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| Patrícia
Pichamone e Nicole Cordery no
espetáculo de Eduardo Tolentino |
Nenhum espectador sai impune de uma boa montagem de
August Strindberg. Bem sabem aqueles que viram Credores,
em 2004, com Alessandra Negrini e Emílio de Melo,
e, agora, se sentem tentados a um outro mergulho na
obra do dramaturgo sueco com Camaradagem, o
novo espetáculo do grupo Tapa, de Eduardo Tolentino
de Araújo. Em comum, as duas peças têm
mulheres que lutam pela independência e homens
que não sabem lidar com isso. E também
a perfeita compreensão do universo do autor.
Bertha (Patrícia Pichamone) é uma
“camarada” de Axel (Tony Giusti). São
apaixonados por pintura e, numa troca de favores implícita,
se casam. O que era carinho vira competição
e humilhação e, apesar de ter sido escrito
em 1886, o texto denso e repleto de diálogos
corrosivos permanece cheio de atualidade no que diz
respeito às hipocrisias da sociedade e suas
posições levianas.
Camaradagem revela um novo Tapa. Comparado
às recentes montagens de Tolentino (Major
Bárbara e A Importância de Ser
Fiel), o intimismo desta proposta sobressai.
O diretor camufla o teor político do enredo
para desmascarar a incapacidade diplomática
das pessoas em lidar com as diferenças e oportunidades,
mesmo dentro de um pequeno grupo. Guerra dos sexos.
Viga Espaço Cênico
– r. Capote Valente, 1.323, São Paulo.
Tel. (11) 3801-1843. Até 29/10.
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