Entrevista  
Claudio Gatti
“A maioria das minhas noites
passo acordada, tocando guitarra, estudando a palavra, em vigília.
Ou em cima de montes, orando
com galeras e violões”, diz Baby
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CONTINUAÇÃO

Sete anos sem sexo
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Baby do Brasil
‘‘Há sete anos estou longe da carne’’
A cantora prepara novo CD, volta a cantar músicas pop após
sete anos só de gospel, diz que sofreu preconceito quando se
tornou evangélica e conta por que não faz sexo há sete anos
texto: Rodrigo Cardoso
fotos: claudio gatti

Desde que se tornou “popstora” de sua igreja, o Ministério do Espírito Santo de Deus em Nome do Senhor Jesus Cristo, há sete anos, Bernardete Dinorah de Carvalho Cidade, a Baby do Brasil, não fala mais palavrão. Há espaço ainda para muita gíria em seu vocabulário, mas também para louvação a Deus. Um exemplo: “O lema da igreja é: não vai ter bunda mole no céu, só casca grossa...”. Gospel, como ela prefere ser chamada ao invés de evangélica, Baby não perdeu a mania de oncinha. “Tenho uma sala toda de oncinha. Cortina, sofá, relógio”, diz. Musicalmente, porém, só curtia canções religiosas. “Falou-se que minha entrada no gospel era marketing. O que fiz? Não fiz mais CD, parei! Porque não virei gospel para vender CD.” Mas Baby ensaia uma volta após sete anos só de músicas religiosas. No fim de 2006, ela subiu ao palco no Bourbon Street em São Paulo, para cantar pop e MPB. E em março, lança o primeiro CD de inéditas e regravações depois de Exclusivo para Deus, cinco anos atrás. Aos 54 anos, a ex-integrante dos Novos Baianos nascida em Niterói (RJ), está solteira e mora com dois dos seis filhos (com idades entre 22 e 34 anos) que teve com o músico e ex-marido Pepeu Gomes.

Por que a retomada depois de sete anos?
Desde o último ano começou a testificar no meu coração o fato de eu fazer um disco. Jejuei para saber se era algo para ser feito. É um papo muito doido, mas é minha verdade! Confesso que, se bobeasse, nunca mais iria cantar nada que não fosse gospel. Um dia, ouvi de uma gravadora: “Baby, você não acha que está tocando muito no assunto só de Deus?”. E eu, de um modo disfarçado e desbaratinado, sempre trouxe minha fé para as paradas. Por exemplo, nas minhas seis gestações, eu andava na bolsa com um barbantezinho cirúrgico usado para amarrar cordão umbilical. Eu pensava: “Se por acaso esse filho nascer em outro lugar, eu tenho de amarrar”.

Sentiu preconceito da classe artística depois de virar evangélica?
No início houve preconceito. Amigos íntimos deixaram de ligar, freqüentar. Sentiram uma revolta por achar que eu nunca mais poderia cantar, que eu ficaria só no louvor, botaria uma saia, usaria um cabelão, perderia minha graça e faria uma lavagem cerebral. É engraçado porque ninguém se comporta assim em relação ao candomblé, budismo ou espiritismo. Mas com o passar dos anos, alguns falavam: “Que bom que você não está naquilo”. E eu: “Aquilo o quê?” Aí, diziam: “Você ainda é cristã? Mas pode, com essa roupa, com esse jeito?”

Como foi o último contato com o paranormal Thomaz Green Morton, que por muito tempo foi seu guru espiritual?
Nunca tive guru. Thomaz foi meu amigo. Sete anos atrás, liguei pra ele e disse: “Thomaz, acabei de vir da sala do trono do Pai. Eu tenho um recado pra você”. Ele falou: “Vindo de você eu acredito”. A ligação caiu, nunca mais nos falamos, tô aguardando até hoje ele ligar para eu dar o recado. Não sinto falta de jeito nenhum daquela época do “Rá” (cumprimento cósmico usado por Thomaz). Tudo o que eu vivi não chega aos pés do que vivo há sete anos. Foi um engano que cometi. Mas o Thomaz é uma pessoa que eu amo.