Reportagens  

“É muito desagradável ir tomar
um café da manhã, abrir um
jornal e ver uma coisa (crítica) negativa”, diz Sílvia, sobre
sua estréia na tevê, em 1990,
em Boca do Lixo, da Globo

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Teatro
Uma estréia sem medo

A atriz Sílvia Pfeiffer, que pela primeira vez na carreira atua
em teatro, afirma que tinha medo dos palcos por causa das
críticas que recebeu na sua estréia na tevê, 16 anos atrás,
e fala dos dois anos em que morou em Portugal
texto Jonas Furtado
fotos ALEXANDRE SANT’ANNA
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Aos 48, a ex-modelo está casada há 24 anos
e é mãe de Emanuela, 21, e Nicholas, 13

Era noite da quarta-feira 12 de julho em São Paulo. Dois dias antes da estréia oficial, o elenco da peça Um Marido Ideal havia encarado o primeiro teste de fogo em público: um ensaio especial para convidados e espectadores escolhidos por meio de promoções em programas de rádio e sites da internet. Em uma celebração a portas fechadas, o ator e aniversariante Lafayette Galvão recebeu os parabéns de todos os colegas e ofereceu o primeiro pedaço de bolo a uma companheira de cena, que também vivia uma data marcante. “A primeira fatia é para a Sílvia, porque esse é o primeiro dia dela como atriz de teatro”, anunciou Lafayette, referindo-se a Sílvia Pfeiffer.

Aos 48 anos, a atriz fazia sua estréia no teatro na pele de Lady Gertrude Chiltern. Sílvia já ensaiava esse debute há um bom tempo, mas não o fez e assume o porquê: “Entre várias coisas, como dúvidas quanto ao elenco e diretor, eu tinha medo mesmo”. Tal sentimento surgiu depois que sua atuação na minissérie Boca do Lixo, na Globo, em 1990, foi muito criticada. O trabalho marcava a estréia dela – que era modelo e acostumou-se com os aplausos nas passarelas, principalmente da Europa – na carreira de atriz. “É muito desagradável ir tomar um café da manhã, abrir um jornal e ver uma coisa (crítica) negativa”, recorda-se ela. “E (na época de Boca do Lixo) não foi uma, foram várias. Isso me gerou muito medo, muita insegurança.”

Sílvia aceitou o desafio dos palcos e o convite para Um Marido Ideal ao retornar ao País, após morar dois anos em Portugal. Na Europa, curtiu a proximidade com o marido, o empresário Nélson Chamma Filho, 48, com quem está casada há 24 anos, e os filhos, Emanuela, 21, e Nicholas, 13. “Foi um projeto de família. Achamos que seria um momento importante para os nossos filhos, de termos uma convivência mais intensa”, explica a atriz.

O marido dela, que atua no ramo de mineração, conta que a família levou para Portugal uma pessoa de confiança do Brasil, para ajudar no dia-a- dia. Mas tanto ele quanto Sílvia se empenhavam nas tarefas. “Ou eu ou a Sílvia fazíamos compras. No final de semana, cozinhávamos. A Sílvia cozinha bem. Ela diz que não, mas tem um bom toque, faz boas massas, com brócolis e rúcula”, elogia ele. Nélson ressalta ainda outro fator positivo da passagem por Portugal: “Resgatamos um respeito, um maior conhecimento um do outro. Aprendemos a respeitar os espaços, porque convivíamos em um apartamento menor, apenas um computador para usar, cada um tinha que respeitar os limites”.

Sílvia conta que, ano passado, fez um balanço de sua vida, motivado pela proximidade de seu 50º aniversário. A crise dos 50 anos, porém, fez a atriz olhar para o futuro e analisar para onde poderia crescer pessoal e profissionalmente. E o teatro sempre esteve entre as prioridades. Hoje, a idade não a assusta, mas a faz investir. “O tempo que tenho agora é outro”, afirma. “Tem muita coisa que já não dá mais para fazer. Não posso mais ser uma bailarina, mas posso me tornar uma atriz de teatro.”