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Ana Cristina, que está grávida de três meses, formou-se em Artes Cênicas e fundou a Companhia São Jorge de Variedades, que recentemente, apresentou quatro peças no Centro Cultural São Paulo
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Carreira
A bela primeira-dama do Esporte

Esposa do ministro Orlando Silva Jr., a atriz Ana Cristina
Petta conta que o conheceu em uma manifestação pelo
impeachment de Collor e diz que os dois gostam de
fazer roda de samba em frente à casa onde moram
texto Diógenes Campanha
foto claudio gatti
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Os enjôos e a decoração do quarto do bebê ocupam a cabeça da atriz Ana Cristina Petta, mas ela se preocupa também com a eleição presidencial de outubro. Grávida de três meses do primeiro filho, seu destino depende da reeleição do presidente Lula e do futuro do marido, o ministro do Esporte Orlando Silva Jr. “Se ele continuar em Brasília, vou com o bebê. Se não continuar, ele volta para São Paulo”, diz. Aos 30 anos, Tininha – ela prefere assinar assim porque os amigos só a conhecem pelo apelido – acostumou-se a ver a vida caminhar lado a lado com os destinos políticos do País.

Em 1992, quando cursava o ensino médio em Campinas (SP), ela participou das passeatas pelo impeachment do ex-presidente Fernando Collor. Em uma manifestação, viu Orlando, na época tesoureiro da UNE (União Nacional dos Estudantes), discursar no carro de som. Conheceram-se e ficaram amigos. Oito anos depois, os dois se reencontraram na Universidade de São Paulo, onde Tininha estudava Artes Cênicas. Orlando fazia Ciências Sociais e havia saído de um casamento de dois anos e meio. “No reencontro, a paixão rolou de cara. É engraçado, você conhece uma pessoa e, de repente, passa a vê-la de outro jeito”, diz Tininha.

Filiados ao PC do B, Tininha e Orlando decidiram morar juntos no final de 2002, mas ele recebeu o convite para assumir a Secretaria Nacional do Esporte no dia em que planejavam a mudança para um apartamento em São Paulo. Orlando teve de ir para Brasília, mas antes correu para uma loja de roupas masculinas. “A gente comprou um terno em três vezes, porque ele não tinha nenhum”, entrega Tininha. O ministro se explica: “Eu nunca tinha entrado num terno, só em casamento. Baiano não se interessa por formalidades”.

Em abril de 2006, Orlando tornou-se ministro. Em junho, Tininha viajou com o marido para ver a Copa do Mundo – pagando a própria passagem –, na Alemanha, e assistiu à estréia do Brasil da tribuna de honra. Lá, ao lado da primeira-ministra da Alemanha e várias autoridades, quebrou o protocolo quando a Seleção marcou um gol. “Levantamos e gritamos, mas todo mundo estava só batendo palmas. Quando percebemos, ficamos quietinhos”, conta.

Para não se deslumbrarem com os confortos do poder, Tininha e Orlando mantêm velhos hábitos, como fazer rodas de samba em frente à casa deles, que fica numa pequena vila, em São Paulo – o ministro até se arrisca na percussão. Também costumam ir ao teatro, influência da paixão de Tininha pelo palco. Desde criança, quando um tio, diretor de teatro, inventava peças nas festas de família, ela sonhava ser atriz. Fez um curso em Campinas, antes de ingressar na USP, onde formou, em 1999, a Companhia São Jorge de Variedades.

A trupe conta com um repertório de quatro peças – este ano, Tininha
e a Companhia ficaram três meses apresentando todas elas no
Centro Cultural São Paulo. A quinta, O Santo Guerreiro e o Herói Desajustado, deve estrear depois que o bebê de Tininha nascer. E
ela conta que a experiência como atriz deve ajudá-la na hora do
parto: “No teatro, temos muitos exercícios de respiração e de
contato com o próprio corpo. Quero me aprofundar nessas técnicas, para passar tranqüilidade para o bebê”.