Reportagens  
“Era muita exposição. Eu só mostrava o bumbum, na verdade. Um bumbum pequeniníssimo que tenho! E não rebolava, porque não sabia’’ Marina Filizola, sobre a época em que foi a Internética do extinto programa Superpositivo, na Band
Como trapezista, ela recebia R$ 600 por apresentação: ganhou uma fratura no nariz em seis lugares por conta de um mortal mal executado
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Revelação
Marina Filizola no picadeiro da tevê

Ex-trapezista, a atriz faz uma dançarina de cabaré em Amazônia, diz que corta os próprios cabelos desde a infância e conta como se reaproximou do pai depois de anos de afastamento
texto Rodrigo Cardoso
fotos edu lopes
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“Comecei a fazer as unhas há só um ano”, diz a atriz de 25 anos
Com um saltão nos pés, minivestido e unhas vermelhas, a atriz Marina Filizola despontou no Museu de Arte Moderna, em São Paulo – local que abrigou a festa de lançamento da minissérie Amazônia, da Globo. Estava “mega-sexy”, como diz. Era o retrato de uma mulher mais madura que, aos 25 anos, aprendeu a usar as pernas compridas – “um charme, show de bola”, na definição da própria –, as costas largas, mas que ainda cultua hábitos pueris. “Meu cabelo sou eu quem corto, desde criança. Faço na frente do espelho com minha tesourinha profissional. Depois minha mãe acerta atrás”, conta Marina, que interpreta a dançarina de cabaré Zulmira na minissérie.

A atriz assume ser desleixada, apesar de freqüentar um salão de beleza uma vez por semana para cuidar da mão, do pé e hidratar os cabelos. “Comecei a fazer as unhas há só um ano”, afirma. Em parte, culpa do handebol e do circo, as atividades de Marina antes de seguir carreira de atriz. “Com o circo, fazer unha era lenda.” No picadeiro, Marina testava seu limite voando no trapézio aéreo. Treinava quatro horas por dia, apresentava-se em festas, em formaturas – certa vez, foi uma das atrações do circo do ator Marcos Frota, em Brasília –, em troca de R$ 600. Também ganhou uma fratura no nariz em seis lugares em decorrência de um mortal mal executado. “Eu me jogo mesmo!”

Esse espírito de aventura rendeu a Marina inúmeras campanhas publicitárias que exigiam ousadia, como pular de uma sacada para outra. Detalhe: o prédio tinha 38 andares. Atualmente, ela faz a campanha mundial da Gatorade e gravou cenas de maratona debaixo d’água, a três metros de profundidade.

Paralelamente às aventuras circenses, Marina estuda interpretação e desde os 18 anos fazia pelo menos dois testes por ano na Globo. A primeira oportunidade na tevê, porém, veio aos 18 anos na Band, onde ela viveu a personagem Internética do programa Superpositivo, de Otaviano Costa.

O trabalho, que durou dois anos e exigia que ela ficasse duas horas por dia numa casa-cenário se comunicando apenas por e-mail, foi “ótimo financeiramente”. Rendeu-lhe um carro e um apartamento, o mesmo onde ela hoje mora sozinha. “Era muita exposição, mas eu só mostrava o bumbum, na verdade. Um bumbum pequeniníssimo que tenho! E não rebolava porque não sabia. Ficava deitada, lendo um livro.”

Por isso, a minissérie Amazônia pode ser considerada sua verdadeira estréia. E logo na primeira cena tinha um take com Vera Fischer. “Fiquei ansiosa, tensa para que alguém me desse alguma direção sobre o rumo da personagem”, conta Marina. “A Vera é a fotógrafa da turma. Faz fotos de tudo e todos, depois amplia e dá para as pessoas. Ela ainda pinta, é a mais animada de todos, agitada, parece uma pulga de um lado para outro.”

Filha caçula de pais separados, afetivamente Marina amadureceu também, desde que passou a morar sozinha, aos 19. Aprendeu a lidar, principalmente, com seu pai, de quem havia se afastado. “Meu pai é engenheiro, quadrado, super pólo Ralph Lauren, só come camarão”, diz. “Minha mãe é como eu, alternativa, budista, mexe com alimentação indiana, está se formando em ioga.”

Os pais da atriz se separam quando ela tinha cinco anos. “Com 12, 13 anos, a Marina escapou um pouco de mim”, conta o pai, José Luís Pessoa Azevedo. “Foi um erro de estratégia meu trabalhar feito uma besta cúbica e deixar de lado um apoio maior aos meus filhos. Foi uma fase complicada, sentia muita falta da Marina.”

No fim de sua adolescência, porém, Marina foi resgatando esse pai perdido no tempo e, hoje, são amigos. “Vamos a restaurantes japonês, tomamos saquê a rodo e ficamos bêbados. Fui entender na marra, depois de anos, que ele não servia como marido da minha mãe, mas é um grande pai, amigo.”