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| Michel começou a se interessar por
fotografia, e Daniela pretende ser atriz e fazer faculdade
de Veterinária |
Pouco mais de um ano atrás, Michel Joelsas e Daniela
Piepszyk eram crianças comuns de dois colégios
judaicos de São Paulo. Agora, quando ele passa no corredor,
é saudado pelos garotos do colegial como “astro!”
ou “famoso!”. E ela é “a menina que
fez o filme”. Em O Ano em que Meus Pais Saíram
de Férias, de Cao Hamburger, em cartaz, Michel interpreta
Mauro, que se vê sozinho depois de ser deixado na casa
do avô pelos pais, fugitivos da repressão no regime
militar. Daniela é Hanna, a vizinha que vai conectar
Mauro com esse novo mundo.
A dupla é um dos principais motivos de o longa ser
tão certo. E tudo começou com uma foto, uma
simples foto, como diz Michel. Foi por meio dela que Hamburger
começou a escolher seu protagonista. Para Daniela,
uma carta convidava para um primeiro teste – foram vários.
Como não sabia jogar futebol, um pré-requisito,
a menina de 11 anos achou que não ia dar. “Sou
uma perna-de-pau. Mas consegui ir passando, passando, até
ser a Hanna.” Eles rodavam 12 horas por dia e depois
tinham aula com os professores do colégio. Estudaram
nas férias e nas poucas folgas. Ainda assim, a média
global de Michel foi 9, e as notas de Daniela não caíram,
apesar de seus temores.
É claro que a fama tem seus dissabores. “A
Daniela se irrita quando algum colega que nem falava com ela
vem convidá-la para festas e viagens, só porque
ela está no filme”, conta sua mãe, Eliane.
Há gente que diz a Michel que o longa vai ser ruim,
“porque é brasileiro”. Ele só responde
que O Ano ganhou o prêmio do júri popular
no Festival do Rio. Não que o sucesso tenha subido
à cabeça. Daniela achou um “mico”
a proposta da mãe de comprar DVDs do longa para ela
autografar. O próprio diretor conversa com eles para
que não se iludam. “Falo como esses flashes são
passageiros e quão insignificante isso é no
fim das contas. E que não é certo que eles sejam
atores no futuro. Eles são muito inteligentes e podem
fazer o que quiserem.”
Daniela já tinha vontade de ser atriz e participou
de pequenas peças na escola. “Mas achei que
nunca ia conseguir.” Gostou tanto que pretende seguir
carreira, mas também vai cursar a faculdade
de Veterinária. “Atriz, não é toda
hora que tem trabalho”, diz. Não foi a única
coisa que ela trouxe da experiência. Com a maquiadora
Anna van Steen, aprendeu técnicas de desenho, que pratica
quando as difíceis lições da 5ª
série permitem. Já Michel, que costumava jogar
na zaga ou na lateral direita, tem
se divertido no gol, como seu personagem. Ele se apaixonou
por fotografia. Ficava mais com a equipe técnica do
que com o elenco, gravava gente dormindo com uma câmera
de vídeo e saiu do set cheio
de presentinhos. “Presentões”, ele corrige.
“Fora os amigos, ganhei uma mala de câmera, uns
negativos...”, conta o garoto de 11 anos, que chegou
a fabricar sua própria câmera, com uma caixa,
e agora quer ser diretor de fotografia. Para Daniela, o maior
presente foi o filme. “É uma coisa que vou levar
para a minha vida inteira.” 
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