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| My
Chemical Romance: dramalhão e pessimismo |
The Black Parade, terceiro disco da banda americana
My Chemical Romance, é forte candidato para acabar
de vez com o preconceito contra os emos. Há tempos
eles são vítimas de quem acha que o estilo
não passa de modinha e até de homofóbicos,
para quem mostrar sentimento em público é
coisa de homossexual. Mas o quinteto de Nova Jérsei
mostra neste trabalho que não tem medo de julgamentos.
Se têm vontade de fazer dramalhão em versos
como “Se olhar no espelho e não gostar
do que vê / Descobrirá em primeira mão
como é ser eu”, de “The End”,
fazem. Se querem soar como o Queen, em “Dead!”,
soam. Se querem cantar com Liza Minnelli, em “Mama”,
cantam.
Mais do que na coragem, o My Chemical Romance ganha
pontos na competência. Porque, apesar de referências
tão fortes do classic rock dos anos
70 e 80 e do tom vintage, eles entregam um
disco autêntico.
E atual. O som amargo e pessimista e as letras melancólicas
e por
vezes mórbidas nos fazem acreditar, faixa a
faixa, que o mundo deles
(os Estados Unidos e a sociedade americana, mais especificamente)
está perdido e que não há mais
esperanças. Ainda que o My Chemical Romance
fuja tanto deste rótulo, mais emo, impossível.
Sem luz no fim
do túnel.
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