um massacre, sofri muito. Fiquei
estressada, perturbada. No PT não tenho vida
fácil, porque sou chata, contestadora. Fora do
partido, apanho como se fosse tropa de choque do governo.
“Ah, você é petista, mensaleira”.
Eu não tenho cabana, refúgio.
Como isso se refletiu
na sua vida?
Meu marido foi morar em Cotia (SP),
no templo budista. Tudo o que eu já tinha melhorado
com treinamento budista, desandou. Briguei com as pessoas
no meu gabinete. Não tinha paciência, gritava.
Passei a ser insuportável. Fiquei muito desequilibrada,
chorava. Tive labirintite, enxaqueca, tontura. Era uma
depressão brutal.
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