Saúde  
A homeopatia hoje
Cada vez mais usada, a prática homeopática
foi ampliada este ano para SUS e é arma
contra o uso excessivo de antibióticos
Sergio Eiji Furuta
DIIVULGAção
Sergio: São Paulo sedia primeiro simpósio fora da Europa
A história da homeopatia na medicina é marcada por sucessivos embates e argumentações em torno de sua eficácia no plano prático e de seus atributos científicos no plano epistemológico. Apesar do extensivo uso com resultados positivos, ainda é insuficientemente compreendida, e até antagonizada pela comunidade médica acadêmica.

Várias explicações foram propostas para o mecanismo de ação dos medicamentos homeopáticos, com destaque a uma possível “memória da água”, idéia confirmada em estudo usando espectrometria infravermelha, publicado na conceituada revista Nature (março de 2005). Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a homeopatia é o segundo sistema médico mais usado no mundo, com gastos acima de US$ 1 bilhão. É largamente empregada em países como Alemanha e França, e prescrita por 20% a 30% dos médicos. No Reino Unido, é oferecida no Serviço Nacional de Saúde, e conta com cinco hospitais homeopáticos. Nos EUA é usada por mais de 2,5 milhões de pessoas.

No Brasil, a portaria 971 do Ministério da Saúde, de maio de 2006, criou a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no Sistema Único de Saúde (SUS), ao autorizar o uso da homeopatia. Isso beneficiará a população, além de reduzir custos. A prática previne várias doenças, o que reduz internações hospitalares. O menor custo de remédios homeopáticos em relação aos alopáticos é uma grande vantagem.

Uma parcela expressiva da população brasileira procura o tratamento homeopático para fugir da dependência de medicamentos tradicionais, como antibióticos, antiinflamatórios, antialérgicos e corticóides, beneficiando-se com um método terapêutico mais natural, que prioriza, individualiza o paciente e o trata como um todo.

O 20º Simpósio do GIRI (Grupo Internacional de Pesquisa em Sistemas Dinamizados), de 15 a 17 de setembro, em São Paulo, ocorre pela primeira vez fora da Europa. Reunirá pesquisadores de vários países que desenvolvem estudos voltados para ultradiluições, dentre elas homeopatia.

A vinda para a América decorre do incremento das pesquisas científicas nas universidades latino-americanas, do aumento de cursos de formação em homeopatia e da sua inserção no serviço de saúde pública com destaque para o Brasil, que vem assumindo posição de liderança na área. O potencial do mercado consumidor da América Latina, em especial do nosso país, atrai a atenção até de empresas estrangeiras relacionadas a produtos alimentícios, farmacêuticos e veterinários.

A homeopatia (grego, homolos = semelhante + pathos = doença ou sofrimento) é um método terapêutico proposto pelo médico alemão Samuel Hahnemann, em 1796, que usa medicamentos derivados de substâncias vegetais, minerais e animais, capazes de produzir no homem sintomas semelhantes aos relatados pelo doente (princípio da semelhança). A posição de vanguarda da homeopatia brasileira tem sido realçada em vários artigos, inclusive em publicações da própria OMS.

Sergio Eiji Furuta É médico pediatra formado pela Escola Paulista de Medicina/Unifesp; pesquisador homeopata do Depto. de Otorrinolaringologia da UNIFESP; professor e mestre em Homeopatia pela Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo/FACIS

 
Pílulas
 

» A homeopatia trata o doente e não só a doença. Remédios homeopáticos são quase isentos de
efeitos colaterais e são baratos

» A família real britânica se trata com homeopatia há 150 anos

» Introduzida no Brasil em 1840, foi reconhecida como especialidade médica em 1980 pelo Conselho Federal de Medicina e integra hoje o quadro das 52 especialidades aceitas pelo CFM

» Na Disciplina de Otorrinolaringologia Pediátrica da Unifesp, um protocolo de pesquisa estuda a rinite alérgica tratada homeopaticamente. Em 2002, realizei pesquisa com crianças que tinham amigdalites de repetição, e, após tratamento homeopático, não precisaram de cirurgia