 |
“Escrever sobre quem não se conhece só é
possível ao se falar de aparência. Wilde e Nietzsche
diziam que os tolos não lhe prestam atenção.
Para escapar deste juízo obrigo-me a entender o que vi:
a foto de Márcio Garcia na internet. ‘Eu acho que
vi um gatinho’, diz Piu-piu à aproximação
sorrateira de Frajola. Clichê cabível para uma poética
sobre o belo moço da foto. Bonitinhos são ameaçadores?
Que se pergunte para provocar. Que dizer do moço além
de metáforas sobre suas harmonias corporais? O que se pode
ver de quem é representado nos jornais, na televisão?
Não a pessoa por inteiro. Um lado seu? Figura geométrica
com lados jamais vistos como as nuas nas revistas, cuja essência
alguém sempre supõe existir. Existe? Quem vê
o belo, sempre é platônico, pensa no que está
além do que vê. Ver os bonitos na televisão
implica um mundo de teorias: ver é contemplar, contemplar
é fazer teoria sobre algo, explicar o que podemos ver.
Nestas horas, a televisão – se soubéssemos
vê-la – nos ensinaria os limites da visão.”
|