Entrevista  
“Ao que tudo indica, perdi o marido. Mas não largaria a política por causa do relacionamento. A gente passou de uma união instável
para uma separação estável”,
diz Soninha
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CONTINUAÇÃO

A separação
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Soninha Francine
‘‘Política dá depressão ’’
Nova estrela do Saia Justa, a comentarista esportiva
e vereadora pelo PT revela admiração por José Serra
e diz que foi mais ofendida por ser petista do que
quando assumiu que fumava maconha
texto: Rodrigo Cardoso
fotos: piti reali

Desde fevereiro, Soninha Francine é a nova estrela do programa Saia Justa, do canal GNT, em substituição à cantora Ana Carolina. Ninguém melhor do que ela para dividir a telinha e as opiniões com quatro belas e feras como as atrizes Maitê Proença e Betty Lago, a filósofa Márcia Tiburi e a jornalista Mônica Waldvogel. Linda e polêmica, Soninha tem história: é vereadora do PT por São Paulo, apresentadora e comentarista de futebol da ESPN-Brasil e presidente do Instituto Gol Brasil. E, aos 39 anos, está mais feminina do que nunca. “Passei a me depilar”, conta. Soninha mostra que a revolução em sua vida vai além de usar minissaia num programa de tevê. Sua filha Júlia, de nove anos, teve leucemia. Seu marido Marcelo Terra Saula foi morar num mosteiro budista. Mesmo sem fumar há três anos, ela ainda enfrenta a pecha de maconheira. E apanha dentro e fora do PT.

Como é ser vereadora?
Ninguém imagina o inferno: lidar com desonestidade, corrupção, com idéias diferentes das suas. O problema é descobrir a dificuldade de trabalhar por motivos como os costumes da Casa. Nenhum projeto
vai a voto sem acordo.

Quantos projetos fez?
Uns 20. Alguns foram sancionados. A primeira satisfação que tive foi quando o (José) Serra (então prefeito de São Paulo) anunciou que
faria cinco novos CEUs (Centro Educacional Unificado), uma marca
da administração anterior (Marta Suplicy, do PT). Ele havia feito campanha criticando o CEU. Me empenhei em convencê-lo do
contrário. E marquei um gol.

Como fez isso?
Encontrei o Serra no camarote da prefeitura do Carnaval de 2005. Palmeirense como eu, ele viu a Júlia e perguntou se ela estava bem. Tomei coragem e disse que queria marcar uma conversa informal. Ele falou: “Mas você escuta? Ou só fala?”. Disse que era capaz de escutar. E ele: “Topo”. Na quinta ele ligou. Combinamos um jantar num restaurante. Foi bizarra a situação: eu fiz campanha contra ele!

Se ele e Lula disputassem a Presidência, em quem você votaria?
Difícil a decisão. Eu ficaria aflita com a dúvida. O Serra pessoalmente
teria uma postura de confronto, uma posição mais à esquerda em
relação à política econômica do que a que a gente tem hoje. Serra é
um bom político. Um cara com décadas de vida pública que se dispõe
a sentar com uma vereadora com seis semanas de mandato e diz
“você tem razão” para várias coisas. Me surpreendeu a capacidade
dele de ceder. Eu tinha rejeição absoluta e nunca votei no Serra. Mas, dependendo da alternativa, eu votaria.

Sua idoneidade foi testada?
Sim, mas nada gritante. Ninguém me ofereceu dinheiro para votar
contra ou a favor.

Percebeu preconceito?
Sim. Por ser da televisão, fui incluída na lista das celebridades, de
gente que nunca foi da política. Sempre tive uma vida engajada. Hoje percebo uma reação por meu jeito anticonvencional.

Como assim?
Desde a maneira de me vestir, portar e posicionar. Vou de jeans, camiseta e tênis. E isso é uma posição política. Só eu não uso saia, terninho ou tailleur. Eles me classificam de independente, não chegam a dizer rebelde. É um elogio. Me recuso a votar com a oposição se acho que o (Gilberto) Kassab (prefeito de São Paulo) tem razão. Pelo meu voto contrário, a oposição já perdeu uma batalha com o governo.

Qual seu futuro na política?
Meu sonho é ser prefeita. Adoraria seguir trabalhando com política pública no poder público. Mas não sei se disputo outro cargo eletivo.
Até ganharia uma eleição, porque sou artista. Mas não conseguiria ser candidata, porque sou independente (risos).

Mesmo assim, saiu candidata a deputada federal pouco tempo depois de eleita vereadora.
Foi um massacre, sofri muito. Fiquei estressada, perturbada. No PT não tenho vida fácil, porque sou chata, contestadora. Fora do partido, apanho como se fosse tropa de choque do governo. “Ah, você é petista, mensaleira”. Eu não tenho cabana, refúgio.

Como isso se refletiu na sua vida?
Meu marido foi morar em Cotia (SP), no templo budista. Tudo o que eu já tinha melhorado com treinamento budista, desandou. Briguei com as pessoas no meu gabinete. Não tinha paciência, gritava. Passei a ser insuportável. Fiquei muito desequilibrada, chorava. Tive labirintite, enxaqueca, tontura. Era uma depressão brutal.