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Maurício de Souza

por Cesar Taylor

Arquivo Pessoal
O desenhista Maurício de Souza e sua filha Mônica entrevistados por Hebe Camargo, em 1965

Ele poderia ter sido um Daniel ou um Zezé di Camargo. No fim dos anos 40, no entanto, ao ser chamado para o palco de mais um concurso de cantores infantis em um circo em Suzano (SP), Maurício de Souza mudou sua história. Vestido com um terninho elegante, de calças curtas, o menino de 12 anos grudou-se horrorizado à cadeira, apesar dos protestos da mãe. Foi o fim da sua precoce carreira de cantor, que frutificou nos anos de ouro do rádio no Brasil. Antes disso, aos 6 anos, Maurício de Souza já havia fracassado como engraxate no salão de barbeiro do pai, um poeta e compositor de sambas que havia sido de tudo na vida, até palhaço de circo.

Nascia o homem que deu vida aos 150 personagens mais bem sucedidos da indústria nacional de histórias em quadrinhos. O primeiro deles, o cachorro Bidu, foi criado quando Maurício ainda era repórter policial do jornal Folha da Manhã (hoje Folha de S. Paulo), em 1959, aos 24 anos. Depois vieram Piteco, Manezinho, Cascão, Titi, todos recebidos com descrédito. “As histórias em quadrinhos estrangeiras chegavam até nossos jornais tão baratas que as nacionais não tinham como concorrer”, afirma. Depois veio Mônica, seu primeiro personagem feminino, no começo dos anos 60, inspirada em sua primeira filha. “É fácil criar uma personagem se você a basear em alguém que conhece bem, e assim foi criada a Mônica, firme e decidida como a minha filha”, diz.

Na foto (acima), feita no auditório da TV Excelsior, em 1965, Maurício, aos 30 anos, é entrevistado ao lado de Mônica, então com 5 anos, pela apresentadora Hebe Camargo. “A Hebe insistia que ela dissesse que gostava do Roberto Carlos, o maior vendedor de discos da época, mas a Mônica teimou que preferia o Ronnie Von”, lembra. “Brabinha como ela só, a Mônica arrastava mesmo pela casa um coelhão de pelúcia amarelo com recheio de palha.” Na entrevista, Mônica contou que acabara de ser atropelada. Diante da incredulidade de Hebe, ela levantou a saia e mostrou onde o carro havia batido. “Foi isso mesmo, mas o carro só encostou de leve no bumbum”, lembra o pai. Mônica cresceu, os dentões se normalizaram e hoje ela é diretora de comercialização da empresa Maurício de Souza Produções.

Preocupado com as comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil, Maurício queria se engajar de forma paralela às festividades oficiais. “Mas não queria entrar só por entrar”, diz. No final de 1999, juntou-se ao irmão, Márcio Roberto, para criar um espetáculo de teatro com seus personagens. A peça Turma da Mônica Descobrindo o Brasil estreou no início do mês em São Paulo, no Parque da Mônica, e seguirá em turnê por Manaus, Belo Horizonte e Belém. Em Maceió, Recife e Rio de Janeiro, a Turma da Mônica vai aos shopping centers levar jogos, exposições e oficinas de criação. O material da peça foi transformado em CD, no qual Maurício narra a história da chegada das caravelas de Pedro Álvares Cabral a seus personagens. Tudo isso ao lado da filha Mônica. “O gênio dela continua o mesmo, a determinação idem”, afirma ele.

 


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