Desde que se tornou “popstora” de sua
igreja, o Ministério do Espírito Santo
de Deus em Nome do Senhor Jesus Cristo, há sete
anos, Bernardete Dinorah de Carvalho Cidade, a Baby
do Brasil, não fala mais palavrão. Há
espaço ainda para muita gíria em seu vocabulário,
mas também para louvação a Deus.
Um exemplo: “O lema da igreja é: não
vai ter bunda mole no céu, só casca grossa...”.
Gospel, como ela prefere ser chamada ao invés
de evangélica, Baby não perdeu a mania
de oncinha. “Tenho uma sala toda de oncinha. Cortina,
sofá, relógio”, diz. Musicalmente,
porém, só curtia canções
religiosas. “Falou-se que minha entrada no gospel
era marketing. O que fiz? Não fiz mais CD, parei!
Porque não virei gospel para vender CD.”
Mas Baby ensaia uma volta após sete anos só
de músicas religiosas. No fim de 2006, ela subiu
ao palco no Bourbon Street em São Paulo, para
cantar pop e MPB. E em março, lança o
primeiro CD de inéditas e regravações
depois de Exclusivo para Deus, cinco anos atrás.
Aos 54 anos, a ex-integrante dos Novos Baianos nascida
em Niterói (RJ), está solteira e mora
com dois dos seis filhos (com idades entre 22 e 34 anos)
que teve com o músico e ex-marido Pepeu Gomes.
Por que a retomada depois
de sete anos?
Desde o último ano começou
a testificar no meu coração o fato de
eu fazer um disco. Jejuei para saber se era algo para
ser feito. É um papo muito doido, mas é
minha verdade! Confesso que, se bobeasse, nunca mais
iria cantar nada que não fosse gospel. Um dia,
ouvi de uma gravadora: “Baby, você não
acha que está tocando muito no assunto só
de Deus?”. E eu, de um modo disfarçado
e desbaratinado, sempre trouxe minha fé para
as paradas. Por exemplo, nas minhas seis gestações,
eu andava na bolsa com um barbantezinho cirúrgico
usado para amarrar cordão umbilical. Eu pensava:
“Se por acaso esse filho nascer em outro lugar,
eu tenho de amarrar”.
Sentiu preconceito da
classe artística depois de virar evangélica?
No início houve preconceito.
Amigos íntimos deixaram de ligar, freqüentar.
Sentiram uma revolta por achar que eu nunca mais poderia
cantar, que eu ficaria só no louvor, botaria
uma saia, usaria um cabelão, perderia minha graça
e faria uma lavagem cerebral. É engraçado
porque ninguém se comporta assim em relação
ao candomblé, budismo ou espiritismo. Mas com
o passar dos anos, alguns falavam: “Que bom que
você não está naquilo”. E
eu: “Aquilo o quê?” Aí, diziam:
“Você ainda é cristã? Mas
pode, com essa roupa, com esse jeito?”
Como foi o último
contato com o paranormal Thomaz Green Morton, que por
muito tempo foi seu guru espiritual?
Nunca tive guru. Thomaz foi meu amigo.
Sete anos atrás, liguei pra ele e disse: “Thomaz,
acabei de vir da sala do trono do Pai. Eu tenho um recado
pra você”. Ele falou: “Vindo de você
eu acredito”. A ligação caiu, nunca
mais nos falamos, tô aguardando até hoje
ele ligar para eu dar o recado. Não sinto falta
de jeito nenhum daquela época do “Rá”
(cumprimento cósmico usado por Thomaz).
Tudo o que eu vivi não chega aos pés do
que vivo há sete anos. Foi um engano que cometi.
Mas o Thomaz é uma pessoa que eu amo.
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