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Carreira

Caio Blat, o galã-cabeça
O ator de 20 anos de idade faz sucesso na Rede Globo sem malhar em academia, escreve textos para teatro e se diz apaixonado por Preta Gil

Luís Edmundo Araújo e Vivianne Cohen

Leandro Pimentel
“Meu trabalho foi para o lado de ser inteligente para a minha idade. Não o que faz tremer”, diz Caio

Aos 8 anos, Caio Blat foi com a mãe assistir ao teste que as duas irmãs, Camila e Fernanda, fariam numa agência de publicidade de São Paulo. Quando as duas estavam preenchendo a ficha, uma funcionária da agência insistiu para que o irmão também se inscrevesse. Concorrendo com cerca de 500 crianças, Caio ganhou seu primeiro papel. Surgia ali, numa tarde de 1988, o ator que hoje, aos 20 anos, inaugurou um novo paradigma de galã global. Nada de corpo malhado e sorriso impecável. Com 1,70m de altura e sem nunca ter entrado numa academia de ginástica, o ator tem outra receita para o sucesso. “Meu trabalho foi para o lado de ser inteligente para a minha idade, avançado e galanteador. Não aquela presença que faz tremer.” Ele virou o queridinho das mulheres mais velhas ao contracenar com Regina Duarte na minissérie Chiquinha Gonzaga. Transformou-se no xodó das adolescentes na pele do bonzinho Thiago, de Andando Nas Nuvens, e mantém o sucesso como o Bruno de Esplendor, seu primeiro vilão na televisão. Não se enquadrar no padrão de beleza da maioria dos galãs tem lá suas vantagens para Caio. “As pessoas chegam em mim muito mais pelo meu trabalho”, diz. “Sou elogiado mais por pais de famílias e senhoras do que por meninas.”

O perfil de galã alternativo foi moldado desde a infância, quando o ator se dividia entre a escola, os comerciais e o teatro. Depois de estrear na televisão no seriado Mundo da Lua, da TV Cultura, contracenando com Antônio Fagundes e Gianfrancesco Guarnieri, Caio passou a ser convidado para atuar em peças de teatro e se transformou no mascote de atores do teatro paulista. Dos 8 aos 16, passava parte de seus dias no teatro ouvindo conselhos de Walderez de Barros e Irene Ravache. “Aprendi tudo com eles, sobre teatro, música e literatura.” As aulas o ajudaram a ganhar o papel em Chiquinha Gonzaga. Caio foi pedir o trabalho como qualquer iniciante, mas munido de um vasto material de pesquisa sobre Chiquinha. “Fui com gravações de músicas dela que o pessoal da novela não tinha. Foi um diferencial”, lembra.

ROMANCE POLICIAL A literatura é um caso de paixão antiga. Nada de anormal para quem aprendeu a ler com as avós professoras, antes de ir à escola. Depois de descobrir os romances policiais ingleses e devorar toda a coleção de Agatha Christie, o ator escreveu um romance policial, O Último Suspeito, aos 14 anos. Ganhou uma bolsa na escola e estudou todo o segundo grau de graça. Caio também escreveu um musical para o teatro, Ciranda das Sete Notas, e continua exercitando sua veia de escritor com poesias esporádicas e uma peça, toda em verso, que escreve quando quer, sem prazo para concluir.

O projeto que o ator já concluiu e vai estrear dia 11 de maio, no teatro Café Pequeno, no Rio, é a peça Macário, único texto para o teatro do poeta Álvares de Azevedo. Caio dirigiu a montagem em Salvador e Recife, em dezembro, além de atuar, produzir e adaptar o texto. No Rio, ele deixou a direção a cargo de Otávio Muller. Macário foi escrito por Azevedo em uma única noite de insônia, poucos dias antes de sua morte, em 1852. Ao acabar de gravar Andando nas Nuvens, o ator soube que teria menos de dois meses de férias até começar o trabalho de Esplendor. Não teve dúvidas. Não pagou a conta de telefone, trocou cachês em comerciais por patrocínio e montou a peça em tempo recorde.

Tanta dedicação tem motivo. Álvares de Azevedo é o poeta preferido de Caio. “Fui fazer direito na USP só porque ele e Castro Alves tinham estudado lá”, confessa. Na faculdade, o ator viveu experiências dignas do filme Sociedade dos Poetas Mortos. Todas as sextas-feiras, ele e um grupo de amigos acendiam tochas no túmulo de um antigo professor e promoviam leituras de poemas, regadas a muito vinho.

Paulistano com orgulho, Caio não esconde de ninguém que gosta de um tempo nublado e sente saudade da garoa de sua cidade natal. No Rio, gosta de ficar sozinho em casa, quando não está com Preta Gil, 25, filha de Gilberto Gil. Depois de ser envolvido em boatos sobre um suposto relacionamento com a atriz Taís Fersoza, 16, seu par romântico em Esplendor, Caio assumiu o namoro com Preta, há dois meses. Para quem duvida da seriedade do romance, o ator dá o recado: “Acho a Preta linda. Tem meninas que me ligam pedindo para largar ela”.

Preta, que é sócia do namorado na produção de Macário, devolve: “Ele é surpreendente. Apesar da pouca idade, sabe o que quer. Como diretor, compensa a pouca prática com muita intuição. Ele é perfeito e muito fofo”. É o primeiro namoro assumido do ator após o romance com Mariana Ximenes, 19. Os dois iniciaram as gravações de Andando nas Nuvens ainda como namorados, mas terminaram durante a novela. Nada, porém, que abalasse a amizade dos dois. “Conheci a Mariana trabalhando em São Paulo. Fizemos uns cinco comerciais de casal e começamos a namorar”, diz Caio. Mesmo após o fim do namoro, ele não teve problemas com as tórridas cenas da novela. “Beijei ela minha vida inteira. Beijar como amigo não teve o menor problema”, diz.

 


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