Reportagens  
“Ele (pai de Dado) sabia que ia morrer, me ligava trinta vezes ao dia e falava: ‘Vem ficar comigo’.
E eu queria muito aproveitar meu pai”, diz o ator, explicando
os atrasos em gravações
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Capa - entrevista
A minha famÍlia é uma bagunça
 O pequeno princípe
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Qual a lembrança mais marcante da sua infância?
Eu era arteiro, hiperativo. Tomava bronca do meu pai porque a gente sentava para jantar e tinha aquela coisa do silêncio da família e eu ficava batucando na mesa. Uma vez estavam todos numa festa chique, de terno, na casa do meu tio. Aí eu entrei de cueca e capacete de moto e me joguei na piscina. Tinha 4 anos.

Você e sua família sempre se entenderam?
A minha família é uma bagunça. Meu pai fez filho em três mulheres (Érica Mattfeld, a primeira, Sandra Depes, a segunda, e Pepita, terceira) diferentes. Somos cinco irmãos (Adriana, Fábio, Fernando, Dado e Gilberto). Me dou bem com todos. Eu tinha 10 anos quando meus pais se separaram. Foi difícil. Estudava em um colégio tradicional e todos tinham pai e mãe dentro da mesma casa. Eu tinha vergonha de falar para os meus amigos no colégio.

Tinha ciúme dos namoradinhos da sua mãe?
Muito. Uma vez (aos 11 anos), minha mãe estava com um namorado, um garotão em Búzios. Eu vim correndo e dei um chute nas costas dele e o joguei na piscina. O cara quis me bater. Aí, fui morar com meu pai. Minha mãe não agüentou ter um filho ciumento, neurótico, psicopata em casa.

É fiel em seus relacionamentos amorosos?
Sempre fui fiel a todas as mulheres que namorei. Sem fidelidade não há respeito, sem respeito não há relacionamento. Sou canceriano, sonhador, romântico. Me falam que sou antigo. Prefiro reunir amigos em casa a sair para dançar. Fico excitado com o papo da pessoa.

Você foi fotografado ao lado de outra mulher quando
namorava a Wanessa Camargo...
A gente terminou o namoro e, claro, não comuniquei à imprensa. Acabei o relacionamento e, após duas semanas, conheci uma pessoa. A gente saiu e calhou de acharem que estava traindo a Wanessa. Não me ligaram para perguntar se eu tinha terminado,
mas ligaram para ela. Wanessa começou a chorar no telefone,
não respondeu e ficou essa coisa no ar. Assim começou a coisa
do Dado infiel.

É amigo das suas ex-namoradas?
Não, é muito difícil. Por mim seria, mas não rolou. Mas tenho
carinho especial por todas.

Tem fama de atrasar em gravações, como em A Casa das
Sete Mulheres
. Por quê?
Atrasei uma vez, deixei o José de Abreu esperando. Mas eu estava perdendo meu pai, que estava no hospital. Ele sabia que ia morrer,
me ligava trinta vezes ao dia e falava: “Vem ficar comigo”. Ele pouco ligava se eu fazia minissérie, novela. Ele queria o filho que amava por perto. E eu queria aproveitar meu pai.

Falou-se que o motivo dos atrasos era seu namoro com
a Deborah Secco.
Imagina, coitadinha da Deborah! Antes de morrer, meu pai ficou dois anos entre internações e alta. Era o começo da minha carreira e meu pai era meu alicerce. A gente se falava 24 horas por dia ao telefone. Perder esse chão foi complicadíssimo. Se isso demonstrasse indisciplina, eu não trabalharia mais na Globo e fiz outros trabalhos lá. Foram ciúmes do elenco. Os atores mais velhos não se conformavam que um mais novo se atrasava. Tem muito ego, é um meio de cobras e lagartos, eles estarão representando muito bem a espécie deles.

Você ofendeu integrantes da Velha Guarda da Portela
no Carnaval de 2005?
Era Carnaval e na hora que entrei na passarela senti uma emoção tão forte e comecei a chorar. Todos acharam que eu estava passando mal. A Portela estava atrasadíssima, fecharam o portão e eu fiquei junto com os velhinhos. Começou uma encrenca com os seguranças. Eles não queriam deixar nem eu nem os velhinhos entrarem. Discuti com os seguranças e pode ser que algum repórter tenha me visto xingando alguém e interpretado diferente.

Você estava bêbado ou drogado?
Nada... Era felicidade de Carnaval. Sou contra drogas. Meu pai conversou muito comigo sobre os efeitos de todas elas. Já experimentei, não vem ao caso quais, mas não gostei.

Agradecimentos: Atelier Pérola Negra, Hugo Boss, Empório Armani, Clube
Chocolate, Doc Dog, Alexandre Herchcovitch e Replay. Jóias: Natan
Produção: Livia Rabani e Bianca Zaramella