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Pequena Miss Sunshine

Sucesso nos Estados Unidos, longa de estréia
de Jonathan Dayton e Valerie Faris cria alguma
graça ao expor personagens ao ridículo

Paulo Santos Lima

Divulgação
Família atravessa os Estados Unidos para
participar de concurso de beleza no filme
consagrado no Festival de Sundance
O cinema exige uma ética? Pergunta difícil. Certo é que a abordagem de cada filme merece um cuidado na exposição dos personagens. Consagrado no Festival de Sundance, a meca dos independentes, e sucesso de público nos Estados Unidos, Pequena Miss Sunshine se encaixa nesta questão. O primeiro longa da dupla Jonathan Dayton e Valerie Faris, que tem um gordo currículo na direção de clipes, pode não ser um achado estético, mas provoca e cria alguma graça. Todos os personagens são apresentados como esquisitos e, nesta vampirização, nem mesmo o mundo infantil é poupado.

Pequena Miss Sunshine segue a tendência do cinema independente norte-americano. Centra foco na família, expondo bizarrices e crises para resumir um país em frangalhos, como se viu no recente Eu, Você e Todos Nós, de Miranda July. Há o avô (Alan Arkin) devasso e viciado em heroína, o pai (Greg Kinnear) falido financeiramente e em sua autoridade, a mãe (Toni Collette) meio baqueada, o tio intelectual suicida (Steve Carell), o filho rebelado com a vida e a tal caçulinha, Olive (Abigail Breslin). Meio gordinha, ela usa óculos fundo de garrafa e é classificada por engano para um concurso de miss infantil. Disposto a não naturalizar as esquisitices, o filme ganha fôlego com a epopéia estabelecida a partir do convite para o concurso de beleza. Rumo à tentativa de estrelato, a família pega uma Kombi e cruza os Estados Unidos, desnudando cacoetes da cultura norte-americana e lavando roupa suja.

Essa virada se dá em tom cômico, claro, o que funciona muito bem, principalmente pelo talento dos intérpretes. O registro para o riso encontra associação no cinema de Todd Solondz (Felicidade e Histórias Proibidas), que também debocha dos personagens num determinismo que os prende em suas desgraças. Pequena Miss Sunshine não chega a ser tão bem-sucedido quanto as realizações de Solondz, mas a seqüência do concurso, que critica ferozmente a indústria de consumo, define o propósito dos diretores. Iniciados pela MTV de Beavis&Butt-Head e afins, o importante para eles é tirar sarro. Nem que para isso seja necessário expor qualquer um ao ridículo. Escola MTV.