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Esporte

A esperança do craque é o Filé
O fisioterapeuta Nílton Petrone, o Filé, tem pela frente o desafio de recuperar o joelho de Ronaldinho

Fábio Bittencourt

Mirian Fichttner/Época
“Estou com a consciência tranqüila. Fiz o melhor que pude pelo Ronaldo”, diz o fisioterapeuta Filé

O trabalho do fisioterapeuta Nílton Petrone Vilardi Júnior, 38 anos, é o foco das atenções no mundo do futebol. Seus métodos de recuperação acelerada foram colocados em xeque após a nova contusão que atingiu o atacante Ronaldo, da Internazionale de Milão e da Seleção Brasileira. “Estou com a consciência tranqüila”, disse a Gente, de Milão, por telefone. “Fiz o melhor que pude pelo Ronaldo.” Filé, como é conhecido devido ao seu biotipo franzino, já recuperou nomes importantes do esporte como Romário, hoje no Vasco da Gama. Nos últimos três anos, incluiu em sua disputada agenda Ronaldinho, o Fenômeno, eleito por duas vezes o melhor jogador do mundo. Na quarta-feira 12, viu seu cliente mais famoso rolar de dor no gramado do Estádio Olímpico. “O que aconteceu foi uma fatalidade”, diz, sobre a contusão no tendão patelar do joelho direito do atacante. A estrela de Filé começou a brilhar há dez anos, quando recebeu um telefonema do então preparador físico do Vasco da Gama, Maurício dos Santos. “O Romário se contundiu e precisa de alguém para se recuperar até a Copa da Itália”, disse Santos, que hoje é sócio de Filé na Clínica de Recuperação Nílton Petrone. O atacante jogava na Holanda e apresentava quadro clínico de fratura e luxação no tornozelo direito. Filé agarrou a oportunidade e, em 35 dias, colocou Romário em campo. Recuperado. Daí em diante, ele tornou-se uma referência na recuperação de atletas. O fisioterapeuta batizou seu trabalho como o “Método de Recuperação Acelerada”. Nele, Filé combina exercícios diferentes, como salto em cama elástica e atividades em areia, para conseguir resultados mais rapidamente que nas terapias convencionais. Em 1991, a jogadora Isabel teve os ligamentos cruzados do joelho direito rompidos. “Esse foi um dos trabalhos mais difíceis de minha carreira”, conta. Em 1995, o Botafogo do Rio de Janeiro disputava as finais do Campeonato Brasileiro. Donizete e Túlio haviam se machucado e poucos acreditavam que pudessem voltar. “Tudo correu bem e eles puderam jogar.” Filé sente-se à vontade ao cuidar dos grandes nomes do esporte. Por sua clínica, também já passaram Beto, do Flamengo, e Élber, do Bayern de Munique e da Seleção Brasileira, além de Branco e Jorginho, campeões pelo Brasil em 1994, nos Estados Unidos,. “Tudo o que faço é colocar em prática os conhecimentos que adquiri em minha vida”, diz Filé. “Trabalhei muito para chegar até aqui.” Seu prestígio é tão grande que há um ano ele foi incorporado à seleção de Wanderley Luxemburgo, a pedido de Ronaldinho. Também foi contratado pela Internazionale com salário mensal de US$ 25 mil. “O Filé é o fisioterapeuta mais bem pago do mundo”, diz o colega de profissão Nivaldo Baldo. “É um rapaz competente, que nunca perdeu a recuperação de um jogador”, diz. O fisiologista Turíbio Leite, do São Paulo, endossa as palavras de Baldo: “É difícil apontar um culpado”. Filé defende seu trabalho: “Não falhamos. O quadro clínico do Ronaldo foi minuciosamente acompanhado”. Filé nasceu no Rio de Janeiro e, por pouco, não seguiu a carreira de advogado do pai. No final de 1978, encontrou-se com uma amiga e foi aconselhado a estudar fisioterapia. “Não sabia do que se tratava”, lembra. Filé passou entre os dez primeiros colocados da Faculdade de Reabilitação da Associação Solidariedade à Criança Excepcional. No segundo semestre da faculdade, começou a fazer estágios não remunerados em clínicas da cidade. À noite, trabalhava como entregador de jornais. “Dormia de quatro a cinco horas por noite”. Ainda como estudante, foi parar no Flamengo para pedir emprego. Não havia vaga para fisioterapeutas e ele teve que se contentar com uma de massagista. Com cursos de especialização, Filé deu aulas na Faculdade Castelo Branco e hoje é diretor da Faculdade de Fisioterapia e Educação Física da Universidade Estácio de Sá. Tem três clínicas, das quais duas no Rio e uma na cidade de Friburgo. Juntas, elas empregam 60 profissionais. Os negócios são administrados por um computador da casa onde mora, em Milão, com a mulher Márcia, 35, e os filhos Bárbara, 16, Ulisses, 15, Felipe, 8, e Lucas, 7. “Minha vida está agitada. Faz mais de um ano que não tenho férias”, conta Filé. E, se depender da recuperação de Ronaldinho – que deve enfrentar mais sete ou oito meses até voltar a jogar –, não vai ser agora que o descanso virá.

 


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