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Ensaio
A nova estrela do SBT
Protagonista de Cristal, Bianca Castanho cursou fonoaudiologia e diz que Raul Cortez foi sua grande escola
 
Fantasminha Pluft. É assim que Bianca Castanho é conhecida pela maioria de seus colegas de elenco de Cristal. “Moramos no mesmo prédio desde maio e conto nos dedos quantas vezes eu a vi na piscina”, brinca Vera Gimenez, ao encontrar a atriz numa das mesinhas do deck do flat onde ficam hospedados os atores da novela do SBT. Antes que alguém pense que ela é anti-social, a gaúcha de 27 anos explica suas razões para aparecer tão pouco na área de lazer. “Tenho alergia ao sol, fico parecendo asa de borboleta”, diz, mostrando a área do rosto ao lado do nariz. “Além disso, funciono melhor de manhã para estudar o texto. Como gravo muito durante todo o dia, chego muito cansada à noite.”

Bianca sabe que o papel principal demanda mais trabalho. “Gravo uma média de quinze cenas por dia. Em Esmeralda, esse número chegava a trinta”, diz. A atriz é uma das campeãs de protagonistas das tramas da casa. Além de Cristal, foi a mocinha em outras duas novelas, Canavial de Paixões e Esmeralda. Mas, afinal, o que ela tem pra ser estar sempre à frente das novelas do canal de Silvio Santos? A atriz sai pela tangente. “Não sei, pergunta pra ele!”, brinca. “Todo mundo me pergunta se eu conheço o Silvio, mas só de ‘oi’ de longe. Eu adoraria.” Quem tem a resposta é Fernando Racoletta, diretor de dramaturgia do SBT. “Ela é a protagonista que todo mundo gostaria de ter. Ela veste a camisa e nunca nos deu trabalho. Respeita os colegas, só dá alegria”, afirma. “No que depender de mim ela estará sempre em minhas escalações.”

Desde pequena, Bianca queria ser atriz, mas na adolescência encontrou um problema para ser vencido: a timidez. “Do nada eu travei. E olha que nunca fui tímida, fazia de tudo, imitava Xuxa, Wanderléia, Madonna, fazia cenas de novela.” O problema foi resolvido com um empurrãozinho da mãe, a artista plástica Lígia Castanho. Folheando um jornal, ela viu o anúncio de um workshop para atores ministrado por Tony Carvalho, responsável pelo casting da Oficina de Atores da Globo. Lígia não titubeou e inscreveu a filha. “Disse a ela que não tinha escolha: ‘Você tem de fazer porque já está pago’, conta. Bianca fez o curso mas não criou expectativas. “Achava que não era pra mim. Tanto que fui cursar faculdade de fonoaudiologia.”

Oito meses depois, o telefone tocou. “Fui convidada para fazer a oficina e larguei tudo. Saí de Santa Maria e fui pro Rio”, conta. A partir de então sua carreira deslanchou, com papéis em Terra Nostra e Malhação. Formada em Artes Dramáticas, Bianca diz que seu grande aprendizado aconteceu fora da academia. “Raul Cortez foi minha grande escola.” Com o ator, falecido em julho deste ano, que conheceu em Terra Nostra, ela subiu pela primeira vez no palco, no texto de Shakespeare, Rei Lear. “Falo que fui abençoada. Em Terra Nostra não éramos do mesmo núcleo, e contracenamos uma única vez. Eu só tinha uma fala com ele e tremia muito. Ele percebeu que
eu estava nervosa e dizia ‘deixa de ser boba’!”, lembra a atriz, que depois foi convidada para a peça.

Bianca não pôde ir ao velório de Raul porque estava gravando o dia inteiro. “Mas rezei muito, sofri de verdade.” Apesar de tentar manter a discrição sobre sua vida pessoal, Bianca não conseguiu fugir do assédio da mídia recentemente, quando seu ex-namorado, Marcus Braga, foi visto ao lado de Ivete Sangalo. “Se ele não estivesse com quem está ninguém nem iria saber que eu estava solteira. Realmente foi um susto, uma exposição que eu não precisava ter”, diz. A atriz garante que já havia terminado com o empresário antes de ele namorar a cantora e não guarda ressentimentos. “Adoro um programa que sempre tem clipe dela e deixo lá, eu gosto. Qual o problema? Ele faz parte do meu passado. Pela primeira vez na vida estou solteira e vou curtir esse momento.”