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Madeleine: estilo agridoce
da nova diva
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Jazz
Half the Perfect World

Inspirada na voz e no estilo de Billie Holiday,
Madeleine Peyroux apresenta seus méritos
mauro ferreira

Apesar do nome de origem francesa, Madeleine Peyroux é uma cantora norte-americana que alcançou projeção nos últimos dois anos com o CD Careless Love (2004), que vendeu mais um de milhão de cópias. Além do timbre de sua voz lembrar muito o de Billie Holiday (1915 – 1959), Peyroux transita em atmosfera de blues tal qual sua antecessora, embora também possa ser rotulada como intérprete de jazz – exatamente como Billie. Tanto que, em seu terceiro disco, Half the Perfect World, Peyroux ainda não consegue dissociar seu nome da mítica colega, embora tenha méritos próprios de sobra.

Lançado um mês depois da reedição no mercado brasileiro do álbum de estréia da cantora (Dreamland, 1996), o CD justifica o recente oba-oba em torno de Peyroux. Não tanto por suas incursões como compositora, mas sobretudo pela combinação do repertório. A artista harmoniza temas de Leonard Cohen, Charles Chaplin, Johnny Mercer e até Serge Gainsbourg, de quem interpreta “La Javanaise” em francês desenvolto. Momento especialmente belo é o dueto com a canadense k.d. lang em “River”, de Joni Mitchell. Half the Perfect World tem caráter melancólico – como as gravações de Billie Holiday, a propósito – e tom quase monocromático que realça o estilo agridoce da nova diva do jazz. Uma nova estrela.