| Aquelas cenas na praia de Cádiz,
na Espanha, eles querem esquecer – e querem
que todos esqueçam também. Por
isso, a apresentadora Daniella Cicarelli e seu
namorado, Tato Malzoni, iniciaram, em setembro,
uma batalha legal contra os sites que divulgaram
o famigerado vídeo do casal. Na época,
conseguiram que as Organizações
Globo e o IG retirassem o filme do ar. A exceção
foi o YouTube, site de compartilhamento de vídeos
comprado recentemente pelo Google. Por descumprir
a ordem, estima-se que deva cerca de R$ 10 milhões.
Na terça-feira 2, o desembargador Ênio
Santarelli Zuliani, do Tribunal de Justiça
de São Paulo, determinou em liminar que
o YouTube barre o acesso ao link que traz o
vídeo aos internautas brasileiros. Na
interpretação do advogado do casal,
Rubens Tilkian, a decisão inédita
é mais abrangente: o site ficaria indisponível
para os brasileiros até que o link fosse
retirado.
A decisão do desembargador repercutiu
até no Exterior. O site no jornal The
New York Times – que se referiu à
Cicarelli como ex-mulher do jogador Ronaldo
– e a CNN divulgaram a notícia.
No despacho, que ainda será avaliado
no mérito, o juiz diz que o bloqueio
pode ser feito por meio da instalação
de filtros nos oito provedores nacionais. É
o mesmo sistema que o governo chinês usa
para censurar alguns sites. Logo após
a decisão, o vídeo não
podia ser encontrado no site do YouTube a partir
de uma pesquisa com o nome deles. Procurados,
Tato e Cicarelli não se manifestaram.
A probabilidade de a intenção
de Tato e Cicarelli morrer na praia, porém,
é grande. O advogado especialista em
crimes pela internet Renato Ópice Blum
acredita que a luta do casal, apesar de válida,
é inglória. “É difícil
combater o problema. De quem é a responsabilidade?
Do YouTube ou de quem coloca no ar o conteúdo
ilícito?”, diz ele. “O You
Tube está tirando o vídeo do ar
mas é uma luta inglória para eles
também porque o internauta é esperto
e coloca o vídeo de volta de outras maneiras,
com outro nome, remetendo a outros sites”,
completa. Na opinião dele, a saída
seria punir alguns desses internautas para inibir
a ação de outros.  |