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Crítica
The Black Parade
ana paula alfano
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My Chemical Romance: dramalhão e pessimismo
The Black Parade, terceiro disco da banda americana My Chemical Romance, é forte candidato para acabar de vez com o preconceito contra os emos. Há tempos eles são vítimas de quem acha que o estilo não passa de modinha e até de homofóbicos, para quem mostrar sentimento em público é coisa de homossexual. Mas o quinteto de Nova Jérsei mostra neste trabalho que não tem medo de julgamentos. Se têm vontade de fazer dramalhão em versos como “Se olhar no espelho e não gostar do que vê / Descobrirá em primeira mão como é ser eu”, de “The End”, fazem. Se querem soar como o Queen, em “Dead!”, soam. Se querem cantar com Liza Minnelli, em “Mama”, cantam.

Mais do que na coragem, o My Chemical Romance ganha pontos na competência. Porque, apesar de referências tão fortes do classic rock dos anos 70 e 80 e do tom vintage, eles entregam um disco autêntico.
E atual. O som amargo e pessimista e as letras melancólicas e por
vezes mórbidas nos fazem acreditar, faixa a faixa, que o mundo deles
(os Estados Unidos e a sociedade americana, mais especificamente)
está perdido e que não há mais esperanças. Ainda que o My Chemical Romance fuja tanto deste rótulo, mais emo, impossível. Sem luz no fim
do túnel.