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“Tive vontade
de fotografar uma goteira, com uma bacia
embaixo, ao lado de um Portinari. O que
ela fez no Palácio
foi incrível”, conta Nana Miura, amiga
de Marisa, sobre
o trabalho de restauração do Alvorada |
Ao final da apuração dos votos do
primeiro turno a tristeza tomou conta do Palácio
da Alvorada. Por pequena margem, o presidente
Lula não foi reeleito em 1º de outubro.
Nos sofás da sala de tevê, Lula e
assessores próximos mantiveram-se imóveis.
O único movimento foi da primeira-dama,
Marisa Letícia Lula da Silva, que se sentou
ao lado do marido. Mostrou a ele que estavam na
frente e que tinham de arregaçar as mangas
para o segundo turno, opinião mais tarde
reforçada pela visita do vice, José
Alencar, e sua mulher, Mariza. Dez dias depois,
de tênis e calça jeans, as duas ganharam
as ruas de Brasília com panfletos nas mãos.
“Marisa é uma pessoa envolvente e
combativa”, definiu a amiga.
Assim é a primeira-dama: quieta, mas
dona de uma força incalculável.
Aos 56 anos, cuida dos problemas da família,
administra as residências oficiais e reserva
tempo para as obrigações do presidente.
“Diariamente ela o acorda às 6h
e o estimula: ‘Levanta e vamos caminhar”,
conta Roberto Kalil, cardiologista de Lula há
16 anos. “Ela é determinada e companheira.
Nunca a vi pra baixo. A genialidade dela está
na simplicidade.” Quando Lula foi eleito
em 2002, Kalil ligou dias depois para parabenizá-la
e soube que Marisa estava no supermercado. “E
daí?”, disse ela ao amigo surpreso
com seu desprendimento. O jeito simples não
mudou. “Tempos atrás dividimos
um misto quente num bar”, conta Kalil.
No Palácio do Alvorada, onde teve de
improvisar com baldes o controle de goteiras
no primeiro ano de governo, Marisa comandou
de perto a restauração, da escolha
de tijolos ao tipo de grama. “Tive vontade
de fotografar uma goteira, com uma bacia embaixo,
ao lado de um Portinari. O que ela fez no Palácio
foi incrível”, conta a médica
Nana Miura, amiga há mais de 20 anos.
Ela cuidou de Sandro, filho do casal, quando
foi operado do coração, aos quatro
anos.
Marisa é uma das primeiras-damas mais
discretas que o Brasil já
viu. Só opina quando está sozinha
com o marido, mas sua presença
é constante. “É ela quem
controla a jornada dele. É a única
pessoa, depois do secretário particular,
Gilberto Carvalho, que tem poderes para alterar
a agenda presidencial, se achar que ele anda
muito estressado”, conta um amigo. De
uma sala no terceiro andar do Palácio
do Planalto, acompanha a movimentação
política, analisa
os convites que recebe e participa de quase
todas as solenidades
do presidente.
Como esposa de operário-sindicalista,
Marisa sempre levou uma vida longe de luxos.
“Quem faz a unha dela é ela mesma”,
conta a amiga Claudia Cozer, endocrinologista
da família. “E sempre me liga de
Brasília para saber da saúde dos
filhos.” Apesar disso, não se atrapalhou
nos palácios. Recentemente, acompanhou
a posse do presidente reeleito da Colômbia,
Álvaro Uribes, no lugar de Lula. “Ela
viveu como a grande maioria das mulheres brasileiras,
sabe das dificuldades que elas enfrentam e o
que fazer para melhorar o dia-a-dia de suas
vidas. E isso ajuda o presidente no seu trabalho
de mudar o Brasil”, afirma Maria de Fátima
Mendonça, mulher do governador eleito
da Bahia, Jaques Wagner.
Marisa gosta de receber os amigos íntimos
para jogar cartas e tem prazer em comemorar
datas. “Com ela não tem tempo ruim:
festeja com a gente nas horas boas e nos conforta
e dá força nas horas difíceis”,
conta a amiga Nilza Aparecida, esposa do ministro
do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. Para relaxar,
gosta de pescar
e recorre à acupuntura. Ótima
cozinheira, só vai para fogão
vez
por outra, quando está com a família
em São Bernardo do Campo
ou quando, para agradar o marido, prepara seu
prato preferido: camarão à provençal.
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