Reportagens  
Com 56 kg e 1,76 m, Karina odeia ginástica, come picanha e credita
a boa forma à genética: “Quando lembro, faço drenagem linfática”
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Ensaio
Italiana made in Brazil

Depois de conquistar o título de Miss Itália no Mundo, em
2006, a brasileira de Botucatu, Karina Michelin, colhe os frutos da fama no Exterior, virou estrela na tevê de Silvio Berlusconi
e conta como ficou amiga de Ivana Trump e Mike Tyson
texto Juliana Bianchi
fotos murillo constantino
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Karina foi eleita miss, mesmo sendo mãe de um garoto de 7 anos: “Quando cheguei à final, fiz uma declaração de amor ao vivo para ele. Acho que isso me ajudou a ganhar a simpatia do público”
Ela está de férias no Brasil. A primeira desde que foi coroada Miss Itália no Mundo em julho de 2006. Filha de italianos do Vêneto, a brasileira de Botucatu, Karina Michelin, 27 anos, virou celebridade na Europa. “O Brasil não ganhou a Copa do Mundo, mas eu trouxe o título da Beleza”, compara ela. Graças à coroa de a mais bela descendente de italianos do mundo, Karina foi contratada pelo canal 7, de Silvio Berlusconi, para cantar, dançar e interpretar esquetes de teatro todas as noites, em rede nacional, no programa de variedades Markette. Ela ainda se assusta com o assédio. “Não posso caminhar na rua. Tenho uma peruca ruiva e uma coleção de chapéus para sair de casa”, diz a ex-modelo, que se divide entre Milão, onde trabalha, Roma e Miami. Nas duas últimas cidades, mantém casa para estar próxima ao marido, o empresário italiano Riccardo Olivieri, radicado nos Estados Unidos, com quem está casada há três anos.

A brasileira ainda tropeça na língua italiana. Já se confundiu no ar, chamando chapeuzinho vermelho (capellino rosso) de capuccino
rosso (referência à bebida). Ela consegue rir dos próprios erros e vai ajudar a equipe a montar um tape com “as melhores gafes da Karina”. Tira de letra também o fato de ter sido mãe muito jovem. Ricardinho,
7 anos, é fruto do seu primeiro casamento e vive com os avós no interior de São Paulo. “Não vejo problemas em morar longe do meu marido, até porque a gente vive se encontrando”, afirma Karina. “Mas sinto muita saudade do meu filho.” Ela respeitou o desejo do garoto de ficar no Brasil. “Não tenho vontade de ficar muito tempo preso em avião”, diz Ricardinho, que tem o nome tatuado no pé direito da mãe. “Mas pode ser também Ricardo, o grande”, cutuca o garoto, referindo-se ao padrasto.

O filho foi grande incentivador para que Karina participasse do concurso de miss. “Ele dizia que eu era sua rainha e que queria me ver com a coroa na cabeça. Quando cheguei à final, fiz uma declaração de amor ao vivo para ele. Acho que isso me ajudou a ganhar a simpatia do público”, relembra ela, que derrubou um tabu. Foi a primeira mãe a conquistar o título de Miss Itália no Mundo. “Ao invés de prejudicar minha carreira, a maternidade ajudou. Ganhei mais maturidade e formas sensuais”, afirma ela, que mantém, sem ajuda de dietas ou ginástica, os 56 kg bem distribuídos no corpo de 1,76 m. “Quando lembro, faço drenagem linfática”, garante ela, que ganhou elogios rasgados de Sophia Loren, com quem se encontrou em um dos inúmeros eventos sociais que freqüenta ao lado do marido.

Olivieri, um empresário da área de construção civil, abriu as portas do jet set internacional para Karina. Com seu jeito alegre e comunicativo, ela conquistou personalidades como Ivana Trump, Flavio Briatore, Natalie Cole e Roberto Cavalli, de quem seu marido é amigo de longa data. “No começo Ivana tinha ciúmes de mim, mas percebeu que era besteira. Hoje a gente passa férias juntas. Também já fiquei hospedada no castelo do século XIV, que Cavalli tem na Toscana”, conta. Karina conheceu ainda Bruce Willis, Puff Daddy e Mike Tyson nas festas do milionário Tony Murray, em Saint-Tropez, na Riviera Francesa, onde costuma passar o verão europeu. “Na vida real essas pessoas são diferentes do que a gente vê na tevê. Sentava para conversar com eles como com qualquer outra pessoa. A gente acaba se encontrando tantas vezes que vira uma coisa normal”, garante Karina, sem nenhum traço de deslumbre. Depois de ganhar fama na Europa, ela também quer ser reconhecida no Brasil. “Se na Itália, onde esperava fazer sucesso em cinco anos, aconteci em dois, quem sabe não consigo um programa de qualidade na televisão brasileira daqui a uns três anos”, sonha Karina, que cultiva as raízes verde-amarelas. Adora música sertaneja. É fã da dupla Bruno e Marrone e não abre mão do tradicional feijão com arroz em sua residência italiana. Pelo menos uma vez por semana, vai à churrascaria mais próxima para se fartar de picanha.

Agradecimentos: REFÚGIO CHEIRO DE MATO, ROSA CHÁ, ÁGUA DE COCO, CARMIN, TUTU FERREIRA e CLUBE CHOCOLATE. Produção: FRIDA ABRAÃO; Beleza: GIULIANO RESENDE