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Cidadão Brasileiro
Folhetim de Lauro César Muniz produzido pela
Record pagou o preço de sua proposta ousada

Dirceu alves jr.

Divulgação
Gabriel Braga Nunes e Paloma Duarte: bons
atores em história que se perdeu
Pensar em novelas ambiciosas ficou fora de moda.
E Cidadão Brasileiro foi uma novela arrojada, bem diferente da linha dominante. Sua estréia prometeu. Parecia que, finalmente, outra emissora estava perto
da falada estética Globo. Um ótimo elenco, um roteiro cheio de intertextualidade do grande Lauro César Muniz
e o investimento da Record para se firmar na teledramaturgia conspiravam para fazer de Cidadão Brasileiro uma novela marcante.

A primeira fase, nos anos 50, funcionou. Apesar das falhas técnicas, como uma iluminação de comercial de tevê, a trama do ambicioso Antônio Maciel (vivido com garra por Gabriel Braga Nunes) prendia a atenção. A partir de agosto, com a história na década de 60, Muniz ganhou pontos com um enfoque realista da ditadura, mas errou ao esfriar a história do protagonista. Ficou difícil entender por que Braga Nunes, Paloma Duarte e Carla Regina envelheceram de acordo com o tempo, e Lucélia Santos (pouco expressiva) aparecia com a cara de 15 anos atrás. O próprio autor parece ter desanimado diante de uma produção sem o apuro da Globo, e o último capítulo de Cidadão Brasileiro, que marcou 13 pontos, foi tedioso. O octogenário Antônio reviu sua vida como se ela fosse um filme. As maquiagens até estavam ok, mas foi inevitável não pensar que, na Globo, o autor poderia não ter a mesma liberdade, porém o resultado seria menos frustrante. Não foi desta vez.