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Reportagem
Plantando o amor
Filha de uma ex-mulata do Sargentelli, a atriz de Bicho do Mato Janaína Lince decorou seu casamento com folhas tropicais, conheceu o marido na ponte aérea e ficou noiva nas pirâmides do Egito
 
“Foram 200 convidados. Ninguém foi de terno, mas vi gente
de bermuda”, diz a atriz sobre seu casamento, que ocorreu
numa praia e teve marcha nupcial tocada por atabaques
O boxer Neve destruiu as duas bananeiras que Janaína Lince plantou em casa. Esse é um dos contratempos que a intérprete da advogada Maria Elisa, de Bicho do Mato, da Record, tem de superar para finalizar os trabalhos de jardinagem no imóvel que divide com o marido desde o casamento, no início do ano. Depois de refazer banheiros, cozinha, retirar carpetes e trocar fiação e encanamentos, ela, agora, quer replantar as bananeiras e completar o espaço com pés de maracujá, acerola, jabuticaba, limão, hortelã, boldo, camomila, folha de uva e babosa. Antes, porém, teve de desfazer os planos do marido, o editor e livreiro Evandro Martins Fontes, 45 anos, que queria construir no local uma raia para nadar. “Falei: ‘Não. Vai nadar na academia, meu bem!’”, conta a atriz de 30 anos.

Janaína não iria abrir mão de mexer com terra em casa. Já no casamento, ela deu provas disso ao decorar o local com plantas tropicais, como folha de bananeira e helicônias. O casamento não foi nada convencional. Evandro comprou o vestido de casamento de Janaína em Madri, de um estilista libanês. A atriz, que é filha de uma ex-mulata do Sargentelli e canta na banda Afonjah, do padrasto, entrou na cerimônia, realizada em janeiro na praia de Maresias (SP), ao som de uma percussão de atabaques tocando a marcha nupcial. “Foram 200 convidados. Ninguém foi de terno, mas vi gente de bermuda”, diverte-se Janaína, que, na Globo, atuou nas novelas Celebridade e Um Anjo Caiu do Céu.

A atriz conheceu o marido na ponte aérea, numa manhã de sábado de agosto de 2004. Sentada no ônibus que a transportaria até o avião, ela conversava com uma amiga. “Esse avião podia nos levar para Paris”, disse a amiga. “Eu não queria ir para Paris, não. Preferia a Jamaica, Haiti”, rebateu a atriz. De frente para as duas, Evandro, que conheceu in loco a ditadura daquele país, interrompeu: “Desculpe. Tem certeza de que quer mesmo ir para lá?”. A conversa esticou e, no avião, Evandro viajou no banco de trás de Janaína.

“Eu não sou mulherengo, aquele homem que fica rodeando a mulher, que assedia. Mas quando a vi de pé no saguão do aeroporto, senti uma energia boa e pensei: ‘Vou me aproximar e ficar pertinho dela. E fiquei’.” No desembarque no Rio de Janeiro, a atriz soube que Evandro ficaria três dias na cidade. “Gosto de vir para o Rio...”, falava Evandro. “E vi no jornal que vai ter um show da Mart’nália”. Meio sem jeito, os dois combinaram de se falar. Uma hora depois, Evandro ligou para a atriz, dizendo estar com dois ingressos para o show.

Desde então, não se desgrudaram mais – apesar de o primeiro beijo só ter acontecido na semana seguinte após ele ter pedido a atriz em namoro. No Natal do mesmo ano, o casal ficou noivo em frente às pirâmides do Egito, onde trocar carícias em público não é muito bem visto. “A troca de aliança e o beijo foram bem rapidinhos”, lembra Evandro, que tem uma visão particular sobre as passagens românticas do casal. “As histórias acontecem para aqueles que sabem contá-las.”