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Em março, ela precisou se afastar do filho pela primeira vez, para participar de um desfile. “Saí de casa chorando”, conta a atriz
Petrit fala em francês com o
filho. “Nem sei se isso é bom
ou ruim, mas o Tomás tem que aprender, porque em casa
fala-se as duas línguas”, diz ela
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Capa
Uma mãe em cena

Em cartaz com a peça Pequenos Crimes Conjugais e escalada
para a próxima novela das oito da Globo, Maria Fernanda
Cândido volta ao trabalho após o casamento e o nascimento
do filho Tomás, conta histórias da maternidade e diz que o
marido, o empresário francês Petrit Spahira, é um pai nota mil
texto Diógenes Campanha
fotos Edu Lopes
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"A mulher tem esse dom de se dividir, fazer cinco coisas
ao mesmo tempo e se adaptar. Mais do que nunca, é isso
que estou fazendo agora", diz Maria Fernanda Cândido
A atriz Maria Fernanda Cândido está em frente ao espelho, sendo maquiada e conversando com a reportagem de Gente quando uma presença inesperada rouba sua atenção. No colo da babá, vem o pequeno Tomás, de dez meses. O bebê parece desconfiado com a quantidade de gente no camarim de sua mãe e lança um olhar em direção a ela. Maria Fernanda entende o recado, pega o filho no colo e começa a cantar. Depois, ainda mantendo-o nos braços, faz um movimento circular com o corpo e cochicha em seu ouvido: “Te amo!”. A cena é uma pequena demonstração de como a atriz de 32 anos está conciliando a maternidade com os compromissos da peça Pequenos Crimes Conjugais, que marca sua volta ao trabalho após o casamento com o empresário francês Petrit Spahira, 33, e o nascimento de Tomás. “A mulher tem esse dom de se dividir, fazer cinco coisas ao mesmo tempo e se adaptar”, diz Maria Fernanda. “Mais do que nunca, é isso que estou fazendo agora.”

Como acontece com a maioria das mães, a atriz está aprendendo a viver uma dupla jornada. Ela lembra que, em março, precisou se afastar do filho pela primeira vez, por pouco mais de duas horas, para participar de um desfile em São Paulo. “Saí de casa chorando”, conta. Agora que está em cartaz no teatro e as saídas se tornaram mais freqüentes, ela jura que o menino encontrou um meio de fazer chantagem emocional. “Ele estica os bracinhos e quer que eu o pegue bem na hora que preciso ir embora. No final, ele fica ótimo, brincando em casa, e eu saio com o coração apertado”, diz. No processo de produção de Pequenos Crimes Conjugais, tudo foi pensado para facilitar a vida de Maria Fernanda.

As primeiras leituras do texto, em agosto, aconteceram na casa
da atriz. Dessa forma, Tomás estava sempre perto da mãe, mas nem o choro do bebê foi capaz de atrapalhar a concepção do espetáculo. “O menino é muito especial, parece que já veio pronto. Ele tem um olhar de sábio e deu muita força para a gente”, conta o parceiro de cena Petrônio Gontijo. “Criança é bem-vinda em qualquer processo
de estudo.” Quando começaram os ensaios, em setembro, Maria Fernanda levava o menino ao teatro, que fica anexo a um hotel no centro de São Paulo, e o deixava em uma suíte com a babá. Nos intervalos, ela subia ao quarto para amamentar e matar a saudade
do rebento.

Tomás é a realização de um sonho antigo de Maria Fernanda, mais velha dos três filhos do empresário José Reginaldo Cândido e da dona de confecção Agda Malvezi. “Quando eu tive a Karina, minha filha do meio, a Maria Fernanda tinha cinco anos e dizia que a irmã era filhinha dela”, conta Agda, que ouviu a futura atriz dizer a mesma coisa cinco anos mais tarde, no nascimento do irmão caçula, José Eduardo. “Ela sempre foi mãe, só faltava mesmo o bebê.” O instinto materno foi aguçado ainda mais em 2003, quando Maria Fernanda ajudou a cuidar da sobrinha Júlia, filha de Karina.

Mas a prática adquirida com as experiências familiares não impediram as surpresas – e alguns sustos – da maternidade. O primeiro foi no
dia 23 de janeiro deste ano: Tomás nasceu prematuro, no oitavo mês de gestação, obrigando Maria Fernanda a correr para a maternidade antes da hora planejada. “Não tinha nada pronto, minha mala não estava arrumada”, conta. Ao se lembrar das 36 horas que o bebê precisou passar na UTI neo-natal – um procedimento padrão para prematuros –, a mãe de primeira viagem emite um longo suspiro,
mas depois relata, com tranqüilidade: “Como fui avisada de que tudo estava bem, não tive medo. A diferença é que, em vez dele descer ao meu quarto, era eu que subia para vê-lo.” Ao deixar a maternidade, ela levou para casa uma bomba elétrica, para tirar o leite dos seios e facilitar a amamentação.

O apetite de Tomás foi a razão para que Maria Fernanda perdesse rapidamente os 12kg que ganhou na gravidez. “Emagreci muito
rápido, por causa da amamentação. Nos primeiros 15 dias, eu
sequei”, exagera. Após esse período, o médico recomendou que ela se alimentasse melhor, para reforçar o leite materno: “Não foi nada especial, ele só disse: ‘Coma!’”. Atualmente, Tomás mama no peito
só uma vez por dia, no período da manhã. Maria Fernanda está com 61kg, dois a mais do que tinha antes da gravidez. A maternidade não alterou a beleza clássica da estrela – que em 1999 foi eleita a brasileira mais bonita do século 20 em uma pesquisa do Fantástico –, mas reduziu drasticamente o tempo que Maria Fernanda gasta para cuidar da aparência. A nova rotina só permitiu a manutenção de dois rituais: hidratar o corpo e não sair de casa sem protetor solar. A
atriz descarta a possibilidade de fazer qualquer tipo de cirurgia plástica, mas deve incluir na agenda sessões de RPG (reeducação postural global). “Meu filho é pesado, está com 10kg. Você fica mais de nove meses carregando esse chumbo no braço e a coluna vai entortando”, diz Maria Fernanda. “Já está na hora de fazer alguma coisa para consertar.”

Em casa, ela tem à disposição um pequeno time de colaboradores. Além da ajuda da babá e, eventualmente, da mãe, Maria Fernanda também conta com o apoio do marido Petrit. “Ele é um pai nota mil. Sabe dar banho, faz todas as coisas. Ele me olha fazendo, depois
vai lá e copia”, diz. Troca fraldas também? “Se precisar, troca.” A confirmação vem acompanhada de uma reclamação. “Ele suja dez vezes mais coisas do que eu, quando vai trocar fralda. Suja e vai largando pelo caminho, mas o que importa é que ele participa.” Quando a atriz se preparava para fazer Pequenos Crimes Conjugais, o marido também marcou presença: nos dias de folga da babá, ele levava Tomás para o teatro e cuidava do menino enquanto a mãe ensaiava. Na noite da estréia da peça, nova inversão de papéis.
Maria Fernanda estava muito cansada e pediu que Petrit acordasse para passar a noite no quarto do bebê. O empresário atendeu à convocação e estava a postos para dar água para Tomás, quando ele acordou de madrugada.

Maria Fernanda conta que, em casa, Petrit costuma conversar em francês com o filho. “Nem sei se isso é bom ou ruim, mas o Tomás tem que aprender, porque em casa fala-se as duas línguas”, diz ela. O casal pensa em levar o menino para a França no início de 2007, para conhecer a família do pai. Até setembro do ano passado, quando se casou com Maria Fernanda, Petrit se dividia entre o Brasil e sua terra natal. Desde então, fixou residência em São Paulo ao lado da mulher e está totalmente adaptado à nova cidade. “Ele já tem a vida dele aqui no Brasil. Tem o time de futebol, os parceiros de tênis e os lugares que gosta de freqüentar. Não precisei fazer nada para ajudá-lo.” A sogra tem uma explicação para a independência de Petrit. “Como a Maria Fernanda trabalha bastante, ele tem que se virar sozinho. E faz isso muito bem, já está até falando português”, conta Agda, que se derrama em elogios ao genro. “Ele é um doce. Esperto, prestativo e atencioso, graças a Deus. Ganhei um novo filho.”

Se depender do trabalho da mulher, Petrit terá ainda mais tempo para descobrir o Brasil por conta própria. Em janeiro de 2007, Maria Fernanda começa a gravar a novela Paraíso Tropical, próxima trama das oito da Globo. Longe da tevê desde o final de Como uma Onda, em junho do ano passado, a atriz já havia sido escalada para a minissérie JK, quando descobriu que estava grávida de Tomás. Seu papel foi entregue a Débora Bloch e Maria Fernanda não chegou a conferir o desempenho da colega, pois o bebê nasceu vinte dias depois da estréia da produção. Mas a atriz não tem motivos para arrependimento. Como ela mesma diz, “o ser humano veio ao mundo para três coisas básicas: para se relacionar, para realizar e para se reproduzir”. Feliz no casamento, retomando a atividade profissional no teatro e na televisão e mãe de um lindo menino, pode-se dizer que essa paranaense de Londrina está cumprindo com sucesso sua missão no mundo. Concorda, Maria Fernanda? “É, acho que é isso mesmo! Isso marca o meu atual momento.”

Agradecimentos: Novotel Jaraguá, Emporio Armani, Giorgio Armani, Antonio Bernardo, Sandra Pinheiro
Produção de moda : Camila Carmona, Fernanda Kenan
Assistente de produção de moda : Adriana Mello
Maquiagem e cabelo: Wilson Eliodoro
Assistente de maquiagem/cabelo: Michel Candido