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O Crocodilo

O diretor Nanni Moretti faz crítica ao ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi e à política italiana
Divulgação
O Crocodilo: momentos cômicos e dramáticos
para falar da crise moral italiana
Antes de ser exibido no Festival de Cannes deste ano, O Crocodilo foi anunciado como o filme de Nanni Moretti, um dos maiores cineastas italianos em atividade, sobre o primeiro-ministro Silvio Berlusconi, que saiu do cargo no dia 17 de maio. Imaginava-se que Moretti, de Caro Diário e O Quarto do Filho, fizesse uma sátira. Mas o diretor não se contentaria com idéia tão simplória.

O que se vê em O Crocodilo é um retrato multifacetado
do ex-primeiro-ministro e da política italiana, entremeado pela história de Bruno Bonomi (Silvio Orlandi),
um produtor de filmes comerciais fracassado e abandonado pela mulher que vê sua chance de redenção quando chega às suas mãos um roteiro escrito pela jovem Teresa.

Como é comum nos filmes de Moretti, os momentos cômicos e dramáticos se alternam, enriquecendo o painel que ele traça da política italiana e da crise moral do país. Enquanto sua personagem, a jovem Teresa, deseja fazer um filme escancarando a denúncia e o ridículo de Berlusconi, o diretor sabe que tudo é muito mais complexo. Tanto que Berlusconi é interpretado por três atores, do quase sósia ao ator famoso (Michele Placido), terminando com Moretti – e os momentos mais grotescos são mesmo quando o próprio aparece em imagens de televisão. O Crocodilo mostra a maturidade do cineasta, que sabe fazer crítica sem parecer estar numa passeata. Sem panfletarismo.