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R ao Contrário

Plebe Rude volta para pregar voto em
branco entre inéditas irregulares
mauro ferreira

"Seja alguém, vote em ninguém”, bradam os vocalistas da Plebe Rude, Philippe Seabra e Clemente, em “Voto em Branco”. O protesto tão atual, na verdade, data de 1981, mas só agora ganha registro fonográfico em R ao Contrário, o primeiro CD de inéditas da banda brasiliense desde 1993. Como esta letra já evidencia, o CD é bem fiel à ideologia do grupo, contemporâneo da Legião Urbana, mas frustra as expectativas dos fãs que esperaram tanto por um novo álbum da Plebe Rude.

R ao Contrário chega ao mercado 20 anos depois do lançamento de O Concreto Já Rachou, um dos discos mais importantes do rock dos anos 80. Mas o fato é que a Plebe Rude nunca mais reeditou o brilhantismo desta estréia fonográfica. Em R ao Contrário, as letras afiadas pregam contra o conformismo social com discurso político bem construído. As músicas, porém, nem sempre acompanham a virulência dos versos. “O que se Faz”, com inusitado arranjo de gaita de foles, “Mil Gatos no Telhado” e a faixa-título até se impõem entre o repertório irregular. Mas, no todo, fica claro que não basta ser rude para rachar o concreto da descrença nacional com os rumos do Brasil. Descompasso.