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“Essa coisa de
computador, orkut, não passa pela minha
cabeça. Tenho tão pouco tempo para me dedicar
aos amigos
que tenho, vou fazer novos?”, diz a atriz |
Não convide Maria Padilha para ir a Nova York –
ela tem medo de ser barrada no aeroporto. O motivo: as tatuagens
de hena de inspiração árabe-oriental
que ela fez no braço e na perna esquerda para protagonizar
a peça Antônio e Cleópatra, que
está em cartaz em São Paulo após uma
temporada no Rio de Janeiro. “Há toda uma tensão
com o mundo árabe no momento. No Carnaval fui a Paris,
entrei numa loja superchique e as mulheres me olhavam assim...
Aí explicava que estava fazendo Cleópatra numa
peça e elas achavam o máximo”, conta.
Há nove meses com os desenhos de uma flor de lótus
e uma serpente no corpo, a atriz já se afeiçoou
às tatuagens. “Adoro quando ficam prontas, mas
fico com ódio quando começam a sair e ficam
manchadas, parece doença de pele.”
Antônio e Cleópatra encerrou um ciclo
de cinco anos de Maria longe dos palcos. O trabalho foi fundamental
para a atriz se recuperar de dois grandes baques sofridos
em 2005. Em abril, ela perdeu o pai, Antar Padilha Gonçalves,
um conceituado dermatologista. Dois meses mais tarde, foi
a vez de sua irmã mais velha, Anna Luisa, falecer,
vítima de um câncer no pulmão. “Anna
era meu esteio, minha segunda mãe”, diz ela,
que perdeu a mãe Maria Noemia aos 10 anos. “Meu
pai morreu também por não agüentar ver
a filha passar por tudo o que passou. Ela teve um câncer
muito agressivo, durou um ano e meio. Primeiro, tirou o pulmão,
depois um tumor no cérebro. Foi meio torturante. Um
homem não vive 89 anos para ver uma filha morrer”,
diz. “Tinha dia que estava saindo do hospital após
visitar minha irmã e logo tinha que voltar, ao mesmo
hospital, pois meu pai estava sendo internado.” Amigo
e diretor de Antônio e Cleópatra, Paulo
José elogia o que ele chama de “valentia”
de Maria. “Ela é batalhadora, corajosa, aceita
grandes desafios e não se deixa abater. Os dramas da
vida ela resolve como uma grande artista”, diz.
Aos 46 anos, Maria Padilha diz que a chegada dos 50 não
chega a assustar, mas mexe com alguns aspectos fundamentais
de sua vida. “Dá uma certa urgência, de
não perder mais muito tempo com certas coisas... Se
eu pudesse, desconhecia metade das pessoas que conheço.
Essa coisa de computador, orkut, não passa pela minha
cabeça. Tenho tão pouco tempo para me dedicar
aos amigos que tenho, vou fazer novos? Sou que nem o Roberto
Carlos, já tenho um milhão de amigos”,
brinca a atriz, que já foi casada três vezes
– nenhuma no papel –, mas não teve filhos.
A idéia, porém, não foi descartada. “Biologicamente
ainda posso ter filhos se eu quiser. E também tem a
opção de adotar, que é tão interessante
quanto. Tenho pensado muito nisso de uns três anos para
cá. Estou amadurecendo (a idéia), quase
amadurecida”, afirma. E quanto a mais um casamento?
Ela diz que toparia, mas com uma condição: “Tem
que ser para morar em uma casa com muito espaço. Para
eu poder achar que sou solteira, quando quiser. E a outra
pessoa também, claro”, diverte-se.  |