Entrevista  
Claudio Gatti
‘‘Um ou outro (filho) eu mudaria o nome. Uma já trocou. A ’Riroca trocou para Sarah Sheeva. Percebi que ela, aos 15 anos, estava se sentindo mal com o nome’’
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CONTINUAÇÃO

A época do Rá

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Baby do Brasil
‘‘Há sete anos estou longe da carne’’
continuação

Já fez análise?
Fiz há 20 anos. Meus filhos eram pequenos, eu e Pepeu havíamos nos separado e queria saber qual a melhor colocação para cuidar da cabeça de todos, não queria errar no relacionamento com o Pepeu e com eles. Queria alguém de fora nos auxiliando com base científica, numa estrutura em que não houvesse sabotagem. A psicanálise me ajudou a colocar limites. Um dos meus filhos, três anos depois da separação, toda noite batia na porta do meu quarto e pedia para entrar. Eu atendia
e ele conseguia as coisas pelo emocional. Um dia, fingi que estava dormindo, morrendo de pena, quando ele bateu. No dia seguinte, esse filho, com 8, 9 anos, me disse: “Essa psicanálise está te fazendo muito mal”. Ou seja, ele entregou que sabia o tempo todo o que estava
fazendo (risos). Mas um dia me dei alta. Eu conversava com o analista
e ele não falava nada. Aquilo me dava uma agonia, porque sabia que
ele estava esperando vir uma palavra-chave. Aí, ele olhou o relógio e falou: “Semana que vem é tal hora”. Aí, perto da porta eu falei: “Me dá
um conselho, porra!”. Se ele não pode me dar conselho quando eu
quero, tô de alta!

Se desse à luz um filho hoje, que nome daria a ele?
Eu gostaria de ter mais dois filhos. Mas não quero ter filhos por capricho. Se eu tivesse um filho, se chamaria Emanuel, acho chiquérrimo e é um dos nomes de Jesus. Não me arrependo dos nomes que dei aos meus filhos (Zabelê, Sarah Sheeva, Nãna Shara, Pedro Baby, Crishna Baby e Criptus Baby). Um ou outro eu mudaria o nome. Uma já trocou. A ’Riroca trocou para Sarah Sheeva. Eu percebi que ela, aos 15 anos, estava se sentindo mal com o nome. Fui até ela, que resistiu. Aí eu disse que eu também tinha trocado de nome. Ela escolheu Sarah Sheeva.

Que nota daria ao seu desempenho como mãe?
(Pensa bastante) Nota 5. Eu tinha de fazer e tenho de fazer muito mais. Eu queria dar mais amor a eles, em ações, apoio, estrutura. Eu quero fortalecê-los muito, para, quando olharem para mim, terem exemplos de fé, força, alegria, esperança, perseverança. Eu nunca fui aquela mãe que fala: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Desde que pari, aos 18, passei a me preocupar com o ser humano, em como é crescer, com o caráter. Eu posso ter defeitos, como ser perfeccionista demais... Minhas filhas dizem: “Mamãe, você às vezes é over demais!”. Falam das roupas, aí mexo com elas: “Vocês também não são não, né?”. Moro com dois filhos homens. E não consigo fazer nenhuma tarefa doméstica, porque os meninos cresceram, não tem mais fralda, mamadeira. Fico tocando guitarra no estúdio. Agora, eu estou adolescente. Tenho de aprender tudo o que não aprendi: tocar guitarra (quero solar!), aprender a mexer no computador. Antes, não dava tempo, bicho. Tinha de assobiar, tocar flauta, mascar chiclete, cantar, tudo ao mesmo tempo!

Adolescente também transa. Há espaço na sua vida para um homem sob o mesmo teto?
Faz sete anos que sublimei isso (homens). Resolvi entrar firme na área espiritual e, se eu arrumasse um casamento, atrapalharia. Pedi a Deus que, ou enviasse o homem certo, do babado, da mesma onda que eu, ou preferiria ficar com Deus e sozinha. Nesses sete anos, nunca apareceu uma paixão. Três pessoas se apresentaram com aquele sorriso do candidato! Tinham alguns requisitos, mas não testificaram. Porque também o inimigo envia – né, irmão? – pedra de tropeço para desviar o caminho! Eu nunca tinha sido solteira. Fui casada desde os 17 anos. Nesses sete anos, eu zerei, estou longe da carne (sem sexo). Mas não que esteja morta, no celibato. É uma escolha. E eu não vou começar nenhum relacionamento pelo lado sexual. Nem pensar! Nem beijo na boca, porque beijo na boca é a maior sedução!

O que faz à noite?
A maioria das minhas noites passo acordada, tocando guitarra, estudando a palavra, em vigília. Ou em cima de montes, orando com galeras e violões. Tem várias montanhas em São Paulo. Amo subir montes. Você não tem noção do mistério que é em cima do monte, de noite! Geralmente, a gente acorda 4h da manhã, vai para o monte e vê aquele amanhecer tremendo. Você pensa: “É muito doido! Eu tô indo para o monte pra falar com Deus. É muito punk!”. E é a minha cara!

Qual tonalidade ainda não deu ao cabelo, mas gostaria de dar?
Ainda não fui loira com mechas lilás. Gostaria também de misturar verde-limão com esse violeta. Esteticamente, aos 54, sou feliz. Só quero estar mais magra uns cinco quilos e ficar saradona! Eu gosto de ter músculos. Eu já aumentei o seio, tirei uma pelinha aqui do olho. Fisicamente, meu narizinho é bonito, igual de criança. Mas o que é mais lindo em mim é a coragem de ser verdadeira.