Já
fez análise?
Fiz há 20 anos. Meus filhos eram
pequenos, eu e Pepeu havíamos nos separado e queria
saber qual a melhor colocação para cuidar da
cabeça de todos, não queria errar no relacionamento
com o Pepeu e com eles. Queria alguém de fora nos auxiliando
com base científica, numa estrutura em que não
houvesse sabotagem. A psicanálise me ajudou a colocar
limites. Um dos meus filhos, três anos depois da separação,
toda noite batia na porta do meu quarto e pedia para entrar.
Eu atendia
e ele conseguia as coisas pelo emocional. Um dia, fingi que
estava dormindo, morrendo de pena, quando ele bateu. No dia
seguinte, esse filho, com 8, 9 anos, me disse: “Essa
psicanálise está te fazendo muito mal”.
Ou seja, ele entregou que sabia o tempo todo o que estava
fazendo (risos). Mas um dia me dei alta. Eu conversava
com o analista
e ele não falava nada. Aquilo me dava uma agonia, porque
sabia que
ele estava esperando vir uma palavra-chave. Aí, ele
olhou o relógio e falou: “Semana que vem é
tal hora”. Aí, perto da porta eu falei: “Me
dá
um conselho, porra!”. Se ele não pode me dar
conselho quando eu
quero, tô de alta!
Se desse à luz um filho
hoje, que nome daria a ele?
Eu gostaria de ter mais dois filhos. Mas
não quero ter filhos por capricho. Se eu tivesse um
filho, se chamaria Emanuel, acho chiquérrimo e é
um dos nomes de Jesus. Não me arrependo dos nomes que
dei aos meus filhos (Zabelê, Sarah Sheeva, Nãna
Shara, Pedro Baby, Crishna Baby e Criptus Baby). Um ou
outro eu mudaria o nome. Uma já trocou. A ’Riroca
trocou para Sarah Sheeva. Eu percebi que ela, aos 15 anos,
estava se sentindo mal com o nome. Fui até ela, que
resistiu. Aí eu disse que eu também tinha trocado
de nome. Ela escolheu Sarah Sheeva.
Que nota daria ao seu desempenho
como mãe?
(Pensa bastante) Nota 5. Eu tinha
de fazer e tenho de fazer muito mais. Eu queria dar mais amor
a eles, em ações, apoio, estrutura. Eu quero
fortalecê-los muito, para, quando olharem para mim,
terem exemplos de fé, força, alegria, esperança,
perseverança. Eu nunca fui aquela mãe que fala:
“Faça o que eu digo, mas não faça
o que eu faço”. Desde que pari, aos 18, passei
a me preocupar com o ser humano, em como é crescer,
com o caráter. Eu posso ter defeitos, como ser perfeccionista
demais... Minhas filhas dizem: “Mamãe, você
às vezes é over demais!”. Falam
das roupas, aí mexo com elas: “Vocês também
não são não, né?”. Moro
com dois filhos homens. E não consigo fazer nenhuma
tarefa doméstica, porque os meninos cresceram, não
tem mais fralda, mamadeira. Fico tocando guitarra no estúdio.
Agora, eu estou adolescente. Tenho de aprender tudo o que
não aprendi: tocar guitarra (quero solar!), aprender
a mexer no computador. Antes, não dava tempo, bicho.
Tinha de assobiar, tocar flauta, mascar chiclete, cantar,
tudo ao mesmo tempo!
Adolescente também transa.
Há espaço na sua vida para um homem sob o mesmo
teto?
Faz sete anos que sublimei isso (homens).
Resolvi entrar firme na área espiritual e, se eu arrumasse
um casamento, atrapalharia. Pedi a Deus que, ou enviasse o
homem certo, do babado, da mesma onda que eu, ou preferiria
ficar com Deus e sozinha. Nesses sete anos, nunca apareceu
uma paixão. Três pessoas se apresentaram com
aquele sorriso do candidato! Tinham alguns requisitos, mas
não testificaram. Porque também o inimigo envia
– né, irmão? – pedra de tropeço
para desviar o caminho! Eu nunca tinha sido solteira. Fui
casada desde os 17 anos. Nesses sete anos, eu zerei, estou
longe da carne (sem sexo). Mas não que esteja
morta, no celibato. É uma escolha. E eu não
vou começar nenhum relacionamento pelo lado sexual.
Nem pensar! Nem beijo na boca, porque beijo na boca é
a maior sedução!
O que faz à noite?
A maioria das minhas noites passo acordada,
tocando guitarra, estudando a palavra, em vigília.
Ou em cima de montes, orando com galeras e violões.
Tem várias montanhas em São Paulo. Amo subir
montes. Você não tem noção do mistério
que é em cima do monte, de noite! Geralmente, a gente
acorda 4h da manhã, vai para o monte e vê aquele
amanhecer tremendo. Você pensa: “É muito
doido! Eu tô indo para o monte pra falar com Deus. É
muito punk!”. E é a minha cara!
Qual tonalidade ainda não
deu ao cabelo, mas gostaria de dar?
Ainda não fui loira com mechas lilás.
Gostaria também de misturar verde-limão com
esse violeta. Esteticamente, aos 54, sou feliz. Só
quero estar mais magra uns cinco quilos e ficar saradona!
Eu gosto de ter músculos. Eu já aumentei o seio,
tirei uma pelinha aqui do olho. Fisicamente, meu narizinho
é bonito, igual de criança. Mas o que é
mais lindo em mim é a coragem de ser verdadeira. |