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A
tatuagem
Desde janeiro deste ano, Sandy carrega na pele
uma tatuagem na nuca. Muito mais do que traduzir
um sentimento, para a cantora, ela significa
liberdade afetiva. Quase toda adolescente já
teve vontade de fazer uma tatuagem – e
com Sandy não foi diferente. Quase sempre,
o pai é o principal obstáculo
entre o desejo e a realização
– com Sandy, também não
foi diferente. “Ficava meio apreensiva:
‘Ai, ai,
será que eu conto que fiz? Será
que eu conto antes de fazer?’”,
receava a cantora, que realizou alguns ensaios
antes de tatuar na nuca as palavras “Omnia
Vincit Amor”.
Sandy tirou de uma antiga jóia a frase
em latim do poeta romano Virgílio (que
significa algo como “o amor vence tudo”).
A primeira vez em que bateu a vontade de tatuar
a pele foi em 2005. Ela estava acompanhada do
namorado, Lucas Lima. “Ele foi retocar
a tatuagem dele. Já gostava dessa frase
e pedi para o tatuador desenhar em mim. Achei
linda, parecia uma jóia pendurada na
minha nuca. Como eu estava meio doente, fui
embora. Queria voltar na semana seguinte. Não
rolou”, conta Sandy. Um ano mais tarde,
a vontade voltou com força total. A cantora
pediu ao maquiador que refizesse o desenho em
sua nuca. Em casa, não parava de se olhar
no espelho e ganhou o apoio do namorado e da
mãe, Noeli. No dia seguinte, uma viagem
marcada pela manhã foi transferida para
a noite. “Parecia coisa do destino”,
lembra ela, que não mostra a tatuagem.
Decidida de que era a hora, tramou a melhor
maneira de contar ao pai. O momento escolhido?
O almoço em família. “Pai,
estou com horário marcado para fazer
uma tatuagem”, disparou, sem cerimônias.
“Ããããã?”,
assustou-se Xororó. “Vou fazer
uma tatuagem”, insistiu Sandy. “O
quê???”, respondeu, incrédulo,
o pai. Percebendo o impasse, a mãe entrou
em defesa: “É uma coisa pequena,
discreta. Na hora que quiser, ela cobre com
o cabelo”. Em silêncio, Xororó
ouviu as ponderações e cedeu.
Tivesse o pai sido contra, nada teria mudado.
Sandy já estava determinada. “Não
tem mais aquela coisa de ‘não,
você não pode’
faz tempo, até porque não tenho
mais idade para pedir nada para
pai e mãe”, afirma. “Eu ia
fazer a tatuagem se meu pai não quisesse.
Mas ia fazer meio chateada por ele não
estar aprovando.” Independente financeiramente
há anos – com o dinheiro que ganhou
ao longo da carreira, a cantora poderia “fazer
o que quisesse”, como ela mesma ressalta
–, Sandy diz que o que a mantém
morando na casa dos pais é o vínculo
emocional e a confiança conquistada ao
longo dos anos. “Se eu precisasse procurar
liberdade fora da minha casa, eu iria. Mas tenho
o que preciso”, garante ela, que só
pensa
em sair de casa para casar.
150,160km/h
Sandy atribui às responsabilidades profissionais
assumidas ainda na infância o fato de
não ter sido uma adolescente rebelde.
Diz que não teve tempo para reivindicar
certos direitos comuns para quem já passou
dos 13, mas ainda não atingiu a maioridade.
O primeiro embate que teve com os pais foi para
poder dirigir o próprio carro, aos 18
anos. Xororó e Noeli, mesmo após
Sandy tirar a carteira de motorista, preferiam
que os seguranças da família guiassem
a filha pelas ruas de Campinas. “Bati
o pé (e disse): ‘sou responsável,
eu posso’. Eles compreenderam, passaram
a confiar mais em mim.”
É ao volante do carro que Sandy admite
realizar sua maior transgressão: guiar
velozmente. Dona de um jipe Toyota, ela diz
que já levou diversas multas por excesso
de velocidade, o bastante para quase perder
a carteira. “Sou um pouco louca... Ah,
não é louca... Dirijo rápido
demais, entendeu?”, assume, aos risos.
“Não é que dirijo perigosamente.
Presto muita atenção. Dirijo velozmente,
digamos. Sou um pouco aventureira para essas
coisas. Gosto da sensação de liberdade
que dá uma estrada em alta velocidade”,
completa, antes de revelar a velocidade máxima
que atingiu com o pé fundo no acelerador.
“Ai, ai, ai, minha mãe vai ficar
louca comigo... No carro do meu irmão,
já dei 150, 160 km/h.”
Fazer uma tatuagem e dirigir acima dos limites
da lei são tentações típicas
para uma garota rica de 23 anos. Mas, ao mesmo
tempo em que celebra suas conquistas, Sandy
convive com as desvantagens de se tornar mais
velha. Ela sabe que um simples pisão
no pedal do freio basta para parar seu carro
– mas já descobriu que não
há ferramenta ou santo a ser invocado
para diminuir a velocidade da ação
do tempo no corpo feminino. “Percebi que
depois dos 21 a gente começa a fazer
assim (faz sinal descendente com a mão),
começa a descida do corpo. De vez em
quando entro em desespero quando percebo alguma
coisa própria da idade. Depende da luz
que você olha, dá para ver uma
celulite que não via antes”, diz.
“Antes eu tinha que controlar para não
emagrecer demais. Hoje, se não me cuidar,
até engordo um pouco.”
A preocupação com a forma física
fez com que a cantora passasse a se exercitar
mais. Com uma academia em casa, ela faz musculação
de três a quatro vezes por semana, sob
a supervisão de um personal trainner.
Ela também evita frituras e hambúrgueres.
“Gosto mais de comida saudável:
arroz, feijão, salada e carne. Um bom
PF (prato feito) faz mais a minha cabeça.”
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