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“Já sabia
do seu talento. Mas tamanha competência
numa pessoa tão jovem me surpreendeu bastante”,
diz Manoel Carlos, autor de Páginas
da Vida |
Ela é a grande revelação da teledramaturgia
brasileira em 2006. No papel da jovem Marina de
Páginas da Vida, uma personagem
de forte carga emocional por lidar com o pai alcoólatra,
Marjorie Estiano roubou a cena entre os inúmeros
medalhões que formam o elenco da novela.
O reconhecimento veio em forma de novo desafio:
Marjorie acaba de ser escalada para mais uma trama
das oito, de Aguinaldo Silva, que substituirá
Paraíso Tropical, de Gilberto
Braga, em outubro de 2007. A atriz de 24 anos
havia demonstrado seu valor no seriado jovem Malhação,
mas seu desempenho em Páginas da Vida,
sua primeira novela, impressionou até o
autor Manoel Carlos. “Já sabia do
seu talento. Mas tamanha competência numa
pessoa tão jovem me surpreendeu bastante”,
diz ele. “O personagem cresceu muito por
conta dessa força que ela tem como intérprete.”
O diretor Jayme Monjardim endossa os elogios:
“Marjorie teve um desempenho muito bom
no teste que fez para a novela, e está
nos surpreendendo a cada dia com um trabalho
cada vez melhor”, diz. “Marina é
uma personagem densa e difícil e a Marjorie
está interpretando esse papel magistralmente,
com a intensidade na medida certa”, completa
Monjardim. Com o sucesso, a atriz acaba de assinar
seu primeiro contrato longo com a Globo, até
2009. Antes, seu acordo com a emissora se restringia
à obra.
Boa parte do laboratório para interpretar
Marina a atriz fez em casa. Assim como o Bira
(interpretado por Eduardo Lago) de Páginas
da Vida, seu avô materno, Cláudio
Dias, foi alcoólatra, e Marjorie usou
a mãe como a principal fonte de suas
pesquisas. “Ele deve estar há uns
30 anos sem beber. Freqüenta o AA, faz
palestras a respeito. Mas não existe
a palavra curado para um alcoólatra.
Ele está em recuperação,
nunca mais poderá dar o primeiro gole”,
diz ela, que, por conta da distância,
teve muito pouco contato com o avô. “Ele
mora em Vitória da Conquista (BA). Temos
muito carinho um pelo outro, mas se nos vimos
dez vezes na vida foi muito.”
Em pouco mais de dois anos na Globo, Marjorie
só conheceu o gosto do sucesso. Entre
a protagonista de Malhação
e o grande destaque de Páginas da
Vida, ela emplacou também uma meteórica
carreira como cantora. Seus shows valem hoje
entre R$ 20 mil e R$ 25 mil – ainda que
ela não esteja se apresentando por estar
com a agenda tomada pelas gravações
da novela. Seu primeiro álbum vendeu
170 mil cópias. E tudo começou
quase por acaso. A princípio, Natasha,
a personagem de Marjorie em Malhação,
seria apenas a baixista da Vagabanda. Até
que o produtor musical da série, Vitor
Pozas, viu Marjorie cantando, e teve a idéia
de transformar a banda em um grupo de verdade.
A atriz topou e eles fecharam contrato com a
gravadora Universal. Há um ano e meio,
Marjorie namora o músico André
Aquino, 29 anos, que toca violão na banda.
Sobre o relacionamento, ela é irredutível:
“Nenhuma palavra sobre esse assunto”,
decreta.
A atriz colhe hoje os frutos de ter corrido
atrás de seus sonhos. Filha do meio do
casal Eurandir Lima de Oliveira, 53 anos, comerciante,
e Marilene Oliveira, 53, enfermeira, Marjorie
deixou a casa dos pais em Curitiba aos 18 anos
para morar sozinha e estudar teatro em São
Paulo. Sustentada pela família na época,
chegou a pensar em desistir de tudo. “Mas
sou muito determinada. O meu ‘eu não
quero mais’ durava um minuto, até
acabar a caixa de bombom”, diverte-se.
A rapidez com que se tornou famosa assustou
Marjorie no início,
mas ela diz que hoje já se sente mais
à vontade. “Antes, eu ficava angustiada.
É meio que o galã da vez, a bola
da vez. Eu tinha dificuldade em lidar com isso”,
confessa. “A parte mais cansativa
é que você leva junto o trabalho
para as ruas, as pessoas te
adoram, querem conversar. E elas precisam disso.
Estou muito
feliz, tenho muita energia para tudo que me
demandam.” Tímida,
a atriz diz que desenvolveu alguns métodos
para passar despercebida. “Às vezes
ando rápido para não dar tempo
da pessoa raciocinar se
era eu ou não.”
Apesar de todo o sucesso, contracenar com
pessoas que até pouco tempo eram ídolos
distantes ainda mexe com a imaginação
de Marjorie. “Fiz uma cena com o Tarcísio
Meira em que coloquei o ouvido na barriga dele.
Eu ouvia coisas! Pensava: ‘Gente, tô
ouvindo coisas da barriga do Tarcísio
Meira!”, brinca. “Logo que entrei
na Globo isso era mais forte. Via o Lima Duarte
pedindo um pão de queijo e me sentia
num filme tipo Roger Rabbit, que mistura
desenhos e pessoas. Eu era gente e eles (os
atores famosos) os desenhos passando”,
sorri, sem perceber que, com tamanho sucesso,
em breve ela será o cartoon
dos novos talentos.  |