Reportagens  
“Sexo é uma extensão do amor”, diz a cantora, que namora o músico Lucas Lima há dois anos – eles se conhecem há sete – e
com quem tem a intenção de casar
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Nas curvas de Sandy

Aos 23 anos, com microfone em punho, ela empolga Caetano
Veloso. Fora dos palcos procura mostrar-se diferente, sem
perder o encanto da afinada menina de seis anos que o
Brasil aplaudiu também na adolescência. Hoje, a doce Sandy
confessa ser uma mulher veloz. Sua velocidade máxima bateu
a marca de 160 km/h e ela já levou várias multas. A outra
marca recente está localizada na nuca, escondida por uma
cortina de cabelos castanhos. Sandy decidiu tatuar-se e conta
a tática que usou para não desapontar o pai, o cantor Xororó.
Entre tentações juvenis, um desejo contundente: “nasci para
ser mãe”. Em setembro, a cantora sai em turnê internacional
com o CD Sandy & Junior, o 15º da carreira
texto Jonas Furtado
fotos edu lopes
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A tatuagem
Desde janeiro deste ano, Sandy carrega na pele uma tatuagem na nuca. Muito mais do que traduzir um sentimento, para a cantora, ela significa liberdade afetiva. Quase toda adolescente já teve vontade de fazer uma tatuagem – e com Sandy não foi diferente. Quase sempre,
o pai é o principal obstáculo entre o desejo e a realização – com Sandy, também não foi diferente. “Ficava meio apreensiva: ‘Ai, ai,
será que eu conto que fiz? Será que eu conto antes de fazer?’”, receava a cantora, que realizou alguns ensaios antes de tatuar na nuca as palavras “Omnia Vincit Amor”.

Sandy tirou de uma antiga jóia a frase em latim do poeta romano Virgílio (que significa algo como “o amor vence tudo”). A primeira vez em que bateu a vontade de tatuar a pele foi em 2005. Ela estava acompanhada do namorado, Lucas Lima. “Ele foi retocar a tatuagem dele. Já gostava dessa frase e pedi para o tatuador desenhar em mim. Achei linda, parecia uma jóia pendurada na minha nuca. Como eu estava meio doente, fui embora. Queria voltar na semana seguinte. Não rolou”, conta Sandy. Um ano mais tarde, a vontade voltou com força total. A cantora pediu ao maquiador que refizesse o desenho em sua nuca. Em casa, não parava de se olhar no espelho e ganhou o apoio do namorado e da mãe, Noeli. No dia seguinte, uma viagem marcada pela manhã foi transferida para a noite. “Parecia coisa do destino”, lembra ela, que não mostra a tatuagem.

Decidida de que era a hora, tramou a melhor maneira de contar ao pai. O momento escolhido? O almoço em família. “Pai, estou com horário marcado para fazer uma tatuagem”, disparou, sem cerimônias. “Ããããã?”, assustou-se Xororó. “Vou fazer uma tatuagem”, insistiu Sandy. “O quê???”, respondeu, incrédulo, o pai. Percebendo o impasse, a mãe entrou em defesa: “É uma coisa pequena, discreta. Na hora que quiser, ela cobre com o cabelo”. Em silêncio, Xororó
ouviu as ponderações e cedeu.

Tivesse o pai sido contra, nada teria mudado. Sandy já estava determinada. “Não tem mais aquela coisa de ‘não, você não pode’
faz tempo, até porque não tenho mais idade para pedir nada para
pai e mãe”, afirma. “Eu ia fazer a tatuagem se meu pai não quisesse. Mas ia fazer meio chateada por ele não estar aprovando.” Independente financeiramente há anos – com o dinheiro que ganhou ao longo da carreira, a cantora poderia “fazer o que quisesse”, como ela mesma ressalta –, Sandy diz que o que a mantém morando na casa dos pais é o vínculo emocional e a confiança conquistada ao longo dos anos. “Se eu precisasse procurar liberdade fora da minha casa, eu iria. Mas tenho o que preciso”, garante ela, que só pensa
em sair de casa para casar.

150,160km/h
Sandy atribui às responsabilidades profissionais assumidas ainda na infância o fato de não ter sido uma adolescente rebelde. Diz que não teve tempo para reivindicar certos direitos comuns para quem já passou dos 13, mas ainda não atingiu a maioridade. O primeiro embate que teve com os pais foi para poder dirigir o próprio carro, aos 18 anos. Xororó e Noeli, mesmo após Sandy tirar a carteira de motorista, preferiam que os seguranças da família guiassem a filha pelas ruas de Campinas. “Bati o pé (e disse): ‘sou responsável, eu posso’. Eles compreenderam, passaram a confiar mais em mim.”

É ao volante do carro que Sandy admite realizar sua maior transgressão: guiar velozmente. Dona de um jipe Toyota, ela diz que já levou diversas multas por excesso de velocidade, o bastante para quase perder a carteira. “Sou um pouco louca... Ah, não é louca... Dirijo rápido demais, entendeu?”, assume, aos risos. “Não é que dirijo perigosamente. Presto muita atenção. Dirijo velozmente, digamos. Sou um pouco aventureira para essas coisas. Gosto da sensação de liberdade que dá uma estrada em alta velocidade”, completa, antes de revelar a velocidade máxima que atingiu com o pé fundo no acelerador. “Ai, ai, ai, minha mãe vai ficar louca comigo... No carro do meu irmão, já dei 150, 160 km/h.”

Fazer uma tatuagem e dirigir acima dos limites da lei são tentações típicas para uma garota rica de 23 anos. Mas, ao mesmo tempo em que celebra suas conquistas, Sandy convive com as desvantagens de se tornar mais velha. Ela sabe que um simples pisão no pedal do freio basta para parar seu carro – mas já descobriu que não há ferramenta ou santo a ser invocado para diminuir a velocidade da ação do tempo no corpo feminino. “Percebi que depois dos 21 a gente começa a fazer assim (faz sinal descendente com a mão), começa a descida do corpo. De vez em quando entro em desespero quando percebo alguma coisa própria da idade. Depende da luz que você olha, dá para ver uma celulite que não via antes”, diz. “Antes eu tinha que controlar para não emagrecer demais. Hoje, se não me cuidar, até engordo um pouco.”

A preocupação com a forma física fez com que a cantora passasse a se exercitar mais. Com uma academia em casa, ela faz musculação de três a quatro vezes por semana, sob a supervisão de um personal trainner. Ela também evita frituras e hambúrgueres. “Gosto mais de comida saudável: arroz, feijão, salada e carne. Um bom PF (prato feito) faz mais a minha cabeça.”