Reportagens  
“Vou morrer, vou feder, como
todo mundo. Faço cocô, xixi,
mas me vêem como uma pessoa diferente, especial’, diz Xuxa
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Isto é Xuxa
texto Carla Felícia
 O mundo de Xuxa
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Um motivo para mau humor
“Não dormir. Aí meu sorriso não aparece, qualquer coisa que alguém fala já respondo um pouco mais agressiva. Prefiro não responder. Antes, falava sem pensar. Hoje, quando durmo pouco, já não falo bom dia, fico calada. Gosto de dormir dez, doze horas por dia”

O maior defeito
“Sou teimosa, cabeça-dura, egoísta. Só não sou teimosa quando as pessoas fazem o que eu quero. Mimada? Pode ser, em algumas ocasiões também. Mas sou mais cabeça-dura, boto uma coisa na cabeça e vou até o final”

A maior qualidade
“Ser verdadeira, o que assusta um pouco as pessoas. Tem gente que não está acostumada com a verdade e fica mexida com o que eu falo. Às vezes alguém pergunta: ‘Gostou?’ e eu respondo: ‘Não’. Se não queria ouvir, por que perguntou?”

Manias
“Dormir no escuro e com ar condicionado. Tem que estar muito escuro e muito frio. E tomar muito banho, três por dia. Lavo a cabeça em todos. Outro dia contei e tinha cinco sabonetes no banheiro. Um sabonete vai embora em dois, três banhos, porque me esfrego muito, com dois ao mesmo tempo. Escovo dente quatro, cinco vezes por dia. O dentista falou: ‘Você está gastando seus dentes, eles não vão ficar cariados, vão sumir’”

Xuxa dona-de-casa
“Não sei fazer comida. Faço sanduíche bem pra caramba, todo mundo adora. Faço salada, miojo. Também não sei passar roupa, mas se tiver que passar, eu passo”

Maior alegria na carreira
“A conquista da Argentina foi meu maior presente. A conquista do carinho dos brasileiros era uma coisa que eu via acontecer diariamente. Na Argentina, nunca pensei que fosse acontecer. Lá,
é como se eu estivesse numa cidade do Nordeste, onde poucos artistas podem ir. A cidade pára, eles ficam enlouquecidos, fanáticos, sobem em árvores, fazem absolutamente tudo para me ver, me chamam de diosa (deusa)”.

Um medo
“O de todo brasileiro: da violência. Não altero minha rotina em nada, mas tenho um carro preparado, uma segurança específica, toda uma estrutura para que nada aconteça. Todo mundo próximo de mim já foi vítima, até meus familiares. Eu, graças a Deus, ainda não”

Última vez que chorou
“Mês passado, quando perdi um passarinho chamado Iu. Ele nunca ficou preso, estava aprendendo a voar. Foi seguir a Sasha, bateu na parede e morreu na minha mão. Chorei muito, de dar dor de cabeça, de ficar inchada”

Sonho de consumo
“Já pedi muito, todo Natal eu peço, e ninguém me dá. Quero uma ilha. Mas não uma ilhazinha com mato. Quero com areia, água quente, golfinho nadando, segurança. Não sou de pedir muito (risos)”.