Procuradora de Justiça de Pernambuco, Andrea
Nunes enxerga na corrupção um dos males
mais difíceis de se combater. Aos 34 anos,
publicou Terceiro Setor – Controle e Fiscalização
(Método, 200 págs.,
R$ 38) sobre lavagem de dinheiro em ONGs. Ela conversou
com Gente.
O que a levou a escrever
o livro?
Como atuei com fiscalização
de entidades, senti dificuldades de encontrar bibliografia
sobre o assunto. Faltava esse apoio e juntei o que
conhecia sobre terceiro setor e corrupção
no livro.
Por que ONGs são
terrenos férteis para a corrupção?
Antes, a corrupção
era praticada nos órgãos públicos.
Depois dos mecanismos de controle, gerou-se uma dificuldade.
A corrupção
migra para onde não há amarras. ONGs
são atrativas para lavagem de dinheiro. Para
ser criada não precisa nem sequer de conta
bancária ou CNPJ. Quando se tenta rastrear
dinheiro que “ficou limpo” (vindo
de doações) e se esbarra numa ONG, perde-se
o rastro. A não identificação
do doador dificulta.
Todas as ONGs são
problemáticas?
Não. E é por isso
que levanto a bandeira de aumentar o controle, para
privilegiar as que são sérias. É
o setor que mais gera trabalho no País e
é uma forma de não cair na desilusão.
Mas pode haver uma descrença, caso continuem
a surgir casos de corrupção.
Você colabora
com ONGs?
Não, mas acompanho várias.
Dou palestras quando convidada, contribuo de maneira
pontual. Por uma questão ética, procuro
me manter afastada.
O que foi melhor na
experiência como escritora?
Nada é igual a escrever sobre algo que pode
mudar a realidade das pessoas. Ver que coisas podem
acontecer a partir do que você
escreve é ótimo.