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O cardeal da casa suja
Brasil Vita, o homem que mais vezes se elegeu vereador no País, é a esperança do prefeito Celso Pitta para barrar o processo de impeachment

Cesar Guerrero

Edu Lopes
A Câmara é um reflexo da cidade. E a cidade é suja, analfabeta, ignorante, agressiva, cheia de cortiços e favelas”, diz o vereador Brasil Vitta

O pedido de impeachment do prefeito Celso Pitta esbarra num obstáculo quase intransponível. A dor de cabeça da oposição atende pelo nome João Brasil Vita. O líder do governo, enraizado na Câmara há quase 40 anos, conhece como ninguém as entranhas do regimento interno da casa. No exercício de seu nono mandato, o maior defensor do prefeito usa toda essa experiência para atrasar e até interromper as votações contrárias aos interesses do prefeito. “Sempre fui coerente e apóio o prefeito até o fim”, afirma o vereador. “Não sou rato para abandonar o navio”, diz Vita, conhecido como o decano dos vereadores.

Aos 78 anos, Vita ostenta o título de presidente emérito da Câmara e seu nome batiza o salão nobre do Palácio Anchieta, sede do poder legislativo da cidade. Além de vereador mais antigo do País, foi o líder na Câmara durante as gestões de Olavo Setúbal e Paulo Maluf e seu melhor desempenho nas urnas é considerado um recorde nacional: 215 mil votos, em 1982 – o número é superior ao total de votos que elegeu o deputado federal Michel Temer (PMDB-SP), presidente da Câmara que teve 206 mil votos em 1998. “E olha que eu estava doente”, lembra o vereador referindo-se a um infarto que sofreu um mês antes da eleição.

O desempenho do vereador já não é tão brilhante. Nas últimas eleições, há quase quatro anos, fisgou 43 mil paulistanos nas urnas. “Meus eleitores estão morrendo”, justifica. Prestes a iniciar a sua décima campanha eleitoral, Vita não mostra entusiasmo. “A Câmara é um reflexo da cidade”, afirma. “E a cidade é suja, analfabeta, ignorante, agressiva, cheia de cortiços e favelas”, diz o vereador, apesar de passar a maior parte deste mandato defendendo o prefeito da avalanche de denúncias de corrupção. Vita detém ainda o controle da Administração Regional do Butantã, alvo de investigações do Ministério Público.

Filho de comerciantes de origem italiana que se estabeleceram no bairro do Cambuci, no centro da cidade, Brasil Vita foi preparado desde cedo para tornar-se advogado. Nunca trabalhou até concluir os estudos e dividia seu tempo entre os livros e as competições de remo no rio Tietê. O interesse pela política surgiu na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Levou um tiro no peito durante uma passeata contra o Estado Novo. “Os médicos não retiraram a bala”, explica o vereador. O ferimento valeu uma indicação para o cargo de secretário do Centro Acadêmico XI de Agosto, o órgão político dos estudantes.

Vita era advogado criminalista quando se tornou amigo de Jânio Quadros. Empolgado com o estilo populista de Jânio, decidiu concorrer a uma vaga na Câmara, em 1959. Na década de 70 deixou a área criminal para se dedicar ao direito civil. “Quando os ricos pararam de matar eu larguei o código penal”, diz. “Quem mata não tem dinheiro para pagar advogado”, justifica o vereador. Hoje Vita é sócio de um escritório no centro de São Paulo. Nos dias em que não há sessão na Câmara trabalha meio expediente no escritório. Viúvo desde 1991, o vereador acorda às cinco da manhã para fazer exercícios na esteira rolante, sob a supervisão de uma personal trainer.

 

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