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“Ele trazia equilíbrio. Se a gente
se via radicalizando para algum lado, aparecia o Bussunda para ponderar”, diz o diretor
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Carreira
Diretor do Casseta

José Lavigne, a mão que rege há 14 anos as piadas
do Casseta & Planeta, dirige o filme Seus Problemas
Acabaram
e fala da perda de Bussunda
texto Mariana Kalil
foto Leandro Pimentel
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Há pouco mais de três meses, quando o Brasil perdeu o humorista Bussunda, não seria exagero dizer que os fãs e telespectadores esperavam uma homenagem com merecida carga dramática no Casseta & Planeta seguinte ao seu desaparecimento repentino. Sobretudo na ilha de edição, a expectativa era essa. “Vocês estão loucos?”, assombrou-se José Lavigne, o homem por trás das câmeras do Casseta há 14 anos e diretor de Seus Problemas Acabaram, último longa da trupe. “Eu jamais daria um tiro no meu próprio pé! Sou um humorista, um comediante. É nisso que invisto, é disso que sobrevivo!” Lavigne mostrou que sua verve humorística se faz presente mesmo na adversidade e fez um programa recheado com os momentos mais hilários de Bussunda, uma perda, segundo ele, insubstituível. “Ele trazia equilíbrio. Se a gente se via radicalizando para algum lado, aparecia o Bussunda para ponderar”, diz o diretor, para quem todos se tornaram um pouco Bussunda para as relações ficarem mais harmônicas.

Têm sido assim, muito mais de riso do que de chororô, os 49 anos de vida e 30 de trajetória profissional de José Lavigne. O diretor tem seu nome impresso em alguns dos grupos de teatro mais influentes do País, como o Asdrúbal Trouxe o Trombone e o Manhas e Manias, formado por Débora Bloch, Pedro Cardoso, Andréa Beltrão e Chico Diaz. Por intermédio do diretor Guel Arraes migrou para a tevê para participar da direção da série Armação Ilimitada e, na seqüência, do TV Pirata. “O Lavigne tem uma forma muito generosa de dirigir”, descreve Ney Latorraca, ex-integrante do TV Pirata. “Uma de suas maiores qualidades é a capacidade de deixar o ator livre para trabalhar, sem produzir maiores interferências.”

Não que Lavigne não as faça quando julga necessário. Seus Problemas Acabaram, novo filme do Casseta & Planeta, é o exemplo mais recente de que o diretor coloca o dedo, sim, se for preciso. A cena em que se vê apenas a silhueta de Bussunda e Luana Piovani fazendo sexo, em uma alusão ao teatro de sombras, poderia ter sido muitíssimo mais forte. “Era uma enorme suruba!”, exclama Lavigne. No roteiro dos cassetas, a atriz levava o humorista para uma orgia. “Eu falei: ‘Pô, gente, eu não vou nem saber filmar isso dentro do nosso estilo. Ou fica muito barra pesada, ou cairá no ridículo”, disse. A cena foi mudada. Para ele, o segredo da longevidade do programa está no texto dos cassetas. “É irretocável em matéria de piada”, avalia.

O melhor intérprete dos cassetas, segundo ele próprio, também tem seus dias de humor de cão. Quando? “Quando acordo cedo e quando estou com fome”, avisa. O estado civil atual é solteiro. Mas Lavigne já foi casado duas vezes. Primeiro, durante dois anos, com a historiadora Maria Amélia Moraes, mãe de seu filho Tomé, de 20 anos. A segunda, durante 11 anos, com a cenógrafa Cláudia Alencar, de quem se separou há sete. Ultimamente só não se separa do maço de Marlboro. Fuma três por dia. “Mas não trago tudo, não”, garante. “No final, faço as contas e vejo que, na verdade, se tivesse fumado os cigarros inteiros, poderia contabilizar um maço só.” Tratando-se de um casseta, pode-se levar a sério. Ou não.