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Marcelo Faustine/ Divulgação
“Queríamos que o Pedro viesse
ao mundo em um ambiente com
luz baixa e música de fundo. O parto seria de cócoras porque
é uma posição mais natural”,
conta Christine, que acabou se submetendo a uma cesariana
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Televisão
Christine pede passagem

Casada com o ator Floriano Peixoto, a atriz estréia no
horário nobre da Globo, em Páginas da Vida e conta
que sofreu para conciliar a profissão e a maternidade
texto Mariana Kalil
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Ela é inteligente, perspicaz, espontânea e tem um raro senso de humor. São características que os produtores da novela Páginas da Vida utilizam para definir a personalidade de Simone, personagem de Christine Fernandes. A descrição, no entanto, cai como uma luva para a atriz. Christine também tem a voz mansa de Simone e um sentido de valorizar o tempo presente. “Meu tempo é aqui e agora”, diz a atriz, que estreou no horário nobre da Globo com fôlego de estreante. “Tudo entrou nos eixos”, comemora, em um rápido intervalo das gravações, acomodada no camarim do Projac. “Meu filho fez três anos, já se comunica, começou a aumentar seus horizontes, a desenvolver seus gostos e vontades. É a hora de eu voltar a viajar nos personagens.”

Em seu último trabalho na tevê, na novela Essas Mulheres, da Record, Pedro tinha apenas um ano e meio e necessitava de atenção em tempo quase integral. Retomar a vida profissional foi um processo doloroso. “Nos primeiros três meses eu chorei copiosamente. Mas meu filho saiu ileso, sem trauma nenhum, e eu percebi que é possível viabilizar o trabalho e a maternidade.” Pedro foi um primogênito muito bem planejado. Casados há cinco anos, Christine e Floriano Peixoto estudaram a cartilha de pais de primeira viagem como quem estuda as complexidades de um personagem shakesperiano. “Nos preparamos para o parto humanizado”, lembra ela. “Queríamos que o Pedro viesse ao mundo em um ambiente com luz baixa e música de fundo. O parto seria de cócoras porque é uma posição mais natural e orgânica para a criança nascer sem maiores traumas.”

Mas tudo não passou de um ideal. Christine entrou na 42ª semana
de gestação e, sem dilatação, precisou se submeter a uma
cesariana. “Mas consegui que meu filho viesse ao mundo neste ambiente de paz.” Floriano, diz ela, é um pai excepcional. “Ele é
pai, mãe... um pãe!”, sorri. “Floriano é o nosso norte. Sem ele não estaríamos tão bem.” Floriano retribui: “Ela é uma mãe para filho algum botar defeito. Ela é firme e doce ao mesmo tempo. Orienta
sem ser autoritária”, diz ele.

Nascida em Chicago, nos Estados Unidos, há 37 anos, viveu lá até os quatro por conta do trabalho do pai, desenhista industrial. A família retornou ao Rio de Janeiro e, quando entrou na adolescência, ela rumou sozinha para a Flórida para cursar o segundo grau. A volta definitiva ao Brasil aconteceu em 1994, data de sua estréia na televisão na novela Quatro por Quatro. Dona de um inglês fluente, sem sotaque e com passaporte americano, poderia ter optado por seguir carreira internacional, mas preferiu morar no Brasil. Não descarta, porém, a possibilidade de trabalhar em Hollywood. Fez teste para viver a personagem Helena de Tróia na superprodução estrelada por Brad Pitt. “Mas descobri que estava grávida de Pedro e acabou não acontecendo”, diz. A possibilidade de se transformar em uma superstar não vira sua cabeça. “Acho meio cafona essa mentalidade de que tudo que vem dos Estados Unidos é melhor”, observa. “Depois do Bush tenho um constrangimento maior de dizer que sou americana.” Com Lula o sentimento é outro – mas também não tem nada de nobre. “Com Lula estou estupefata.”