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Mulheres promovem greve de sexo para combater a violência
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Comédia
Lisístrata
Ferrez erra a mão ao adaptar clássico
grego para a favela paulistana
Fernando Oliveira
Para reverenciar os clássicos, alguns autores se arriscam em modernizá-los e nem sempre são bem-sucedidos. É o caso de Ferrez em Lisístrata. Profundo conhecedor dos problemas sociais, o escritor e rapper transporta a comédia grega escrita por Aristófanes em 411 a.C. para a favela paulistana. Com o objetivo de acabar com o conflito entre os morros do Maluf e do Lalau e combater o tráfico de drogas, Lisístrata (Renata Airoldi) propõe que as mulheres da comunidade promovam uma greve de sexo com os maridos.

Poderia ser interessante se a peça não descambasse para o moralismo com um discurso piegas. Sim, todo mundo sabe que a cachaça pode viciar, que parte da favela vive do tráfico, mas esse tipo de alerta não funciona com as frases feitas que dominam o texto de Ferrez e parecem propaganda barata. O cenário com postes e tevês funciona. O destaque, porém, são as atuações de Pedro Paulley e Paula Lopez. Renata Airoldi, no papel-título, até tenta segurar a onda, mas não tem o potencial que a personagem exige. No entanto, não há como negar que o texto promove um recorte interessante da periferia brasileira. Só precisava de mais força, o que fica claro no final morno. Periferia piegas.

Teatro Fábrica São Paulo – r. da Consolação, 1.623, São Paulo, tel. (11) 3255-5922.
Até 26/11.