| Ela é inteligente, perspicaz, espontânea
e tem um raro senso de humor. São características
que os produtores da novela Páginas
da Vida utilizam para definir a personalidade
de Simone, personagem de Christine Fernandes.
A descrição, no entanto, cai como
uma luva para a atriz. Christine também
tem a voz mansa de Simone e um sentido de valorizar
o tempo presente. “Meu tempo é aqui
e agora”, diz a atriz, que estreou no horário
nobre da Globo com fôlego de estreante.
“Tudo entrou nos eixos”, comemora,
em um rápido intervalo das gravações,
acomodada no camarim do Projac. “Meu filho
fez três anos, já se comunica, começou
a aumentar seus horizontes, a desenvolver seus
gostos e vontades. É a hora de eu voltar
a viajar nos personagens.”
Em seu último trabalho na tevê,
na novela Essas Mulheres, da Record,
Pedro tinha apenas um ano e meio e necessitava
de atenção em tempo quase integral.
Retomar a vida profissional foi um processo
doloroso. “Nos primeiros três meses
eu chorei copiosamente. Mas meu filho saiu ileso,
sem trauma nenhum, e eu percebi que é
possível viabilizar o trabalho e a maternidade.”
Pedro foi um primogênito muito bem planejado.
Casados há cinco anos, Christine e Floriano
Peixoto estudaram a cartilha de pais de primeira
viagem como quem estuda as complexidades de
um personagem shakesperiano. “Nos preparamos
para o parto humanizado”, lembra ela.
“Queríamos que o Pedro viesse ao
mundo em um ambiente com luz baixa e música
de fundo. O parto seria de cócoras porque
é uma posição mais natural
e orgânica para a criança nascer
sem maiores traumas.”
Mas tudo não passou de um ideal. Christine
entrou na 42ª semana
de gestação e, sem dilatação,
precisou se submeter a uma
cesariana. “Mas consegui que meu filho
viesse ao mundo neste ambiente de paz.”
Floriano, diz ela, é um pai excepcional.
“Ele é
pai, mãe... um pãe!”, sorri.
“Floriano é o nosso norte. Sem
ele não estaríamos tão
bem.” Floriano retribui: “Ela é
uma mãe para filho algum botar defeito.
Ela é firme e doce ao mesmo tempo. Orienta
sem ser autoritária”, diz ele.
Nascida em Chicago, nos Estados Unidos, há
37 anos, viveu lá até os quatro
por conta do trabalho do pai, desenhista industrial.
A família retornou ao Rio de Janeiro
e, quando entrou na adolescência, ela
rumou sozinha para a Flórida para cursar
o segundo grau. A volta definitiva ao Brasil
aconteceu em 1994, data de sua estréia
na televisão na novela Quatro por
Quatro. Dona de um inglês fluente,
sem sotaque e com passaporte americano, poderia
ter optado por seguir carreira internacional,
mas preferiu morar no Brasil. Não descarta,
porém, a possibilidade de trabalhar em
Hollywood. Fez teste para viver a personagem
Helena de Tróia na superprodução
estrelada por Brad Pitt. “Mas descobri
que estava grávida de Pedro e acabou
não acontecendo”, diz. A possibilidade
de se transformar em uma superstar não
vira sua cabeça. “Acho meio cafona
essa mentalidade de que tudo que vem dos Estados
Unidos é melhor”, observa. “Depois
do Bush tenho um constrangimento maior de dizer
que sou americana.” Com Lula o sentimento
é outro – mas também não
tem nada de nobre. “Com Lula estou estupefata.”
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