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Os integrantes do RBD,
com os uniformes da
novela. Em pé, Christian, Anahí e Maite;
sentados,
Dulce Maria, Christopher e Alfonso |
Eles estão fazendo a maior turnê internacional da história do Brasil: até o dia 8 de outubro, serão 13 shows em 12 capitais, com um público total estimado em 300 mil pessoas. Os responsáveis por esses números não são roqueiros com décadas de estrada, como U2 e Rolling Stones, mas um sexteto mexicano com idades entre 19 e 23 anos, astros de uma novela exibida pelo SBT. Desde que os porto-riquenhos do Menudo conquistaram crianças e adolescentes na década de 80, a América Latina não produzia um fenômeno pop juvenil como o grupo RBD.
“São tempos fundamentalmente diferentes, mas
acho que o RBD é, neste momento, o grupo pop de maior
popularidade mundial. O alcance de sua música já
não tem fronteiras”, disse à Gente
o produtor Pedro Damian, responsável pelo sucesso da
banda. Foi ele que, em 2004, escalou Dulce María Saviñón,
Anahí Portillo, Maite Perroni, Christopher Uckermann,
Alfonso Herrera e Christian Chávez para protagonizar
a novela Rebelde. Na trama, seis estudantes de um
colégio aristocrático formam um grupo pop, mas
o conjunto transcendeu a ficção e já
vendeu mais de 5 milhões de CDs e DVDs, 1,6 milhão
só no Brasil.
Os integrantes do RBD têm praticamente a mesma origem.
Christian e Maite cursaram o Centro de Educação
Artística da Televisa, produtora da novela, e Dulce
María, Alfonso e Anahí haviam participado de
Clase 406, o trabalho anterior de Pedro Damian. Até
o caçula Christopher, 19 anos, já tinha três
novelas no currículo. Segundo Damian, ninguém
teve privilégios na escalação para o
RBD, nem mesmo Anahí, uma cantora pop bem-sucedida,
com três discos gravados. “Ela fez o casting
como todo mundo e foi a última a chegar. Havia gravado
um disco, mas não havia continuidade em sua carreira
como cantora. Com o RBD, está tendo”, diz o produtor.
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A banda já vendeu 5 milhões de CDs e DVDs no
mundo (1,6 milhão de cópias no Brasil) e gravou versões em português de seus discos de estúdio |
Além da habilidade para cantar e dançar, o
sexteto conta com a boa forma para conquistar o público.
As meninas usam decotes, shortinhos e minissaias e os rapazes
aparecem freqüentemente sem camisa, exibindo as tatuagens
pintadas, antes de cada show, pelo caracterizador Ulises Hernandez.
Romances também apimentam a fórmula, tanto na
novela como na vida real. Anahí já namorou Christopher
e Alfonso, que, por sua vez, foi namorado de Dulce María
por dois anos. Como a vida pessoal dos ídolos movimenta
os fãs tanto quanto seus passos musicais, surgiu até
uma história de que o contrato com a Televisa proíbe
as mulheres do RBD de engravidar e os homens de se envolver
em escândalos. A informação é negada
por Pedro Damian. “O contrato não contempla assuntos
relacionados à ética”, diz. No México,
o RBD já fez campanha pelo uso da camisinha, para conscientizar
os jovens que acompanham os romances calientes da
novela. Também foi com o intuito declarado de ajudar
o público que Anahí assumiu que teve anorexia
na adolescência. Dos 17 aos 19 anos (hoje está
com 23), ela passou por três clínicas de recuperação
e precisou ser reanimada após uma parada cardíaca
de oito segundos.
Para o público brasileiro, no entanto, o drama que
marcou a trajetória do RBD foi outro. No dia 4 de fevereiro
de 2006, a banda fez uma sessão de autógrafos
no estacionamento de um hipermercado de São Paulo,
atraindo cerca de 15 mil fãs. Quando improvisaram um
pocket-show, a multidão correu em direção
ao palco e três pessoas morreram pisoteadas: Cláudia
Cristina Oliveira Souza, 38, Fernanda Silva Pessoa, 13, e
Jennifer Xavier Mattos, 11. Após a tragédia,
fazer uma turnê pelo País praticamente se tornou
uma dívida da banda com o público brasileiro,
contemplado com versões em português dos três
álbuns de estúdio do RBD: Rebelde, Nuestro
Amor e Celestial, cuja gravação começou
na segunda-feira 18, logo que o grupo chegou a Manaus, primeira
parada da turnê. No dia seguinte, em uma entrevista
coletiva, Alfonso, o “rebelde” preferido das meninas,
comentou da dificuldade em aprender o idioma nacional. Praticante
de capoeira e fã do futebol brasileiro, ele declarou
que havia ficado com dor no maxilar de tanto ensaiar as canções
em português. 
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