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Esporte
A dama do squash

Quinze vezes campeã brasileira de squash, Karen Redfern, 43 anos, sonha com a medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos do Rio e conta que não abre mão de ser uma supermãe para os dois filhos
texto Jonas Furtado
foto piti reali
Ela fica nervosa quando a família assiste aos jogos. “Quero jogar melhor quando meus filhos estão na platéia. Imagina a mamãe fazer feio?”, diz Karen
Janeiro de 1995. Karen Redfern disputava a final de mais um campeonato de squash, em plena praia de Copacabana, Rio de Janeiro, numa arena especialmente montada para o Torneio Olímpico de Verão. Em um dos intervalos do jogo, ela olha para a platéia e vê os acenos desesperados do marido. “Manda as fraldas aí!”, gritava Fernando Suplicy Góes, 48 anos, consultor financeiro, com quem a jogadora é casada há 17 anos. As fraldas da filha Victoria, então um bebê e hoje uma adolescente de 12 anos, haviam ficado na raqueteira da mamãe-campeã – que, em meio às gargalhadas dos torcedores, jogou o pacote de fraldas para o marido.

Quinze vezes campeã brasileira, hexacampeã sul-americana e número 1 do ranking nacional, Karen já é dona de duas medalhas de bronze em Jogos Pan-americanos, conquistadas em Winnipeg, no Canadá, em 1999, e em Santo Domingo, na República Dominicana, em 2003. Seu currículo de títulos internacionais poderia ser ainda maior se ela, que também é mãe de Luís Fernando, 10 anos, não abdicasse de competições em países muito distantes. Tudo em prol da família. “Não quero perder o contato. Quero ver meus filhos crescerem, gosto de estar presente no dia-a-dia.”

E haja pique para agüentar a correria de segunda a sexta-feira. Karen treina todos os dias, às vezes em dois horários, e completa a preparação física com musculação e corrida, três vezes por semana. Formada em Administração de Empresas, também é promotora de eventos esportivos, treinadora e presidente da Federação Paulista de Squash. Nos intervalos entre todas as atividades, ela cumpre os afazeres maternos. “Levo meus filhos na escola, no tênis, no inglês”, conta. “Chego em casa à noite e termino de preparar o jantar. Frito um bife, faço um molho – enquanto fica pronto, checo meus e-mails no computador, corrijo a lição do filho...”, diverte-se.

Aos 43 anos, Karen encara com bom humor as brincadeiras em torno de sua idade e longevidade no esporte. “Uma vez me chamaram de ‘lenda viva’. Aí achei uma sacanagem”, diz, aos risos. “Na verdade, levo numa boa. Os mais jovens me chamam de tia. Eu aproveito e tiro um sarro também”, completa ela, que ainda não decidiu se pára ou continua a jogar depois do Pan-americano do Rio, em agosto. Na competição que pode ser a derradeira da uma carreira vitoriosa, a jogadora deverá contar com um incentivo especial na busca pela medalha de ouro. “Meu marido e meus filhos querem ir ao Pan, assistir aos meus jogos. Fico nervosa só de imaginar. Quero jogar melhor quando meus filhos estão na platéia. Imagina a mamãe fazer feio?”