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No outro tom da risada
Feliz com a filha de proveta, Tom Cavalcante afina Megatom, diz que terá canal de tevê, conta que só superou a morte da mãe depois de 25 anos e anuncia que vai se casar

Cláudia Carneiro

Edu Lopes
Com a filha Maria Antônia, nascida dez anos depois de Tom ter feito uma vasectomia: “Ela dorme comigo e Patrícia na nossa cama”

Gisele Vitória Não faz tanto tempo, Silvio Santos soube que Tom Cavalcante enfrentou, em dois dias de chuva, uma fila para participar do Show de Calouros do SBT e foi recusado. Foi uma das primeiras tentativas do ex-radialista cearense Antônio José Rodrigues Cavalcante de entrar, em 1984, para o meio artístico. Hoje, ao recordar o episódio esparramado num sofá de sua cobertura de 1.000 metros quadrados em São Paulo, avaliada em mais de US$ 2 milhões, Tom imita o dono do SBT: “‘Você sabe quantos... quantos Tom Cavalcante existem pelo Brasil?’. Foi assim a bronca que deu no produtor que me dispensou.”

Aos 38 anos, consagrado como um dos maiores humoristas do País, Tom leva uma vida para lá de confortável. Quase sempre recolhido em casa com a mulher, Patrícia Lamounier, ele cria sete pássaros à beira da piscina – entre papagaios e a maritaca Tita, que anda pelo apartamento sem medo do cão schnauzer Duna. O humorista vive dias de encanto com as reações da filha Maria Antônia, de dois meses. Na hora do choro, a menina só dorme com o hit “Xibom Bombom”, do grupo As Meninas. Quando não precisa estender até tarde as gravações do Megatom, ele costuma levá-la para sua cama, de madrugada. Há pouco mais de um mês no comando do programa, que já teve picos de audiência de 37 pontos nas tardes de domingo na Globo, Tom Cavalcante diz que está afinando o tom. O programa, que estreou como um musical de humor, sofre reformulações. Como é à tarde, o humor escrachado é contido. “Tive que pegar leve no texto, mas já estou me soltando. O improviso é o caminho mais curto para o erro mas é a minha praia”, diz ele, orientado pela diretora-geral da Globo, Marluce Dias da Silva, a fazer humor para família. “Estou driblando. Outro dia mandei uma e passou. Disse que não ia ao enterro da minha sogra porque quem enterra bosta é gato.”

Aos burburinhos de que está insatisfeito, Tom responde que é mentira. “Estamos acertando o passo e o programa tem muito para melhorar.” Mário Meirelles, um dos diretores, confirma que não há descontentamentos. “Entramos no ar no meio de um tiroteio, com Gugu Liberato botando mulher pelada no ar”, relata Meirelles. O programa chegou a sair da programação antes da estréia, e voltou. “O Tom é um diamante que está sendo lapidado. Levamos um ano para colocá-lo no ar e entramos na marra. Estamos longe do que queremos, temos 30% do que podemos fazer.” Para acertar, o comediante trabalha de 10 horas às duas da madrugada nas gravações. Nesse ponto, fazer rir é para ele coisa seriíssima. “Sou profissional ao extremo, não dou mole para ninguém. Às vezes não me torno cativante por causa da atenção total ao que faço”, diz. Mas para os que o chamam de chato, retruca: “Esses não tiveram que batalhar para entrar na portaria da Globo.”

Ele explica que sua seriedade resulta de sofrimentos que enfrentou. “Apanhei muito e agradeço a Deus essas provações”, diz. “Quando ingressei no Chico Anysio Show como redator, minha filha Ivete dava as primeiras respostas à sobrevivência dela”. Ivete, hoje com 15 anos, nasceu com cinco meses e duas semanas, medindo 26 centímetros. Quando a menina nasceu prematura, em 1985, Tom precisou deixar o emprego que conseguira como redator do programa e voltar para Fortaleza. Nessa época, correu atrás de uma ama de leite de madrugada. O retorno ao Rio só aconteceu quatro anos depois. Antes, para conseguir o primeiro emprego com Chico Anysio, penou. Tom lhe pediu uma chance e o humorista lhe perguntou se escrevia. “Claro”, mentiu. “Então me manda uns textos”, retrucou Chico. Aflito, procurou o amigo Nonato Albuquerque, colega de locução da Rádio Verdes Mares, de Fortaleza. “Ele escreveu os textos e eu assinei”, conta Tom. “Isso é que é generosidade. Afinal, ele podia ter ido no meu lugar.” Hoje âncora de um jornal da TV Jangadeiro, do Ceará, Nonato diz que Tom pegou o jeito rápido. “Ele disse: ‘Rapaz, me socorre’. Mas a essência era dele, só dei uma mãozinha.”

Tom pede a opinião dos amigos sobre seu desempenho. Há poucas semanas, jantou com Raimundo Fagner. Queria que o cantor participasse de um quadro de música em seu programa, mas Fagner não aceitou. “Eu disse, ah Tom, não vou não. Não gosto de paródia, acho palhaçada”, diz. Eles ficaram íntimos nos shows de campanha do governador do Ceará, Tasso Jereissati, em 1986. Fagner hospedou Tom no Rio. Com o sucesso, a relação se estremeceu. “Achava que o Tom era maduro e não se deslumbraria. Mas ele teve um delírio com a fama”, diz Fagner. “Me incomodei com a forma como ele passou a tratar as pessoas e a andar com o nariz empinado.”

Com o padrinho Chico Anysio é diferente. A briga que culminou com um processo na Justiça movido por Chico, que recebeu R$ 88 mil, nunca foi superada pelo criador da Escolinha do Professor Raimundo. “Não há nada a ser superado”, diz Chico. “Não preciso chamá-lo de mau caráter porque ele sabe que é.” Chico conta que eles combinaram um preço que Tom deveria lhe pagar pelo show É Cana & Brava. “Eu montei, ensaiei e dirigi o show para ele. E ele fazia shows escondidos para não me pagar”, ataca. Chico diz que nunca assistiu ao Megatom, para não ter o que avaliar, mas afirma que o sucesso de Tom não se deve a ele, e sim ao talento do conterrâneo, que começou como radialista que quase virou jogador profissional de futebol. Tom resume que espera ser convidado para participar do quadro de Alberto Roberto, no Zorra Total. Mas Chico Anysio descarta: “De modo nenhum isso vai acontecer”.

Depois de sua brusca e controvertida saída do elenco de Sai de Baixo, Tom investiu na retirada do Megatom da gaveta da direção da Globo, o que durou um ano. Talvez tenha pago pelo erro de se despedir do programa fora da hora. “Não houve castigo. Mas assumo que deslizei. Foi uma iniciativa infantil”, diz Tom. “Combinei com a doutora Marluce que faria os últimos programas e ela comunicaria ao elenco que eu sairia. Mas viajei na maionese.” Hoje, mais comedido e feliz com os dois DVDs de Charles Chaplin que ganhou de aniversário de Marluce Dias, Tom lembra que é ele quem precisa da Globo. Além do salário na emissora, faz 120 shows por ano – dos quais vêm a maior fatia de seu faturamento. São espetáculos em casas noturnas e ginásios pelo País, que reúnem até 16 mil pessoas, ou em convenções, pelas quais costuma cobrar entre R$ 20 mil e R$ 40 mil.

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