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| Filme
de Johnny To mostra violência sem armas de fogo |
É curioso assistir, às vésperas das
eleições brasileiras, a um filme de Hong
Kong que acompanha a votação democrática
do novo líder de uma tríade criminosa. Eleição
– O Submundo do Poder, de Johnny To, é
um drama de ação que mostra uma tradição
civilizada em meio a um universo de absoluta contravenção.
Quem ganha a eleição é Lok (Simon
Yam), representante jovem e culto para comandar a ilegalidade.
Mas o intempestivo Big D (o astro local Tony Leung Ka
Fai) questiona a decisão e dá início
a uma cisão que pode gerar uma guerra sem precedentes.
A partir de uma premissa típica de um filme
de ação explosiva, o cineasta Johnny To
explora tanto a violência física quanto
a psicologia do poder. O jogo de manipulação
nos bastidores é desenvolvido na elipse e no
subtexto. Não interessa a To apenas o espetáculo
da agressão, mas também as perigosas sutilezas
dos laços de sangue e afinidade.
Apesar de desconhecido no Brasil, Johnny To, cujo
o interessante Breaking News – Cidade em Alerta
saiu apenas em DVD, representa uma marca forte no moderno
cinema chinês, com uma filmografia pontuada pela
estética e pela testosterona. Eleição
– O Submundo do Poder parte de um gênero
cinematográfico para subverter algumas de suas
regras. Não há tiros, nem se vislumbra
uma única arma durante toda a trama. A democracia
se impõe na porrada, e o espectador só
tem a ganhar com esta obra viril. Braço forte.
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