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“Serão quatro meses de luta.
Vai dar tudo certo’’, diz Eliana Tranchesi, ao falar sobre
o tratamento a uma amiga |
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Um
alerta para todos |
| O tumor diagnosticado
no pulmão esquerdo de Eliana Tranchesi é
um adenocarcinoma, tipo mais comum entre os não
fumantes. “Depois de 15 anos sem fumar, ela
já é considerada uma não fumante”,
diz o especialista, que é cauteloso ao apontar
as prováveis causas da doença, entre
elas o estresse a que a dona da Daslu esteve submetida
nos últimos meses. “Não dá
para generalizar e dizer que estresse causa câncer.
Mas é bom ficar com a pulga atrás da
orelha, embora não haja estatísticas
para comprovar esta relação de causa
e efeito”, afirma o oncologista Artur Katz,
do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
No caso de Eliana, trata-se de um tumor localizado,
que foi diagnosticado precocemente. Ainda assim, a
empresária será submetida a quatro meses
de quimioterapia e a cerca de 30 sessões de
radioterapia. O câncer de pulmão é
o terceiro tipo mais comum entre os brasileiros, segundo
dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA).
Pode acometer qualquer pessoa, mas sua incidência
é 40 vezes maior entre os fumantes. |
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Capa
"Vou ficar boa"
Quatorze meses depois
de ter sido presa, a empresária
Eliana Tranchesi, dona da Daslu, retira um tumor maligno
do pulmão esquerdo e enfrenta com vitalidade, fé e o
apoio da família a batalha para vencer o câncer |
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texto
Eliane Trindade |
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Dez dias
depois de ser operada para a retirada
do nódulo no pulmão esquerdo, Eliana já
estava trabalhando na Daslu |
Na tarde da sexta-feira 8, a empresária Eliana
Tranchesi passeava pelos corners da Daslu
– ícone do consumo de luxo no País,
fundada por sua mãe há 48 anos –,
quando foi abordada por uma cliente. “Acabei
de sair do hospital”, ela disse a Eliana.
“Estava internada para tirar um tumor no
seio e uma das primeiras coisas que eu quis fazer
quando tive alta foi vir aqui.” A cena foi
presenciada por uma ex-dasluzete, como são
conhecidas as vendedoras da Daslu. A cliente buscava
no prazer das compras uma trégua antes
da quimioterapia e encontrou na dona da Daslu
palavras de carinho e de incentivo. Mas não
sabia que Eliana Tranchesi está vivendo
um drama parecido: em 23 de agosto, ela descobriu
um nódulo no pulmão esquerdo. Dois
dias depois, era confirmado o diagnóstico
de câncer. Em 26 de agosto, a empresária
foi submetida a uma cirurgia para retirada do
tumor. Procurada por Gente, Eliana preferiu
não dar entrevista sobre o seu estado de
saúde, com o argumento de que agora a sua
principal preocupação é o
tratamento da doença. Nessa nova batalha
que teve início 14 meses depois de sua
prisão numa operação da Polícia
Federal, a empresária vem surpreendendo
a todos pela força e pela coragem.
Enquanto o mundo inteiro parava na segunda-feira
11 de setembro para lembrar os cinco anos dos
atentados às torres gêmeas em Nova
York, Eliana começava na mesma data uma
guerra muito particular. Foi o dia escolhido
pelos médicos para o início da
quimioterapia, tratamento capaz de aterrorizar
a muitos. Não a Eliana. Dias antes de
começar as sessões que vão
se estender por quatro meses – a última
está prevista para 8 de janeiro de 2007
–, a dona da Daslu exalava confiança
pelos corredores da loja. “Serão
quatro meses de luta. Vai dar tudo certo e vou
ficar boa.” A frase virou uma espécie
de mantra e foi dita a várias pessoas
que ligaram para se solidarizar com a empresária
nas últimas semanas. Com a convicção
de que câncer deixou de ser sinônimo
de morte quando diagnosticado e tratado precocemente,
como parece ser o seu caso, ela assumiu uma
postura positiva. Eliana Tranchesi acredita
na cura. Católica praticante, prefere
encarar a doença como mais um desígnio
de Deus. “Eliana não tem revolta
nem fica perguntando por que isso aconteceu
com ela. Tenho certeza de que se sentiu muito
mais impotente quando se defrontou com o irmão
preso novamente”, afirma um parente que
pediu para não ser identificado, referindo-se
a Antônio Carlos Piva de Albuquerque,
diretor financeiro da Daslu. O irmão
de Eliana voltou para a prisão em 16
de agosto. Foi solto, por efeito de uma liminar
do Superior Tribunal de Justiça, em 6
de setembro – em mais um lance da ação
judicial movida contra a Daslu.
O inferno astral de Eliana começou
em 13 de julho de 2005, quando foi desencadeada
a Operação Narciso, movida pelo
Ministério Público, Receita Federal
e Polícia Federal. A saúde da
empresária, que desde então vive
sob constante estresse, começou a preocupar
os familiares. Seu ex-marido, o cardiologista
Bernardino Tranchesi, com quem foi casada por
19 anos, resolveu tomar providências.
Dias depois da nova prisão do irmão,
convenceu Eliana a se submeter a um check-up.
“Não é possível passar
por tudo o que ela passou e o corpo não
responder de alguma forma”, disse Tranchesi
a um colega que examinou a empresária
a seu pedido. Eliana foi virada do avesso. O
primeiro susto veio logo com o exame de sangue
alterado, que fez os médicos solicitarem
uma bateria de novos e sofisticados exames.
Dois dias depois, era descoberto o nódulo
que a levou ao consultório do oncologista
Artur Katz. Eliana tinha estado ali antes para
acompanhar uma prima e contou a uma amiga que
na ocasião pensou: “Espero nunca
entrar aqui como paciente”. Quando se
descobriu nesta condição, estava
na companhia do ex-marido. Confirmado o diagnóstico,
Bernardino a encaminhou para um outro colega
do Hospital Israelita Albert Einstein, em São
Paulo. O escolhido foi o cirurgião Riad
Younes, especialista em tórax, que decidiu
pela operação o quanto antes.
A boa notícia: o câncer era um
problema localizado e não havia sinais
de outros nódulos no corpo.
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