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Música

Fernanda, mãe de sangue bom
Fernanda Abreu grava CD enquanto amamenta a filha recém-nascida e controla as compras da casa

Viviane Rosalem

Leandro Pimentel
“Ser mãe é participar. Do contrário, não tem a menor graça”, diz Fernanda, no pequeno estúdio que montou nos fundos de casa, com a filha Alice, de três meses

Viviane Rosalem Fernanda Abreu tira de letra as múltiplas funções de mãe, mulher, dona-de-casa, cantora e compositora. Com o nascimento da segunda filha, Alice, de três meses, ela concluiu que, hoje, ser mãe é o seu “melhor papel”. Para os que duvidam, Fernanda adotou, há 15 dias, uma rotina diferente ao começar a gravar o quinto CD. Vai ao estúdio só à tarde e volta para casa de três em três horas para amamentar a filha recém-nascida. “Antes, ficava 12 horas seguidas num estúdio”, diz. A gravidez não foi planejada, mas a cantora já havia decidido que queria ter um segundo filho para fazer companhia à primogênita Sofia, de sete anos. Aproveitou os nove meses da gestação para compor, no pequeno estúdio que construiu nos fundos de sua casa, no Jardim Botânico, zona sul do Rio.

Previsto para ser lançado em agosto, o novo CD terá 12 canções inéditas, sobre cidades. Nada mais natural para quem já compôs “Rio 40 Graus”, que ficou tão identificado com o Rio que ganhou o segundo lugar no concurso promovido pela Globo para eleger a música da cidade. Durante o concurso, Fernanda se surpreendeu com a filha mais velha, com quem também exercita o estilo mãezona. “Ela me advertiu: ‘Cidade Maravilhosa’ (a vencedora) é muito melhor”, lembra. “Não sei o quanto estava sendo sincera ou implicante”, diverte-se. Fernanda procura educar a filha com liberdade, até na hora de escolher o que ouvir. Leva e busca na escola, freqüenta reuniões de pais, confere deveres de casa. “Ser mãe é participar. Do contrário, não tem graça”, diz.

Com 38 anos e casada há 16 com o designer gráfico Luís Stein, Fernanda valoriza o companheirismo, mas espera mais do casamento. “É legal estar sempre transando e desejando aquela pessoa, ter ciúmes de vez em quando, namorar sempre.” Troca de bilhetes, namoro ao telefone durante a noite quando estão viajando e o hábito de dar satisfações são comuns entre eles. “Tem sempre o telefonema para despachar as coisas de casa, filhos e trabalho e aquele no qual você passa horas falando te amo, estou com saudades”, diz ela. O casal se conheceu em 1981, no Teatro Castro Alves, na Bahia. Luís fazia o cenário do espetáculo do grupo de dança Coringa, do qual Fernanda participava. “No primeiro encontro, ele me deu o bolo”, conta. Depois de três anos começaram a namorar.

Nessa época, Fernanda se dedicava à dança. Sempre teve o apoio dos pais, o arquiteto Armando Abreu e a dona-de-casa Vera Sampaio Lacerda, que homenageou colocando as iniciais S.L.A. (Sampaio de Lacerda Abreu) antes do título dos três primeiros discos de sua carreira solo – Radical Dance Disco Clube (1990), Be Sample (1992) e Da Lata (1996). Os três somados ao quarto CD, Raio X, venderam 860 mil cópias. “Fernanda conquistou um espaço único com o seu samba-funk”, diz o presidente da gravadora EMI, Aloysio Reis. Ele a compara com Rita Lee. “As duas saíram de grupos conceituados e deram certo em carreira solo.”

A entrada de Fernandinha na música foi em 1982, aos 20 anos, como backing vocal da Blitz. A menina de cabelos espetados, corpo ágil e voz estridente conquistou os fãs e ajudou a banda liderada por Evandro Mesquita a vender, até depois de acabar, em 1986, mais de um milhão de discos. Mesquita descobriu Fernanda na casa de Márcia Bulcão, a outra backing vocal. “Precisava de uma cantora e apareceu aquela garotinha que tinha voz boa e sabia dançar”, lembra. O cantor e compositor Fausto Fawcett, parceiro em “Rio 40 graus”, acha graça no modo como Fernanda impõe respeito no palco: “Sempre resolve a situação com simpatia. E sabe expor suas idéias sem ser chata.”

Quem a vê sedutora sobre o palco não imagina a dona-de-casa disciplinada que é. Fernanda administra babá, cozinheira, faxineira e jardineiro. Faz o primeiro supermercado do mês para controlar gastos. “Se a água sanitária acaba antes do previsto, verifico como estão usando”, diz. Tem reclamado da falta de tempo para fazer ginástica, mas já perdeu quase os 12 quilos adquiridos na gravidez. Mas está longe de ter problemas com idade. “Só tive aos 29 anos. Era perto dos 30 e achava que era muito velha.”

 

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