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Eleição – O Submundo do Poder

O cinema de Hong Kong apresenta de
forma inovadora uma sucessão na máfia

Christian Petermann

Divulgação
Filme de Johnny To mostra violência sem armas de fogo
É curioso assistir, às vésperas das eleições brasileiras, a um filme de Hong Kong que acompanha a votação democrática do novo líder de uma tríade criminosa. Eleição – O Submundo do Poder, de Johnny To, é um drama de ação que mostra uma tradição civilizada em meio a um universo de absoluta contravenção. Quem ganha a eleição é Lok (Simon Yam), representante jovem e culto para comandar a ilegalidade. Mas o intempestivo Big D (o astro local Tony Leung Ka Fai) questiona a decisão e dá início a uma cisão que pode gerar uma guerra sem precedentes.

A partir de uma premissa típica de um filme de ação explosiva, o cineasta Johnny To explora tanto a violência física quanto a psicologia do poder. O jogo de manipulação nos bastidores é desenvolvido na elipse e no subtexto. Não interessa a To apenas o espetáculo da agressão, mas também as perigosas sutilezas dos laços de sangue e afinidade.

Apesar de desconhecido no Brasil, Johnny To, cujo o interessante Breaking News – Cidade em Alerta saiu apenas em DVD, representa uma marca forte no moderno cinema chinês, com uma filmografia pontuada pela estética e pela testosterona. Eleição – O Submundo do Poder parte de um gênero cinematográfico para subverter algumas de suas regras. Não há tiros, nem se vislumbra uma única arma durante toda a trama. A democracia se impõe na porrada, e o espectador só tem a ganhar com esta obra viril. Braço forte.