| Paulinho da Viola não tem disco novo na
praça, logo, muitos devem
se perguntar a razão de ele estar com show
em São Paulo. Existe
uma explicação simples. Convidado para
inaugurar o Teatro Fecap,
o sambista reuniu sua banda, que conta com o luxuoso
piano de Cristóvão Bastos, para matar
a saudade dos paulistanos. Mas, na verdade, a explicação
é outra. Paulinho não pára de
produzir e se, por cegueira do mercado, está
longe dos estúdios desde 1996, isso não
significa que não tenha o que cantar.
O show é pura simplicidade. Leva apenas o
nome do compositor, tem uma iluminação
casual e é no repertório que se percebe
a diferença. É visível que a
obra do compositor ganha uma arejada em inéditas
ao lado de novos parceiros. Com Marisa Monte e Arnaldo
Antunes, Paulinho fez “Talismã”,
samba de levada convencional no melhor sentido da
expressão, e do encontro com Eduardo Gudin
resultou “Sempre se Pode Sonhar”. Sozinho,
flerta com a bossa nova em “Ela Sabe quem Eu
Sou” e é lírico em “Bela
Manhã” e, numa época de inúmeros
CDs ao vivo injustificáveis, o público
até pensa que dali sairia um belo disco.
Mesmo diante dos clássicos, Paulinho foge
do previsível. Traz “Coração
Leviano”, “Dança da Solidão”,
“Timoneiro” e pouco mais. Prefere inserir
um bloco de choros e, coruja, abrir espaço
para um solo de violão do filho João
Rabello. E é na dele que Paulinho sai do palco,
vendo na cara do público que os salgados R$
80 cobrados pelo ingresso no Teatro Fecap valeram
a pena. Um possível CD.
Teatro Fecap – av. da Liberdade,
532, São Paulo, tel. 0800-551902. Até
8/10.
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