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Marisa Lula da Silva

A discreta primeira-dama foi a primeira pessoa a incentivar
Lula após a confirmação do segundo turno, dedica seu
tempo aos compromissos do presidente e diz que aprendeu
com ele a ter paciência e persistência infinitas
texto Cecília Maia e Gisele Vitória
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Ricardo Stucker
“Tive vontade de fotografar uma goteira, com uma bacia
embaixo, ao lado de um Portinari. O que ela fez no Palácio
foi incrível”, conta Nana Miura, amiga de Marisa, sobre
o trabalho de restauração do Alvorada
Ao final da apuração dos votos do primeiro turno a tristeza tomou conta do Palácio da Alvorada. Por pequena margem, o presidente Lula não foi reeleito em 1º de outubro. Nos sofás da sala de tevê, Lula e assessores próximos mantiveram-se imóveis. O único movimento foi da primeira-dama, Marisa Letícia Lula da Silva, que se sentou ao lado do marido. Mostrou a ele que estavam na frente e que tinham de arregaçar as mangas para o segundo turno, opinião mais tarde reforçada pela visita do vice, José Alencar, e sua mulher, Mariza. Dez dias depois, de tênis e calça jeans, as duas ganharam as ruas de Brasília com panfletos nas mãos. “Marisa é uma pessoa envolvente e combativa”, definiu a amiga.

Assim é a primeira-dama: quieta, mas dona de uma força incalculável. Aos 56 anos, cuida dos problemas da família, administra as residências oficiais e reserva tempo para as obrigações do presidente. “Diariamente ela o acorda às 6h e o estimula: ‘Levanta e vamos caminhar”, conta Roberto Kalil, cardiologista de Lula há 16 anos. “Ela é determinada e companheira. Nunca a vi pra baixo. A genialidade dela está na simplicidade.” Quando Lula foi eleito em 2002, Kalil ligou dias depois para parabenizá-la e soube que Marisa estava no supermercado. “E daí?”, disse ela ao amigo surpreso com seu desprendimento. O jeito simples não mudou. “Tempos atrás dividimos um misto quente num bar”, conta Kalil.

No Palácio do Alvorada, onde teve de improvisar com baldes o controle de goteiras no primeiro ano de governo, Marisa comandou de perto a restauração, da escolha de tijolos ao tipo de grama. “Tive vontade de fotografar uma goteira, com uma bacia embaixo, ao lado de um Portinari. O que ela fez no Palácio foi incrível”, conta a médica Nana Miura, amiga há mais de 20 anos. Ela cuidou de Sandro, filho do casal, quando foi operado do coração, aos quatro anos.

Marisa é uma das primeiras-damas mais discretas que o Brasil já
viu. Só opina quando está sozinha com o marido, mas sua presença
é constante. “É ela quem controla a jornada dele. É a única pessoa, depois do secretário particular, Gilberto Carvalho, que tem poderes para alterar a agenda presidencial, se achar que ele anda muito estressado”, conta um amigo. De uma sala no terceiro andar do Palácio do Planalto, acompanha a movimentação política, analisa
os convites que recebe e participa de quase todas as solenidades
do presidente.

Como esposa de operário-sindicalista, Marisa sempre levou uma vida longe de luxos. “Quem faz a unha dela é ela mesma”, conta a amiga Claudia Cozer, endocrinologista da família. “E sempre me liga de Brasília para saber da saúde dos filhos.” Apesar disso, não se atrapalhou nos palácios. Recentemente, acompanhou a posse do presidente reeleito da Colômbia, Álvaro Uribes, no lugar de Lula. “Ela viveu como a grande maioria das mulheres brasileiras, sabe das dificuldades que elas enfrentam e o que fazer para melhorar o dia-a-dia de suas vidas. E isso ajuda o presidente no seu trabalho de mudar o Brasil”, afirma Maria de Fátima Mendonça, mulher do governador eleito da Bahia, Jaques Wagner.

Marisa gosta de receber os amigos íntimos para jogar cartas e tem prazer em comemorar datas. “Com ela não tem tempo ruim: festeja com a gente nas horas boas e nos conforta e dá força nas horas difíceis”, conta a amiga Nilza Aparecida, esposa do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. Para relaxar, gosta de pescar
e recorre à acupuntura. Ótima cozinheira, só vai para fogão vez
por outra, quando está com a família em São Bernardo do Campo
ou quando, para agradar o marido, prepara seu prato preferido: camarão à provençal.