Diversão & arte - Música  
Divulgação
Tom Zé: longe da criatividade inteligente que tinha nos anos 70
Divulgação
• • •

Leia também

Exposição
Gastronomia
Internet
Livros
Música
Teatro
Televisão
• • •
MPB
Danç-Êh-Sá

Tom Zé prega o fim da canção, mas
se perde em experimentalismo exótico
Mauro Ferreira

Aos 70 anos, Tom Zé não dá sinais de velhice artística. O extenso título de seu novo disco, Danç-Êh-Sá (Dança dos Herdeiros do Sacrifício) – 7 Caymianas para o Fim da Canção, já sinaliza a recorrente ânsia de inventar que caracteriza a obra do sempre renovado baiano. Pena que Tom Zé já não exiba a criatividade inteligente dos anos 70, quando realmente contribuiu com visões interessantes da música em álbuns antológicos como Estudando o Samba (1976).

O CD se perde em experimentalismo que se limita a soar exótico. O artista prega o fim da canção – motivado por recente entrevista em que Chico Buarque defendia a mesma idéia – por meio de sete temas de sotaque afro e/ou indígena, alguns compostos em parceria com Paulo LePetit, produtor do álbum. O uso de base eletrônica nos arranjos tem a ver com o outro conceito que norteou a feitura do álbum: a fixação de uma juventude hedonista no baticum dos DJs.

Na teoria, a mistura dessas referências com os sons negros que moldaram a cultura musical brasileira até parece interessante. Mas o
balé de Tom Zé soa chato quando ouvido no CD-player ou no iPod tão usado pela juventude que seria o suposto alvo do disco. Ainda assim, não deixa de ser louvável a permanente inquietude do artista na procura de outras formas de canção, embora ela, a canção, esteja muito longe do fim. Tribo modernosa.