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Sobre posar nua: "É um peso que só quem passou pela banca e se viu, sabe. Incomodou. Não na primeira vez, eu era muito nova. O (fotógrafo J.R.) Duran falou: 'Vamos fazer uma foto tomando mamadeira'. Achei o máximo, não via maldade, era muito idiota"
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Deborah nua e crua

Numa releitura de sua trajetória, Deborah Secco conta como
caiu em depressão ao descobrir que a profissão não era um
conto de fadas, assume não ter muitos amigos e diz que, depois
de 10 anos de terapia, aprendeu a controlar a própria vida
texto Carla Felícia
fotos alexandre sant'anna
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À primeira vista, Deborah Secco continua a mesma: bela, exuberante e sorridente, mesmo às 9h de uma quarta-feira. Alguns minutos de conversa, porém, e surge uma mulher bem diferente – mais madura em suas escolhas e, exatamente por isso, mais plena. “Saí de casa há oito anos e nunca havia pago uma conta. Agora, sou eu quem pago, tomei as rédeas da minha vida”, diz ela.

A atriz, de 26 anos, organizou suas férias – as primeiras desde
que sua carreira na Globo engrenou, há 11 anos – depois de América, em novembro. Isolou-se dois meses nos Estados Unidos e voltou disposta a controlar seus afazeres, sem a ajuda de assessores, secretários, empregados. “Quando voltar ao trabalho, estarei mais tranqüila porque sei que tudo está na minha mão”, assegura. O retorno ao trabalho se aproxima: no fim do mês, Deborah começa a gravar Pé na Jaca, próxima novela das sete, em que viverá a vilã da história, uma freira virgem.

Ao falar do novo papel, ela mostrou que seu poder de criar polêmica continua intacto, apesar das mudanças. Respondeu com ironia a um pedido do autor Carlos Lombardi para ficar dois meses sem sexo, como laboratório para a personagem. “Ele falou brincando e eu falei brincando também que é impossível. Disse a ele: ‘Acho que escalou a atriz errada, não vou conseguir, com meu namorado aqui, não dá’.”

Deborah namora há quase três anos o vocalista da banda O Rappa, Marcelo Falcão, 33 anos. E num intervalo das fotos, um telefonema dá a dimensão da paixão entre eles. “Príncipe, liguei só para dizer que te amo, te amo, te amo”, disse a atriz. Econômica ao discorrer sobre o namoro, Deborah surpreende ao revelar tristezas, temores e angústias: “Quando tive problema de tireóide, há quatro anos, chorava o dia inteiro deprimida, com o mundo à minha volta. Tinha tudo para ser feliz e não era”.

Como foi conviver com o problema da tireóide?
De enlouquecer. Engordei 22 quilos, cheguei a pesar 72. E a tireóide te dá uma depressão, uma preguiça. Não conseguia levantar da cama. O que mais me abalou foi chegar para gravar (O Beijo do Vampiro, em 2002), o diretor tirar todo mundo do estúdio e me dizer: “Você tá gorda. Tá difícil te enquadrar. Não sei mais o que fazer. Você é a vampira gostosona e a gente tem que só botar no close”.

Como reagiu?
Desmoronei. Minha vida não é só alegria. Essa profissão é difícil,
te deixa muito sozinha em alguns momentos. Não estou sempre
feliz. Fico muito sozinha em casa, só com a família. Como não freqüentei colégio, porque já trabalhava e só ia fazer prova, não
tenho amigos de infância em quem confie. Tem momentos que sento, choro e não sei o porquê.

Isso acontece sempre?
Tenho muitos momentos felizes e muitos tristes, de me sentir só, de ver minha irmã saindo com amigos, tendo quantos namorados quiser, ficar com o cara, ver que não dá certo e passar impune por isso, e eu não. Vejo que minha vida é ficar em casa, vendo filme e jantar. Não tenho muitos amigos. Às vezes fico em casa e o telefone não toca. Não tem ninguém para conversar porque não posso obrigar minha família a ficar no meu mundo. Quando estou fazendo novela, não tenho tempo para eles.

Como convive com a solidão?
Fui aprendendo arduamente, sofrendo. Acordando e falando: “Não tenho nada para fazer, vou ao cinema sozinha, vou jantar sozinha”. Às vezes me olhava e dizia: “Não tenho por que estar viva, nada para fazer. Os dias passam e fico nessa cama, olhando para esse teto e nada acontece”. Saía e dançava exacerbadamente não porque era maluca, mas precisava botar uma tristeza para fora. Fui fazer análise, para saber quem sou, por que estou chorando, que solidão é essa.