Carta ao Leitor  
Ueslei Marcelino
Yeda Crusius com Cecília Maia: histórias que revelam uma sucessão de desafios
Murillo Constantino
Gisele Vitória entrevista Eduardo Fischer
Claudio Gati
Mariane Morisawa e Cao Hamburger
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A força que elas nos dão

Yeda Crusius era a única mulher da sua turma de Economia na Universidade de São Paulo, Regina Duarte revela o arrependimento de não ter aceito o papel principal de Dona Flor e Seus Dois Maridos e Mayana Zatz enfrentou os representantes da Igreja no Congresso para aprovar a lei que permite pesquisas com células-tronco. Elas integram uma mesma geração, a de mulheres que tiveram de romper barreiras para alcançar vitórias profissionais, se desdobrar para cumprir duplas jornadas, representar vários papéis e enfrentar incompreensões masculinas e preconceitos sociais.

É obrigatório lhes dar o crédito do quanto elas tiveram de fazer mais e melhor em relação àqueles que seriam seus correspondentes (ou concorrentes) homens. Nesse ano, Yeda Crusius, por exemplo, saiu atrás do governador e do candidato do presidente Lula na campanha estadual e driblou os institutos de pesquisas para se tornar a primeira mulher a governar o Rio Grande do Sul. Na década de 1970, Regina Duarte foi, inicialmente, a imagem virginal da “Namoradinha do Brasil” e logo depois o novo símbolo do poder feminino com Malu Mulher.

Muito da alma feminina elas parecem revelar inconscientemente nas reportagens dessas Personalidades de 2006. Yeda, Regina e Mayana relevam o preconceito sofrido, pouco elaboram do próprio pioneirismo, valorizam a família e estão todo o tempo em busca de um novo projeto que envolve sentimentos e trabalho de equipe. São trajetórias, idéias e ações dignas de homenagem.

Luciano Suassuna
Redatora-chefe