Reportagens  
 Envie esta matéria para um amigo
Música
Fenômeno Rebelde

Sucesso entre crianças e adolescentes, o grupo mexicano RBD, formado na novela Rebelde,
estrela a maior turnê internacional da história do País, já vendeu 1,6 milhão de discos no Brasil
e tenta apagar a imagem da tragédia ocorrida em fevereiro, quando três fãs morreram num show
texto Diógenes Campanha
Divulgação
Os integrantes do RBD, com os uniformes da
novela. Em pé, Christian, Anahí e Maite; sentados,
Dulce Maria, Christopher e Alfonso
Eles estão fazendo a maior turnê internacional da história do Brasil: até o dia 8 de outubro, serão 13 shows em 12 capitais, com um público total estimado em 300 mil pessoas. Os responsáveis por esses números não são roqueiros com décadas de estrada, como U2 e Rolling Stones, mas um sexteto mexicano com idades entre 19 e 23 anos, astros de uma novela exibida pelo SBT. Desde que os porto-riquenhos do Menudo conquistaram crianças e adolescentes na década de 80, a América Latina não produzia um fenômeno pop juvenil como o grupo RBD.

“São tempos fundamentalmente diferentes, mas acho que o RBD é, neste momento, o grupo pop de maior popularidade mundial. O alcance de sua música já não tem fronteiras”, disse à Gente o produtor Pedro Damian, responsável pelo sucesso da banda. Foi ele que, em 2004, escalou Dulce María Saviñón, Anahí Portillo, Maite Perroni, Christopher Uckermann, Alfonso Herrera e Christian Chávez para protagonizar a novela Rebelde. Na trama, seis estudantes de um colégio aristocrático formam um grupo pop, mas o conjunto transcendeu a ficção e já vendeu mais de 5 milhões de CDs e DVDs, 1,6 milhão só no Brasil.

Os integrantes do RBD têm praticamente a mesma origem. Christian e Maite cursaram o Centro de Educação Artística da Televisa, produtora da novela, e Dulce María, Alfonso e Anahí haviam participado de Clase 406, o trabalho anterior de Pedro Damian. Até o caçula Christopher, 19 anos, já tinha três novelas no currículo. Segundo Damian, ninguém teve privilégios na escalação para o RBD, nem mesmo Anahí, uma cantora pop bem-sucedida, com três discos gravados. “Ela fez o casting como todo mundo e foi a última a chegar. Havia gravado um disco, mas não havia continuidade em sua carreira como cantora. Com o RBD, está tendo”, diz o produtor.

Divulgação
A banda já vendeu 5 milhões de CDs e DVDs no
mundo (1,6 milhão de cópias no Brasil) e gravou versões em português de seus discos de estúdio

Além da habilidade para cantar e dançar, o sexteto conta com a boa forma para conquistar o público. As meninas usam decotes, shortinhos e minissaias e os rapazes aparecem freqüentemente sem camisa, exibindo as tatuagens pintadas, antes de cada show, pelo caracterizador Ulises Hernandez. Romances também apimentam a fórmula, tanto na novela como na vida real. Anahí já namorou Christopher e Alfonso, que, por sua vez, foi namorado de Dulce María por dois anos. Como a vida pessoal dos ídolos movimenta os fãs tanto quanto seus passos musicais, surgiu até uma história de que o contrato com a Televisa proíbe as mulheres do RBD de engravidar e os homens de se envolver em escândalos. A informação é negada por Pedro Damian. “O contrato não contempla assuntos relacionados à ética”, diz. No México, o RBD já fez campanha pelo uso da camisinha, para conscientizar os jovens que acompanham os romances calientes da novela. Também foi com o intuito declarado de ajudar o público que Anahí assumiu que teve anorexia na adolescência. Dos 17 aos 19 anos (hoje está com 23), ela passou por três clínicas de recuperação e precisou ser reanimada após uma parada cardíaca de oito segundos.

Para o público brasileiro, no entanto, o drama que marcou a trajetória do RBD foi outro. No dia 4 de fevereiro de 2006, a banda fez uma sessão de autógrafos no estacionamento de um hipermercado de São Paulo, atraindo cerca de 15 mil fãs. Quando improvisaram um pocket-show, a multidão correu em direção ao palco e três pessoas morreram pisoteadas: Cláudia Cristina Oliveira Souza, 38, Fernanda Silva Pessoa, 13, e Jennifer Xavier Mattos, 11. Após a tragédia, fazer uma turnê pelo País praticamente se tornou uma dívida da banda com o público brasileiro, contemplado com versões em português dos três álbuns de estúdio do RBD: Rebelde, Nuestro Amor e Celestial, cuja gravação começou na segunda-feira 18, logo que o grupo chegou a Manaus, primeira parada da turnê. No dia seguinte, em uma entrevista coletiva, Alfonso, o “rebelde” preferido das meninas, comentou da dificuldade em aprender o idioma nacional. Praticante de capoeira e fã do futebol brasileiro, ele declarou que havia ficado com dor no maxilar de tanto ensaiar as canções em português.